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FARC e governo negociam entre combates

Quarta-feira, 28 Novembro 2012

Telmo Varela

O diálogo entre as FARC e o Governo de Juan Manuel Santos, nom é singelo e requererá, além da vontade das partes, dumha grande destreça para sortear os contratempos que a oligarquia e os fazendeiros-paramilitares, de seguro, vam provocar durante todo o processo negociador.

Já houvo conversas, mas sobre o terreno continuam livrando-se duros combates. Desde a comparência de Oslo a 18 de outubro, a presença militar nas zonas mais quentes do conflito é maior.

De facto, o governo fantoche dos ianques gaba-se de ter assassinado mais e cinqüenta guerrilheiros. Também houvo baixas no exército e na polícia. O governo está a cumprir a sua ameaça de seguir com a escalada bélica e incrementar os operativos militares nas zonas com mais presença guerrilheira. Umha estartégia bélica que nom vai em absoluto em consonáncia com umhas verdadeiras intençons de diálogo sério e onstrutivo. A nom ser que por parte da oligarquia e em setores do Estado haja importantes contradiçons e esta escalada militarista sirva para aplacar os ánimos dos setores mais conservadores e pró-ianques, que continuam a apostar na via militarista para solucionar o conflito armado na Colômbia e, portanto, inimigos do processo negociador.

Mal presságio tenhem umhas negociaçons quando dumha parte nom se ponhem de acordo, nem tenhem a sua própria casa arranjada. Quando se coloque sobre a mesa de negociaçons a reforma agrária e a distribuiçom da terra, um dos principais pontos de discussom, e que para as FARC é fundamental, vam saltar faíscas entre a classe latifundiária colombiana, habituada a atuar ao seu bel-prazer para saquear e roubar as terras aos camponeses.

Nom é mui ético e nom condi com um processo negociador tanta declaraçom belicista. Desde o presidente Juan Manuel Santos, até o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, ou o general Enrique Mora, membro da equipa negociadora, sempre que tenhem ocasiom de se dirigirem aos meios de comunicaçom, fam umha declaraçom belicista, deixando bem claro que nom haverá cessamento de hostilidades e que continuarám com os operativos militares.

Perante esta insistência militarista, as FARC nom devem baixar a guarda e sim golpear forte e com contundência, para que a oligarquia reacionária nom se faga leituras erradas e aposte realmente na negociaçom.

Os próximos meses serám cruciais, quando se abordem temas que afetam interesses económicos da oligarquia e da classe latifundiária, mui militarizada na Colômbia. Sem dúvida, o acordo que saia de Havana deverá sentar as bases para construir outra Colômbia a partir de parámetros opostos aos atuais.

O chefe da equipa negociadora do Executivo, Humberto de la Calle, afirmou em Oslo que “a deixaçom das armas” nom é sinónimo de paz. Na sua intervençom assegurou que “a finalizaçom do conflito armado é a antessala da paz. Para atingi-la, há que ir a fundo na transformaçom da sociedade”.

Essa “transformaçom” deverá dar-se a partir de mui diferentes ángulos e inovando em propostas e estratégias para substituir os métodos de luita violentos pola luita política pacífica. Para isso, os políticos, meios de comunicaçom, mestres, inteletuais… tenhem diante de si o grande repto de transformar umha sociedade habituada à guerra, aos massacres, às desapariçons, às ameaças, ao terrorismo de Estado, ao medo. Do seu êxito dependerá o bom desenvolvimento do pactuado em Cuba e que as feridas curem da maneira mais natural possível.

Certamente que o conflito nom é de fácil soluçom, a distribuiçom da terra é de tal complexidade que esta fenda cresce quando se analisa o modelo de desenvolvimento rural que reclamam os camponeses frente ao que propom o Governo.

Os dirigentes das FARC que participam na negociaçom devem ter em conta que o Presidente Santos, logo que assumiu a presidência, propujo a Alfonso Cano, comandante em chefe das FARC, a possibilidade de iniciarem um processo de diálogo. O próprio presidente revelou recentemente durante umha visita aos Estados Unidos que ele pessoalmente dirigia as conversas com Cano e que foi ele quem ordenou o seu assassinato.

Nom lhe tremeu a mao quando ordenou ao exército e à polícia acabar com Alfonso Cano. Na operaçom, batizada, como “Odisseia” participárom por volta de mil militares e polícias. “Tomei a decisom de eliminá-lo e assim se fijo. As regras som as regras”, afirmou o mandatário.

Esperemos que nesta ocasiom nom sejam as mesmas regras de jogo. Dum fascista sem escrúpulos podemos esperar qualquer cousa.

Telmo Varela

Prisom de Topas, Salamanca, 20 de novembro de 2012