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Greve Geral de 14-N incrementa tendência combativa de 29-M

Segunda-feira, 19 Novembro 2012

David Pichel Freiria e Luzia Leirós Comesanha

O início destas linhas tem lugar em 15 de novembro de 2012, um dia a seguir à Greve Geral que simultaneamente decorreu na Galiza, Grécia, Portugal, Itália e no Estado espanhol. Estám redigidas por trabalhadores e trabalhadoras sem emprego, com contratos precários, sem rendimentos e submetidas a todas as conseqüências que desta situaçom se derivam.

Umha condiçom que partilhamos com milhons de seres humanos e que nom é fruto dumha catástrofe natural, nem desencadeada polos nossos congéneres. Desta situaçom que padecemos há culpáveis, há interesses em jogo e todo um sistema que as produz e perpetua dia após dia. A geraçom de miséria e exclusom é inerente e imprescindível para o funcionamento do capitalismo. Sem exploraçom e dominaçom nom poderia sustentar-se como hoje o conhecemos. Sem opressom, nom seria factível perpetuar os insultantes privilégios e luxos dessa minoria chamada burguesia.

A Greve Geral de 14-N, como cada greve, facilita a visibilizaçom do conflito, da contradiçom existente entre Capital e Trabalho, a guerra entre duas classes com interesses irreconciliáveis, o confronto entre a desesperaçom e a angústia vital da imensa maioria social contra uns poucos exploradores milionários. Também traz à tona, embora se calhar de jeito menos apreciável, o papel essencial e fim último do Estado como mecanismo de opressom e dominaçom dumha classe sobre outra.

Mas se calhar o mais importante que esta greve traz à luz é a demonstraçom de quem é realmente o poder, a força, o motor e o combustível da sociedade. O povo trabalhador na sua decisom de aderir maciçamente à greve, para se defender das agressons e reclamar direitos, paralisa o sistema, evidenciando que este depende dele, dum ou doutro jeito, na sua totalidade.

A classe trabalhadora tem alternativa e viabilidade sem a burguesia; a burguesia por si só, simplementes nom existiria.

Porém, na atualidade, a classe trabalhadora é simplesmente a “mula paciente que move a roda, o burro de carga que carrega e descarrega…” , somos as e os, em última instáncia, prescindíveis. Esta realidade descritível de muitos jeitos e desde multidom de ángulos, é ocultada pola classe dominante por todos os meios possíveis, e é um dever para a esquerda revolucionária anticapitalista contribuir para a trazer à luz permanentemente.

No decorrer da jornada de 14 de novembro e nas semanas prévias, cada organizaçom do movimento obreiro e popular cumpriu o seu papel em base às suas capacidades, em base aos seus objetivos, em base aos seus efetivos e em base ao seu peso e influência no seio do povo trabalhador.

Todos os dados falam de êxito absoluto da jornada, mas… é que alguém duvidava? Nós nom. O movimento sociopolítico de que fazemos parte nom o duvidava e é por isso que o simples facto da adesom maciça à greve por si só nom é motivo para grandes palavras nem celebraçons. É umha boa notícia, sim, mas quem sabe da crua realidade que toca viver ao povo trabalhador, ou quem a padece tendo um mínimo de consciência, sabe que a situaçom está o suficientemente madura para luitar. As convocatórias que permitam visibilizar a paciência esgotada da maioria social e a raiva acumulada vam ser amplamente apoiadas. Mas está madura para algo mais?

Nas linhas seguintes nom há intençom de insultar nem desprezar ninguém. Nem se pretende desqualificar aqueles que venhem condenando o que nas nossas fileiras consideramos desde sempre umha necessidade vital para os interesses da classe obreira: a sua combatividade.

Há intençom, isso sim, de que as filhas e filhos da classe trabalhadora galega que tenham ocasiom de as ler e que acreditem firmemente na necessidade de combater o capitalismo, nom de reformá-lo, reflitam sobre a sua atitude e para o seu papel no seio das respetivas organizaçons das quais fam parte, com o intuito de contribuir assim para clarejar se vamos ou nom no bom caminho, e procurar caminhar na boa direçom.

[Fotos 1-2-3]

Vigo, 17h de 14-N

Passadas as 17h e depois da multitudinária manifestaçom da manhá, convocada polos três sindicatos maioritários na comarca de Vigo, arranca um multitudinário piquete desde a farola da rua Príncipe, em direçom ao “Corte inglés” (Imagens 1, 2 e 3). A composiçom deste piquete é variada e vai além de liberad@s e delegad@s sindicais e ativistas políticos, que aliás era mais bem reduzida. Novamente, e tal como acontecera na greve de 29 de março, a assistência foi elevada e o nível de combatividade também.

Às portas de “El Corte Inglés”, começam as primeiras críticas dos secretários comarcais e liberados sindicais, dirigidas a quem pontapeava com raiva as portas da grande superfície comercial, que abre as suas portas todas as greves obrigando sob intimidaçom e coerçom a trabalhar o seu quadro de pessoal. Minutos depois, após dar meia volta ao prédio, arde um contentor (imagem 4) e os chefes da burocracia pretendem esterilizar a açom do piquete apelando à contençom, às boas “formas”, tentando infrutuosamente de transformar o piquete numha procissom.

[Fotos 4-5-6]

Assistimos, pois, no calor da luita e sobre o terreno das ruas do Vigo proletário, à beira de um dos templos do consumismo do grande capital espanhol, ao histórico confronto de linhas entre as posiçons reformistas e as revolucionárias. Tentárom disciplinar a combatividade de centenas de jovens e nom tam jovens, que tam só pretendiam implementar a jornada de greve de 24 horas convocadas polas organizaçons sindicais e apoiadas por centenas de entidades sociais e forças políticas.

Polas principais artérias do centro, caminhavam com decisom e alegria centenas de pessoas adultas, acompanhadas por jovens encapuzadas, numha imagem, com certeza, muito formosa, pois de forma complementar todas queríamos deixar claro que nom nos vamos deixar submeter nem derrotar. Os contentores fecham ruas, mas abrem caminhos.

Neste ambiente de firmeza e entusiasmo, a marcha continuou, mas já se apreciava que os dirigentes das centrais sindicais tinham tomada a decisom de pôr ponto e final ao piquete. Imprimindo velocidade retomárom o caminho face o ponto de partida.

Mas antes de chegar à farola, outra imagem evidenciou a divisom real que tivo lugar no piquete. Enquanto os membros das direçons sindicais aguardavam já instalados na confluência entre Gram Via e Urzaiz, a imensa maioria, indiferente perante os seus apelos a renunciar a exercer de piquete, aguardava os acontecimentos do comércio de Pili Carrera, que fechava as portas nesse momento para evitar conseqüências.

Já todas e todos pudemos apreciar que o piquete incrementara o seu número (imagens 2 e 3), que nom existiam divergências nas formas de operar, mas a decisom estava tomada. Com alguns dos locais abertos na rua Príncipe e no Areal cumpria desconvocar. A gritos de Folga e Greve Geral, de Bla, Bla, Bla, Lume! contra as palavras dos representantes sindicais (imagem 5), ou de até às 0h Greve Geral e Príncipe, Príncipe!, em alusom à rua mais próxima, boa parte do piquete demandava continuidade!. Nom era momento de se retirar. Nom existiam razons; se calhar, cálculos eleitoralistas e lógicas conciliadoras sim.

O paripé que as três centrais pretendêrom implementar nom contava com a legitimaçom da imensa maioria das centenas de trabalhadores e trabalhadoras, de jovens, que estávamos na rua defendendo o nosso futuro.

Assim foi que de forma maioritária, e seguindo as palavras de ordem de um companheiro com megafone em mao (imagem 6), nom se secundou o apelo a arriar as bandeiras e dar por finalizado o piquete tal como solicitárom sem sucesso dirigentes de CCOO, UGT e CIG.

Nom é exagero afirmar que polo menos o sessenta por cento das centenas de trabalhadoras e trabalhadores continuamos a luita à margem da decisom unilateral dos chefes dos sindicatos (vídeo e imagens posteriores).

[Vídeo]

[Fotos 8-9-10-11-12-13]

O piquete continuou sim, e a sua combatividade também. Acompanhando as mais combativas e decididos do piquete, mais povo trabalhador, com menor disponibilidade para algumhas açons, mas sempre apoiando a luita, fazendo parte dela e ao seu calor, comprendendo que aí está o caminho, e que a saída à ditadura capitalista passa irremediavelmente por ela. Seguimos até o centro comercial a Laje, a zona antiga e após umha assembleia em que todo o mundo tivo ocasiom de opinar e expressar-se (imagem 18), novamente até “El Corte Inglés” que, fechado a sete chaves, seguia protegido polas forças repressivas.

Conclusons

Os dirigentes sindicais errárom se pensárom que quem participava da convocatória das 17h, tinha algum reparo a participar no meio dum piquete coerente e, portanto, combativo.

O piquete mantivo inalterável, com ligeiro incremento, o seu número, até o amago de repressom policial à beira do hotel Baía (imagens 14, 15, 16 e 17).

Um elevado número de jovens, moços e moças, vítimas presentes e futuras do capitalismo e que fam parte dessa “geraçom perdida”, estavam conscientemente na rua, luitando com a decisom e a dignidade da que nom pode fazer gala os convocantes das 17h.

Se a finalidade do sindicato é a defesa dos interesses da classe trabalhadora e se nas últimas décadas a situaçom da parte defendida nom fai mais do que piorar, algo acontece. Se a ferramenta defensiva nom impede as agressons e os retrocessos, limitando-se a gerir continuamente as derrotas, algo nom funciona.

Há 153 anos, a genialidade de Marx, plasmada no Prólogo à Contribuiçom para a Crítica da Economia Política explica muito bem o que aconteceu na tarde de 14 de novembro. As condiçons materiais de existência determinam a consciência. É a partir dessa premissa que se podem compreender as atitudes de contençom, posterior condena e criminalizaçom da explosom de raiva que cada vez manifestam mais segmentos do povo trabalhador por parte dos dirigentes sindicais, empregando idêntica linguagem que a utilizada polo Ministro do Interior e os porta-vozes policiais.

[Fotos 14-15-16-17-18]

11

Quando boa parte da filiaçom dum sindicato está com a água ao pescoço, no modelo atual de liberado-assalariado, dá-se a contradiçom entre a consciência dessa maioria derivada das suas cada vez piores condiçons materiais, e os privilégios das bem remuneradas direçons que gozam de estabilidade laboral.

As burocracias sindicais exercem de muro de contençom da luita obreira e popular, som um freio para o seu desenvolvimento, impossibilitam libertar o potencial revolucionário da classe obreira. Tenhem pánico à classe trabalhadora em luita, sem cordas nem tutelagens.

Tal como o Estado espanhol, que se está a armar até os dentes, @s comunistas galeg@s sabemos que as condiçons estám a amadurecer para avançarmos na articulaçom da construçom da ofensiva proletária pola emancipaçom do povo trabalhador. Os tempos de maré baixa ficárom atrás com o estourido da atual crise capitalista que sofremos com todas as suas conseqüências as e os de baixo.

Com espírito construtivo, afirmamos que quando vemos vándalos onde só deveríamos ver umha preciosa parte do povo trabalhador a ganhar para as nossas fileiras, algo nom vai como deveria ir no seio do sindicalismo galego de classe.

Nós estivemos lá; em piquetes combativos desde as 0h do 14-N e também depois da des-convocatória do piquete das 17h. E connosco, a nossa organizaçom com as suas bandeiras literalmente bem em alto, porque além de nos orgulharmos de estar, e de observar de perto que continua a desenvolver-se disponibilidade para a luita, é um dever estar aí, e é um dever cumprido.

Com greves ordeiras e politicamente corretas só contribuímos para a nossa derrota. A rebeliom popular é o caminho a seguir.

Adiante sem medo! Lume, companheiras e companheiros!

Galiza, 16 de novembro de 2012