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A experiência de umha leitura sobre a biografia de Lenine

Quinta-feira, 15 Novembro 2012

Por: Pablo Catatumbo, integrante do Secretariado do Estado-Maior Central das FARC – EP

Durante vários meses do ano 2012 encetamos na unidade guerrilheira que me acompanha a leitura de um interessante livro: a biografia de Vladimir Ilich Ulianov, Lenine, escrita polo historiador Gerard Walter.

Todas as manhás, antes de iniciar as tarefas diárias, no  espaço que a nossa mobilidade guerrilheira no-lo permitira dávamos leitura a umha parte deste livro, que realmente nom tem parágrafo que sobre para quem se interessar em conhecer a vida e obra de quem chegou a ser, sem nengumha dúvida, a principal e mais destacada figura política do século XX.

Fôrom decenas de dias em que a leitura parecia ser o melhor remédio para abalar-nos coletivamente do frio intenso do amanhecer andino. O livro do Gerald Walter resultou ser umha gratificante experiência para todos nós, e levou-nos a umha grande variedade de reflexons sobre história, teoria política e conjuntura nacional.

O mérito da biografia de Walter centra-se em ser um trabalho exento do caráter apologético e acrítico que prosperou no passado como muitas das construçons biográficas sobre líderes comunistas. O autor enfoca a sua investigaçom num sério trabalho de fontes e num vasto estudo do contexto geral no que transcorreu o dia após dia da vida de Lenine.

Destarte é que pudemos mergulhar-nos nos detalhes do seu entorno familiar, a vida política russa de fins do século XIX, a sua história académica, a sua formaçom como revolucionário e, sobretodo, os meteóricos eventos e desenvolveimentos que determinárom a insurreiçom de outubro de 1917 e, por conseqüência, os primeiros anos da rússia soviética, o primeiro estado de operários e camponeses no mundo.

Em Lenine descobrimos a experiência de umha pessoa que partindo da sua realidade concreta, soubo desenvolver e revolucionar a realidade circundante no quadro de múltiplas circunstáncias, muitas das quais lhe eram completamente adversas. Mas nom foi um sujeito isolado senom que, polo contrário, todo o seu acionar e prática política dérom-se num estreito vínculo com as massas populares.

Precisamente em Lenine vemos a superaçom do velho debate dos historiadores do século XIX: Quem é que fai a história: as massas ou os indivíduos?

O livro de Walter descobre-nos um sujeito político cuja arma principal é a crítica. Lenine é ante todo um crítico que vai até as últimas conseqüências no seu agir. Foi completamente alheio à hipocrissia politiqueira, à autocomplacência e aos devaneios políticos que imperam em grande parte das discusons políticas atuais. O seu foi a açom, o compromisso e a verdade revolucionária.

A essência do leninismo pode ser apreciada em toda a sua expressom no livro de Gerald Walter: rechaçou o economicismo, a açom isolada, o parlamentarismo, o aventureirismo, a tagarelice, o afastamento dos princípios e a ancilose política. Contra todo isto Lenine recomendava a disciplinada construçom de um partido de novo tipo, a priorizaçom da açom de massas, a formaçom de quadros integrais, a propaganda e a imprensa revolucionária, a defesa do internacionalismo proletário, a tática flexível e a estratégia firme.

Destaco dous aspetos adicionais que enriquecem a leitura desta obra: o primeiro, que desvirtua o tradicional lugar comum da historiografia burguesa que deitou a ideia de que a revoluçom de outubro nom foi mais do que um golpe de estado promovido polo governo alemám e Lenine o seu instrumento. Walter aprofunda amplamente nos métodos de trabalho de massas do partido bolchevique e a sua direta conexom com o objetivo insurreicional. Desdenhar isto só pode ter alvos ideológicos, e conduce a desconhecer a poderosa açom de milheiros de homens e mulheres dedicados ao trabalho revolucionário diário.

O outro aspeto, que Walter ajuda a mostrar é o papel que jogárom os diversos serviços secretos dos países capitalistas (principalmente do MI 6 británico), na sabotagem e as açons terroristas contra a primeira naçom socialista e, principalmente, na busca da eliminaçom física de Lenine.

Umha investigaçom mais ampla. Recordando estes factos nom pode um evitar pensar no papel que sempre jogou o terrorismo de estado para empecer as mudanças revolucionárias, e como alguns despistados inteletuais de agora, esquecem facilmente os difíceis anos da guerra imperialista contra a rússia soviética.

A leitura deste livro nos nossos acampamentos deu mesmo para anedotas. Gerad Walter menciona na sua biografia umha bolchevique exemplar, cujo nome era Rosalia Zalkind, grande militante clandestina, que atuou como correio humano de Lenine, sorteando todos os perigos para levar a correspondência sua ao interior do império zarista, nos anos mais duros da clandestinidade. No final, Rosalia Zalkind, resultou sendo apodada polos seus companheiros: “A Paisa “, o que fai com que nom seja improvável que correra polas suas veias sangue antioqueno.

O autor fala numha parte do livro, e ao longo do seu emocionante relato, sobre o importante papel jogado por esta mulher nos anos preparatórios da insurreiçom. Nom sobra dizer que esse seudónimo russo gerou numerosas inquietaçons entre os nossos combatentse por indagar e saber um pouco mais acerca desta mulher extraordinária.

O conhecimento sobre a vida de Lenine permitiu-nos alertar razons do rechaço contemporáneo de alguns inteletuais à figura de Lenine, e o temor que segue a despertar a sua figura entre os reacionários.

Hoje, no quadro do 95 aniversário da revoluçom de outubro, cobra renovada importáncia o estudo da vida e as publicaçons de Lenine, mestre dos comunistas do mundo inteiro. Desde as FARC-EP reivindicamos o seu legado e fazemo-lo nosso em cada atuaçom.

7 de novembro de 2012.

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