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A polícia, a serviço de quem?

Segunda-feira, 5 Novembro 2012

Telmo Varela

A crise económica que está padecendo o Estado espanhol e outros Estados da Europa está servindo a oligarquia para instaurar umha ditadura económica e como conseqüência disto umhas formas fascistas de governar.

Todas as trabalhadoras e trabalhadores que saem à rua para mostrar o seu descontentamento e enfado som “uns violentos sobre os quais deve cair todo o peso da lei” em forma de bola de borracha, porrada e malheira. Enquanto os manifestantes, polo facto só de usarem este direito, som riscados de violentos, de perigosos elementos a exterminar, as forças repressivas som apresentadas como garantes das liberdades e defensoras dos nossos direitos, ainda que nos machuquem a paus, por fazermos uso dum desses direitos.

Os manifestantes só por levarem umha faixa ou um cartaz som uns perigosos terroristas, uns violentos, cidadaos perigosíssimos; Ao contrário, a polícia, armada até os dentes que, sem motivos aparentes, lhe fende a cabeça a um pacífico manifestante, é um defensor da ordem que está para nos proteger. Machucam-nos a porradas, pontapeiam-nos e estám para proteger-nos! Umha bonita forma de velar pola nossa integridade física.

Quando às cámaras de televisom, captam a brutalidade das cargas policiais e saem aginha dizendo que foi a atitude de quatro polícias descontrolados que se excedêrom das suas competências e que esses incidentes nom empanham para nada o comportamento exemplar do corpo da polícia.

Para os meios de comunicaçom, sempre som quatro que sujam a boa imagem da polícia. Mas nom será que a imensa maioria da polícia som mercenários que nom se importam com nada, que pola sua própria mentalidade estám dispostos a machucar a sua mae, si for necessário, com tal de cobrarem um salário, que é o único que realmente os preocupa?

Convido a olhar os vídeos que circulam polas redes sobre a atuaçom policial do 25S, dos indignados de Barcelona, dos estudantes e Valência, dos mineiros dos povos de Mieres e Langreo, dos sindicalistas de Ferrol, das concentraçons das preferentes em Soutomaior… por se alguém tinha dúvidas das violentas atuaçons policiais dignas do melhor Estado fascista.

Em todas elas agridem sem contemplaçons e nom som quatro polícias como nos querem fazer acreditar, som as forças repressivas como tal instituiçom as que machucam o povo desarmado e indefenso que dim proteger.

Nom lhes importa que umha mae ou um pai de família fique sem emprego e nom tenha que dar de comer aos seus filhos, nem que despejem umha família com filhos cativos, para lá vam e se nom obedecem a primeira ordem som retirados da casa sem nengumha contemplaçom repartindo porradas a torto e a direito. Nom acreditem que nessa noite nom dormem polos remorsos. Nada disso!

Ainda se gabam da sua façanha e comentam entre eles os episódios mais violentos do dia, como si despejar da casa umha família com crianças que nom tenhem onde ir fosse um grande sucesso. Para eles seguramente foi, pois vam a receber o aplauso dos seus superiores, umha gratificaçom económica e seguramente umha condecoraçom polo trabalho bem realizado.

Se fossem pessoas exemplares, como os meios de comunicaçom nos querem fazer acreditar que som, nom acatariam essas ordens criminosas e fascistas, dirigiriam as porras ebolas de borracha precisamente contra os que impartem essas ordens injustas e crueis. A verdade é que a polícia cobra um salário para isso, para ter o povo amedrontado e submetido.

Na maioria dos meios de comunicaçom mente-se sobre a realidade, tergiversam continuamente os sucessos, sempre justificam umha carga policial por mor dumha provocaçom prévia para lavar a face criminosa da polícia. A realidade é que a gente só começa a lançar pedras e outros objetos, a levantar barricadas quando a polícia carga e já leva escachadas cabeças e lombos de forma indiscriminada, e na maioria dos casos sem mediar violência prévia por parte dos manifestantes.

Tenho participado em muitíssimas manifestaçons e nunca sucede nada até que aparecem as forças repressivas. Manifestaçons pacíficas tenhem-se convertido em batalhas campais com a chegada da polícia que, sem nengum motivo, começam a cargar com sanha e raiva a todo ser vivente, como se estivessem programados para isso. Como robots desumanizados, máquinas de massacrar.

Agora o povo está a abrir os olhos, está-se a dar conta que nom bastou luitar durante quarenta anos contra o ditador, que há que seguir luitando contra umhas forças e corpos de segurança herdeiras da ditadura, com os mesmos métodos repressivos e a mesma ideologia fascista.

Há que foder-se!, os que acodem a umha manifestaçom com a cara tapada ou com umha faixa é um violento, filho de má mae, etc, porém a polícia que se apresenta armada até os dentes, protegidos com roupas especiais, escudos, capacetes, com porras que dam a sensaçom que golpeiam elas sós, som pacíficos cidadaos (levam armas de adorno) que vam assim de pertrechados para proteger-nos. Entendem que só nos protegem aquecendo-nos a paus, outras vezes malham sobre nós para provar a eficácia das suas armas, mas nunca com más intençons. Os malintencionados somos nós que pensamos mal dos “pacifistas” que velam pola nossa segurança.

Se depois de umha carga policial gravássemos as conversas que mantenhem de regresso às esquadras nom sairiamos do nosso asombro, nom daríamos crédito ao que ouviríamos. Conversas sádicas, cheias de sede de sangue, parabenizando-se entre eles polos paus repartidos na jornada. O mais destacado pola sua brutalidade é parabenizado e ovacionado polos outros companheiros. Nom há umha so recriminaçom polos desmans e excessos.

A imensa maioria da polícia participa dessa concepçom violenta. Quanto mais violento se apresenta um polícia mais “macho” é e será mais respeitado entre o conjunto de companheiros. Há umha minoria, mui minoria, que nom participa desse ambiente, nem dessa concepçom violenta, mas imediatamente som marginalizados, afastados do grupo e por regra geral costumam estar em tratamento psicológico, ou abandonam o corpo.

A maioria da polícia som mercenários, violentos psicopatas, por isso da-lhes igual espancar um moço, umha mulher, umha criança que um anciao. Só a minoria que nom participa dessa conceçom violenta é marginalizada e afastada, considerada um perigo para o espírito do “corpo”.

Cárcere de Topas (Salamanca)

18 de outubro de 2012