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Autodestruiçom sistémica global, insurgências e utopias

Quinta-feira, 1 Novembro 2012

Jorge Beinstein

Aceleraçom da crise (mudança de discurso)

O fatalismo global abandona a sua máscara otimista neoliberal de outros tempos (que sobreviveu durante o primeiro trecho da crise desatada em 2008) e vai assumindo um pessimismo nom menos avassalador. No passado, os meios de comunicaçom explicavam-nos que nada era possível fazer ante um planeta capitalista cada dia mais próspero (embora pragado de crueldades), só nos ficava a possibilidade de nos adaptar, umha ruidosa massa de especialistas avalizavam as grandes consignas com argumentos científicos irrefutáveis (os críticos nom se podiam fazer ouvir em frente à avalanche mediática). Isso foi chamado discurso único, aparecia como um formidável instrumento ideológico e prometia acompanhar durante vários séculos, embora tenha durado umhas poucas décadas e se tenha esfumado em menos de um lustro.

Agora a reproduçom ideológica do sistema mundial de poder começa a ir a um novo fatalismo profundamente pessimista baseado na afirmaçom de que a degradaçom social (despregada como resultado de “a crise”) é inevitável e irá prolongar-se durante muito tempo.

Como no caso anterior, os meios de comunicaçom e a sua corte de especialistas explicam-nos que nada é possível fazer, mais que nos adaptarmos (novamente) ante fenómenos universais inevitáveis. Como qualquer outra civilizaçom, a atual, em última instância, controla os seus súbditos persuadindo a respeito da presença de forças imensamente superiores às suas pequenas existências impondo a ordem (e o caos) ante as quais se devem inclinar respeitosamente.

O “mercado global”, “Deus” ou outra potência de dimensom oceánica cumprem tal funçom e os seus sacerdotes, tecnocratas, generais, empresários ou dirigentes políticos nom som outra cousa que executores ou intérpretes do destino o que de passagem legitima os seus luxos e abusos.

Assim é como em Setembro de 2012 Olivier Blanchard, economista chefe do Fundo Monetário Internacional anunciava que “a economia mundial precisará polo menos de dez anos para sair da crise financeira que começou em 2008” (1). Segundo Blanchard o enfriamento durável dos quatro motores da economia global (Estados Unidos, Japom, China e a Uniom Europeia) obriga-nos a descartar qualquer esperança em umha recuperaçom geral no curto prazo. Ainda mais duro, em agosto do mesmo ano, o Banco Natixis, integrante de um grupo que assegura o financiamento de aproximadamente 20% da economia francesa, publicava um relatório intitulado “A crise da zona euro pode durar vinte anos” (2).

Encontramo-nos diante de um problema que dificilmente poderám resolver as elites dominantes: a cultura moderna é filha do mito do progresso, umha e outra vez pode cativar os de baixo com a promessa de um futuro melhor neste mundo e ao alcance da mao, isso diferentemente de experiências históricas anteriores. As épocas de penúria som sempre descritas como provisórias preparatórias de um grande salto para tempos melhores. A reconversom da cultura dominante em um pessimismo de longa duraçom aceite polas maiorias nom parece viável, polo menos é de muito difícil realizaçom exitosa nom só nos países ricos, mas também na periferia e sobretodo nas chamadas sociedades emergentes. Só populaçons radicalmente degradadas poderiam aceitar passivamente um futuro negro sem saída à vista, as elites imperialistas golpeadas, desestabilizadas pola decadência económica, sem projetos de integraçom social poderiam encontrar na degradaçom integral dos de baixo (os seus pobres internos e os povos periféricos) umha arriscada alternativa possível de sobrevivência sistémica.