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A justiça burguesa, mais umha vez nom perdoa

Quarta-feira, 31 Outubro 2012

Ramiro Vidal Alvarinho

Quando escrevo isto, acabo de saber alguns detalhes da detençom de três pessoas (umha delas, atençom, umha criança de oito messes) em Narom sob a acusaçom de serem terroristas. Deveria sentir satisfaçom e alívio, suponho, se eu for um bom cidadao. Mas acho que nom encaixo em tal perfil. Sou um indivíduo conflituoso, com mentalidade anti-sistémica, inimigo declarado deste modelo de convivência. E talvez por isso me produz inquietaçom saber destas detençons, e temo pola integridade física dos detidos (isso sempre) aliás  de, em qualquer caso, ser pesimista sobre a possibilidade de que lhe sejam respeitados os seus direitos mais elementares. Em realidade, o primeiro que deveria assistir a todo detido, que é a presunçom de inocência, lá foi tomar vento desde que a imprensa do sistema tivo conhecimento da notícia.

Segundo a imprensa oficial no operativo policial caiu “o chefe do aparelho de finançamento da Resistência Galega”. Nunca a Resistência Galega se manifestou como organizaçom em si, desconheço quê provas tenhem os jornais ou a polícia para afirmarem que a tal Resistência Galega é um grupo organizado, o que está claro é que tal condiçom se dá por sentada necessariamente se a um dos detidos se lhe imputa umha responsabilidade orgánica relacionada com as siglas Resistência Galega. Já é muito pré- supôr a primeira premissa, mas nem vou entrar num debate de cartas macadas como esse.

O que sim quero constatar é que mais umha vez se verifica a nom igualdade perante a lei de todos os súbditos do estado bourbónico. Poido perfeitamente imaginar o operativo policial, com a pancada na porta, o encanonamento das duas pessoas adultas detidas no operativo e a sua inmobilizaçom, as mais que prováveis agressons físicas, o registo sem contemplaçons da habitaçom, sem respeitar integridades nem intimidades, a angústia e terror do cativo incapaz de compreender o que aconteceria, a incomunicaçom, a provável tortura, a utilizaçom da criança como elemento de presom, enfim, o rosário de cenas que já todos imaginamos; todos os que leriamos um artigo como este e nos preocupamos de procurar vias alternativas para nos informar das cousas, entenda-se.

Como se pode sequer falar de igualdade perante a lei num estado no que batoteiros fiscais, evasores de capitais, políticos implicados em casos de tráfico de influências ou finançamento ilegal de partidos, delinqüentes inmobiliários som tratados com luva de seda, a pesar de que as suas canalhadas afetam à vida de milhons de pessoas? Todos os banqueiros ladrons, todos os empresários caloteiros, todos os políticos corrutos sofrérom o trato que estarám tendo que suportar o Júlio e a Sílvia? Evidentemente nom. Estes dous infortunados ingressarám em prisom, enquanto indivíduos como José Luis Méndez, Pablo Cobián, Gerardo Conde Roa transitam com absoluta tranquilidade polas ruas das nossas cidades, continuam a dedicar-se aos seus negócios sujos e polas noites durmem na sua cama. Qual é o elemento que desequilibra a valança, sem que quase ninguém experimente a mais mínima sensaçom de estranheza? Pois que no caso que nos ocupa, as pessoas detidas som suspeitas de “terrorismo”. E quê é terrorismo? Se terrorismo é sementar o terror (por pôr um exemplo, porque seguramente na linguagem do regime “terrorismo” será outra cousa) entom acho que há cousas me produzem bem mais terror do que qualquer açom da “Resistência Galega”.

Eu vejo os critérios que se seguem para qualificar uns factos ou outros de terrorismo, e noto sem nengum esforço que as proporçons para aplicar o qualificativo estám claramente trucadas. Vejamos, tombar umha torre de alta tensom no meio do monte, terrorismo. Provocar a morte de dous trabalhadores numha obra em mar aberto, por obrigá-los a ir no resgate de um guindastre quando se achegava um golpe de mar…sinistro laboral (fatalidade?). Queimar umha viatura militar quando ninguém estava dentro, nem nas proximidades, terrorismo. Provocar a morte por esmagamento de um operário quando desmontava um guindastre, porque nom se observárom as medidas de segurança (por ordem expressa de um supervisor de obra) acidente (vontade divina, se calhar?). Queimar maquinária de obra que se estava a utilizar na construçom da Cidade da Cultura (umha ruína económica para o povo galego, além de um atentado ambiental e paisagístico brutal) terrorismo. Provocar a morte de um camionista num cantil por nom ter a zona de descarga bem iluminada (por poupança económica, parece ser) imprudência do trabalhador falecido. Sabotar imaginário fascista, segundo alguns, terrorismo. Desposuir a umha família da sua casa conseguida depois de muitos anos de trabalho, sem alternativa e sem contemplaçom de idade, estado de saúde ou outras circunstáncias sociais, suponho que para os responsáveis da situaçom e os seus cúmplices e encobridores simplesmente um episódio desagradável. E assim por diante.

Quando um vê a Urdangarín dirigir-se aos julgados, nom o vê algemado e rodeado de polícias encarapuçados. Vai polo seu próprio pé,com um respeito escrupuloso por parte de méios de comunicaçom e forças repressivas da sua imagem e a sua dignidade como pessoa. Quê dignidade e quê imagem é a que se lhe garante a qualquer pessoa que  é detida por “terrorismo”? Já conhecemos o encenamento que se desenvolve à volta dos deslocamentos, comparecências e demais.

Neste sistema, quem delinque a grande escala e abusa do seu poder, inclusso sendo responsável direto da perda de vidas humanas, na maioria dos casos sabe que nunca terá que responder a nível nengum da sua conduta delituosa, e quando o fai mesmo pode negociar as condiçons nas que o vai fazer. A puniçom será irrisória e quando transcorrer o breve periodo de tempo de cumprimentaçom da condena, poderá continuar fazendo-se rico a base de rapina, terror e exploraçom. Se queimas umha fileira de pneumáticos na calçada de umha via urbana durante umha jornada de greve, por exemplo, ou reventas a vidraça de um banco ou mutilas a estátua de um militar franquista, o estado pode decidir que és um terrorista e podem enviar-te a prisom a centos de quilómetros da tua localidade de residência.

Concluíndo…que nom á igualdade perante a lei, nem a podemos esperar. E que o estado espanhol o volta demostrar.