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O fenómeno Beiras e a social-democracia espanhola

Sexta-feira, 26 Outubro 2012

Ramiro Vidal Alvarinho

A nova configuraçom do Parlamento Galego está a dar que falar: há quem prefira dar umha leitura mais optimista e há quem se incline por ser mais crítico. Um dado absolutamente indiscutível é a vitória, nas eleiçons autonómicas, do Partido Popular, com todas as objeçons que se puderem fazer acerca do sistema eleitoral… com efeito, tem mais cadeiras com menos votos, mas em qualquer caso incrementa em três a sua representaçom, enquanto os grupos que fôrom oposiçom durante a legislatura anterior vírom a sua presença no hemiciclo autonómico seriamente mermada. Imerecidamente se se quer, mas o Partido Popular sai reforçado da contenda eleitoral e BNG e PSOE seriamente punidos.

Se há um claro triunfador na noite eleitoral (à parte do ganhador absoluto e indiscutível, que é o PP) é a Alternativa Galega de Esquerdas, umha coligaçom eleitoral formada por Anova, Esquerda Unida, Equo e Espaço Ecogaleguista, que conseguiu nove vagas (nada menos) no Parlamento, sendo assim o principal referente “de esquerda” dentro da sede do poder legislativo da CAG, toda vez que o PSOE já está assumido que perdeu qualquer referencialidade ou conotaçom nesse sentido, passando a ser percebido como “a outra peça” do turnismo imperfeito instalado no Estado espanhol, em alternáncia com o PP mas sem diferenças ideológicas substanciais. Dentro desse sucesso, há um artífice que nesse dia viveu umha jornada de verdadeiro esplendor pessoal, o histórico líder nacionalista Xosé Manuel Beiras.

O “efeito Beiras” foi fundamental no triunfal caminho ao hemiciclo da AGE. Nom é concebível nem a atençom mediática, nem a afluência espetacular de público aos seus atos eleitorais, nem o mais do que considerável apoio em sufrágios a esta candidatura sem a presença de Beiras nas listas. Beiras é um brilhante orador, tem umha capacidade dialética muito superior à dos seus adversários, tem umha imagem e um estilo inconfundível… foi sem dúvida a estrela da campanha e vai-no ser também do curso parlamentar, suponho que para desgraça do resto dos porta-vozes e muitas vezes para desespero do próprio Feijó. Tem aliás umha bagagem inteletual enormemente maior que qualquer interlocutor que poda encontrar no Parlamento; a sua obra como teórico da economia da Galiza mesmo formou notáveis quadros doutras forças políticas. Isto é conhecido tanto por quem o ama como por quem o odeia.

Beiras conduziu a AGE para o sucesso, a questom é quem vai capitalizar esse sucesso. Alguém comentava na mesma noite eleitoral que, com a correlaçom de forças que estava a ficar, Anova teria quatro deputados e Esquerda Unida cinco. Um comentário nom sem a sua dose de malícia, mas que nom deixa de assinalar umha verdade. O desenho “de cremalheira” das listas de Anova, possibilitou a entrada no parlamento de cinco deputados que fôrom colocados em tal lista da mao de Esquerda Unida, e que é a Esquerda Unida a quem devem obediência em todo caso, antes do que ao grupo parlamentar da AGE, se é que se mantém como grupo, que também soou nalgum momento o rumor/confissom off the record/”ou-nom-sei- como-o-qualificar” de que umha vez chegados ao parlamento, cadaquem iria pola sua conta. Nom está de mais assinalar que, se isto chegasse a ser assim, Esquerda Unida teria grupo parlamentar e Anova ficaria sem ele; ainda bem que como seriam os únicos inquilinos do Grupo Misto, nom teriam que repartir presenças nas comissons nem turnos de palavra com ninguém.

E este é um ponto importante, que amola especialmente a militança de Anova. A maior beneficiada do sucesso eleitoral da AGE é Esquerda Unida. Conseguírom umha representaçom parlamentar que nunca teriam conseguido em solitário, e conseguírom-no fazendo valer o maior ativo político de Anova, que é a liderança e a influência de Beiras. Nom creio que essa influência como líder de Beiras tenha um correspondente digno de analogia na seçom galega de IU. Nom vou com isto negar a importáncia das bolsas de votos de EU naquelas localidades onde há certa tradiçom de trabalho político desta organizaçom, ou inclusive presença institucional nas corporaçons municipais. Mas nem com isso, que evidentemente contribuiu para o êxito, haveria hipóteses reais para EU de entrar no hemiciclo se concorrer em solitário.

Um pode olhar, como dixem, a situaçom com optimismo ou com pessimismo. Um pode fazer a leitura de que a representaçom à esquerda do PSOE aumenta, já que dos 12 deputados do BNG da legislatura anterior passa-se aos 15 atuais somando os de BNG e a AGE… ou pode fazer a leitura de que na correlaçom “galeguismo-espanholismo” o primeiro sai a perder, porque se o BNG era o contraponto “galeguista” na legislatura anterior perante o binómio “PSOE-PP”, hoje a soma de deputados do BNG mais os deputados sob obediência de Anova dá um deputado menos dos que o BNG tinha depois das eleiçons de 2009.

Poderíamos dizer logo que o Xosé Manuel Beiras fijo umha boa demonstraçom do seu potencial e boa forma diante de próprios e de estranhos, que se demostrou a si próprio que ainda é um líder de umha altura provavelmente irrepetível por muitos anos neste país e ganhou um braço de força pessoal ao BNG (e, por mais senhas, à UPG) mas fijo um mau negócio político com uns sócios que veremos o que lhe agradecem que os remolcara ao ansiado porto da presença parlamentar (depois de muitos anos de deriva) A difuminaçom e relativizaçom da questom nacional durante a campanha vai ter contrapartida em forma de lealdade à hora de defender iniciativas e posicionamentos de caráter avançado em matéria lingüística, cultural ou de autogoverno durante o curso político? E se aquestom da autodeterminaçom é posta sobre o tapete, haverá consenso nas fileiras da AGE? Muito presupor seria atribuir-lhe uns princípios mais avançados no aspeto nacional a EU do que ao PSOE…

Triste nódoa no historial do Beiras o ter sido instrumentalizado para um logro sem precedentes de Esquerda Unida. Digo instrumentalizado, porque por muito que o seu concurso na experiência política for absolutamente decisivo, em Madrid o conto nom o contam assim. Em Madrid a batalha que se anda a contar é a hábil manobra “dos nossos”, valendo-se dos cindidos do BNG, para que EU conseguisse grupo parlamentar próprio pola primeira vez na sua história.

O que é quando menos anómalo é que umha expressom espanholista como EU escale no espectro político galego à custa das xenreiras larvadas entre expressons políticas genuinamente galegas, independentemente do  maior ou menor soberanismo que se translocir nos seus postulados. O pior de todo é que elementos que se identificavam num passado bastante próximo com o independentismo revolucionário se somassem à operaçom. Egocentrismo e sectarismo som os pais destas manobras estranhas.