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Eleiçons: por ventura há decisons inóquas?

Segunda-feira, 15 Outubro 2012

Ramiro Vidal Alvarinho

De um ponto de vista individual é relativamente fácil declarar-se abstencionista. Nom é difícil de justificar tal atitude sustentada desde a vontade particular, basta com manifestar descrença e desapego a respeito do sistema político, ou da classe política, ou das diferentes alternativas…a nível coletivo, nom resulta tam singelo. NÓS-Unidade Popular, leituras interessadas à parte, nom pede o voto nestas eleiçons para nengumha das candidaturas que concorrem.

A pressom é forte; há setores que visualizam umha possível queda da maoria absoluta do PP no parlamento galego, insistem na necessidade de votar para conseguir esse objectivo e machacam a ideia de que a abstençom favorece ao PP. Responsabilizarám sem dúvida ao abstencionismo de um fracasso nesse intento de viragem na política institucional, se o objectivo nom se conseguir, e culpabilizarám muito especialmente a aquelas organizaçons políticas que tiverem defendido a abstençom como maneira ativa de posicionamento na contenda eleitoral.

Mas nom somos principiantes, como para temer o peso desse tipo de culpabilizaçons absolutamente batoteiras, por outro lado. Com efeito, o PP beneficiará-se da desmobilizaçom e a dispersom do voto de esquerda, mas se isto é assim será porque as opçons que se reclamam representantes de umha alternativa de esquerdas (nomeadamente o BNG e AGE) nom som quem de aparecer como alternativas acreditáveis perante quem potencialmente os votaria, ou seja, a responsabilidade de que estas opçons nom consigam o respaldo que pretendem é própria, nom é de quem nom lhes vota por nom acreditar nessas pretensas alternativas ou por qualquer outro motivo.

E é que por um lado, o BNG ainda nom se recuperou  do bluff que supujo a sua experiência de governo em aliança com o PSOE e, por outro lado, a AGE, como outros engendros de natureza eleitoralista semelhantes aparecidos noutras laitudes da Europa, cheira de maneira bastante clara a oportunismo: oportunismo por parte de um Beiras que quer a toda costa voltar à política institucional ainda aliando-se com siglas com as que nem se plantejaria aparecer há bem pouco tempo, e oportunismo por parte de outras forças políticas como a FPG e Esquerda Unida, que nunca conseguiriam por si próprias representaçom parlamentar.

Como digo, nom somos principiantes; temos já umha década de história e certa experiência em processos eleitorais. Já nos apresentámos a duas eleiçons autonómicas e a umhas eleiçons europeias, e também temos participado em candidaturas nas eleiçons municipais. Este é um sistema de representaçom política para maiorias, onde o discurso do voto útil é articulado desde os próprios atores principais desse sistema, em contra de qualquer opçom que nom seja funcional a esse sistema que necessitam sustentar. Até o ponto de que o próprio povo acaba fazendo muitas vezes seu esse discurso. A nós tem-se-nos acusado de furtar-lhe votos ao BNG (assim, diretamente) e de favorecer, com a nossa concorrência, a maioria que levou a Feijó à presidência da Junta. Agora que pedimos a abstençom, a acusaçom é exatamente a mesma, com a única diferença de que nom competimos de maneira direta polo voto. Sobre isto, um par de observaçons; se nós, desde os nossos órgaos soberanos, decidimos livremente concorrer a umhas eleiçons, temos exatamente o mesmo direito e legitimidade para fazê-lo que qualquer outra força política, e naturalmente nom temos que dar explicaçom a maiores de nengum tipo. E, se um setor de pessoas ideologicamente incardinadas nesse complexo arco do independentismo-soberanismo-nacionalismo de esquerdas decidem livremente votar-nos, é um ato absolutamente legítimo. Resulta bastante hipócrita desejar umha deserçom massiva entre a massa votante de outras forças políticas e depois intentar criminalizar um possível trasvassamento de votos do BNG cara NÓS-UP, por pequeno que este for. Se dentro do segmento ideológico provavelmente mais conseqüente à hora de decidir questons como o voto dentro da sociedade galega há um pequeño setor de pessoas que pode hesitar entre umha cousa e a outra ou que se pode inclinar cara a nossa alternativa, por algum motivo será.

Em qualquer caso insisto, cadaquém é responsável da sua sorte na contenda eleitoral e a nossa decisom está tomada em conseqüência com a realidade que constatamos, nom em funçom do que poidamos perjudicar ou favorecer a outros, ainda que é evidente que qualquer decisom que tomássemos incidiria no processo.

A pergunta entom seria; porquê nesta ocasiom pedimos a abstençom? A nossa decisom foi tomada num contexto de deterioramento das instituiçons do regime, de descrédito da classe política e de crise económica cada vez mais grave, por muito que nos intentem confundir com gíria macroeconómica. O panorama é de cada vez menor identificaçom da sociedade com as instituiçons, um espetáculo cada vez mais desvergonhado de corrupçom e umhas condiçons de vida cada vez mais penosas com precariedade no emprego, destruçom de postos de trabalho, cada vez mais pobreza e incremento das desigualdades sociais devido à liquidaçom dos serviços públicos. E tudo isto, continua numha trajetória sem retorno, porque o capital financeiro e essa estrutura tecnocrático-imperialista da UE imponhem o guiom governe quem governar no estado ou na Junta. E porque a oligarquia espanhola sabe que ante esta inflexiom dos acontecementos, o que toca é intensificar e acelerar a sua rapina.

Pedimos a abstençom, porque postular-nos como elegíveis nestas eleiçons significaria legitimar o processo e legitimar as instituiçons nas que teoricamente aspirariamos a participar. E porque os instrumentos político-institucionais que teoricamente representariam a soberania do povo, cada dia representam menos tal cousa. É um engano a todos os efeitos, intentar convencer ao povo de que a situaçom dramática que vivemos se pode inverter legislando para implementar medidas corretoras de determinadas desigualdades, ou aplicando tal ou qual modelo de política fiscal…sobre tudo num contexto no que a nível estatal se está a reformar a constituiçom espanhola precisamente para impossibilitar mesmo determinados modelos de gestom. Além disto, nom está de mais lembrar que as instituiçons da autonomia galega nem sequer som soberanas desde que nom exercem poderes soberanos, mas em qualquer caso, poderes delegados ou cedidos. A involuçom democrática já é um facto consumado. E desde a política institucional, já nom há soluçons que se lhe poidam dar a isto.

A soluçom é revolucionária. O começo da soluçom está nom em que Pachi Vázquez tome possesom do cárrego de Presidente da Junta, mas em que o povo tome possesom da rua e faga sentir a sua força. A próxima greve geral deve ser o começo de um movimento insurgente que faga cair os governos um tras o outro e que colapse as instituiçons, todas, até o seu derrubamento.

É aí onde verdadeiramente temos que investir o esforço humano e organizativo, e nom em envolver-nos numha contenda eleitoral na que nunca poderiamos competir em pé de igualdade e que apenas servirá para legitimar a legalidade e institucionalidade bourbónicas.