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Por umha verdadeira articulaçom galega, soberana e de esquerda

Segunda-feira, 24 Setembro 2012

Maurício Castro

Às vezes, as condiçons de fraqueza política levam algumhas forças a tentar fazer da necessidade virtude. É isso, em nossa opiniom, que explica o precipitado acordo entre várias forças galegas de esquerda reformista com umha de idêntica natureza mas diferente nacionalidade, concreta e significativamente espanhola.

Referimo-nos, claro, ao recente pacto entre Anova (EI, FPG e MpB) e Izquierda Unida, para juntas tentarem aceder ao Parlamento autónomo nas eleiçons de 21 de outubro.

Assistimos nas últimas semanas às diversas argumentaçons com que defendêrom a necessidade do pacto, confundindo, como é habitual em muitas forças políticas, as necessidades do País com as necessidades delas próprias.

Assim, vimos como apelavam às “circunstáncias extraordinárias em que esta convocatória acontece”, à “urgência de derrotar o Partido Popular” ou até ao objetivo de “rebentar o sistema galego de partidos” (sic). Os argumentos mais elaborados até remontárom à Frente Popular de 1936, à ferriniana Posiçom Soto de 1992 ou, como nom, ao atual pólo soberanista basco, que seica inclui um grupo cindido de IU.

Em síntese, a suspensom do princípio elementar da auto-organizaçom galega responderia à sobranceira unidade da esquerda, priorizando essa ideia sobre o que a própria IU definiu como “o secundário debate identitário”. Na verdade, alguns concluímos que a “contradiçom principal” foi a estabelecida entre a coerência e o oportunismo, sendo resolvida mediante a procura, a qualquer preço, de um lugar no Parlamento. Uns para recuperarem o protagonismo perdido e outros para tirarem proveito do cenário de crise e recomposiçom do nacionalismo galego.

Indo direto ao assunto, e antes de que me acusem de essencialista e etnicista por defender a incontornável e permanente necessidade de fortalecer umha efetiva auto-organizaçom em todas as ordens da vida social no caso de umha naçom oprimida como a Galiza, direi que, coincidindo nisso com IU, tanto eu como a organizaçom política em que milito, NÓS-Unidade Popular, evitamos perder o tempo em debates identitários. A nossa nacionalidade galega resulta de umha vontade consciente e irrevogável.

Por isso, e ainda sendo conscientes da extrema fraqueza e dispersom da nossa esquerda nacional, em nengum caso recorreríamos ao atalho de um acordo subordinado a forças do regime que nega a nossa naçom. O PCE foi no seu dia, nom o esquecemos, um dos agentes políticos que tornárom viável o atual regime monárquico, unitário e capitalista espanhol. Continua a fazer parte da sua arquitectura institucional e aspira, como tal, a recuperar o protagonismo perdido no seio da esquerda social galega.

As eleiçons autonómicas passam e os problemas de fundo permanecem, para além da sorte deste apressado experimento de articulaçom galego-espanhola, mais um de tantos a que temos assistido.

Porém, como nom somos alheios aos desafios que o nosso povo trabalhador enfrenta em plena crise capitalista, nem pensamos que as soluçons a esses reptos passem por umha renúncia à autoconstruçom como comunidade nacional, deveremos tirar as liçons correspondentes deste episódio para avançar numha verdadeira articulaçom galega, soberana e de esquerda.