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O remédio nom é implorar à virgem…

Quarta-feira, 12 Setembro 2012

Bruno Lopes Teixeiro

Ontem, vários meios de comunicaçom faziam-se eco da solicitude que o alcaide ferrolano, o “popular” Rey Varela, lhe fazia no passado domingo, em Mondonhedo, à Virgem dos Remédios. Rey Varela encomendou-se à virgem para que acompanhe “as gestons que desde as distintas administraçons se estám a levar a cabo para que os nossos estaleiros consigam manter a atividade plena“. Por se isto nom fosse suficiente, também solicitou que o ajudasse na “tarefa de sair desta crise“.

Perante esta casta política, é melhor rir para nom chorar!

Parece ser que o alcaide ferrolano tem mais fé na virgem que nas promessas chegadas por parte do governo autonómico para que as bancadas da indústria naval trasanquesa deixem de estar vazias. Seguramente, apesar do meu ateísmo, eu também acho mais factível um milagre da Virgem dos Remédios que esperar que o Partido Popular cumpra as promessas de Feijó e Alfonso Rueda de conseguir carga de trabalho para Navantia.

Mas, postos a brincar, Rey Varela poderia ter-se encomendado à Virgem de Chamorro, que como patroa ferrolana com certeza está mais conscientizada da grave crise que estamos a sofrer.

Enquanto Rey Varela deixa em maos da divina providência o futuro da nossa comarca, a direçom do sindicalismo nacional e de classe espera paciente a que se as pregárias de Toxo e Mendez a Santa Angela Merkel nom dam resultado, o sindicalismo espanhol se decida a acompanhar-nos numha greve geral inadiável.

E entretanto, à volta de 10.000 postos de trabalho perdêrom-se nos últimos 30 anos, entre os estaleiros de Fene e Ferrol, desde a primeira reconversom levada a cabo polo PSOE. Uns 700 operári@s ficárom na rua no último ano.

Pola primeira vez em decádas, nom há nengum barco em construçom nas bancadas dos estaleiros ferrolanos, nem, apesar das promessas do governo Feijó, se espera. A situaçom é de extrema gravidade numha comarca que depende principalmente do trabalho desenvolvido dentro da ria. Mas se em Trasancos é grave, nom é muito menos grave no conjunto do País.

Nom é momento de andar a encender velas, é momento de acender as ruas e intensificar a luita. De convocar novas greves gerais, comarcais e nacionais. É preciso que o proletariado do naval trasanquês se desmarque das burocracias sindicais ao serviço do patronato e dos dirigentes políticos que levam décadas enganando o povo trabalhador com estratégias eleitoralistas que encobrem os seus interesses de classe.

Nem os distintos governos capitalistas, nem a Uniom Europeia, nem muito menos a Virgem dos Remédios, tenhem soluçons para os trabalhadores e trabalhadoras galegas.

Só com firmeza e luita organizada, poderemos enfrentar-nos com garantias à agressom ilimitada que estamos a sofrer. Corresponde ao proletariado do naval, pola sua tradiçom de luita acumulada, desenvolver este combate.

Nom podemos adiar mais a convocatória dumha greve geral nacional. A grave situaçom nom está como para esperar por ninguém, nem por CCOO, nem por UGT, nem por Maria Santíssima. É urgente pois, que o sindicalismo nacional e de classe se ponha à frente dumha greve geral de 48 horas o mais abrangente possível, mas sem condicionantes eleitoralistas, nem obscuros cálculos das cúpulas sindicais e da esquerda domesticada, que só servem para justificar práticas sindicais conciliadoras e submissas ao poder e nom fam mais que conter a capacidade de resposta da classe obreira galega.

Podemos e devemos derrotá-los.

Trasancos, 11 de setembro de 2012