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Crise ambiental e Revoluçom Socialista. Umha visom a partir da Galiza

Sexta-feira, 24 Abril 2009Um Comentário

Carlos Morais

A fase neoliberal do capitalismo está a conduzir o planeta Terra face umha catástrofe ecológica de incalculáveis conseqüências. O modo de produçom capitalista véu considerando praticamente ilimitados os recursos e aplicando um modelo de acumulaçom que está perigosamente aproximando-se da ruptura do complexo equilíbrio ambiental planetário. Longe de alarmismos, os mais diversos indicadores da realidade constatam que estamos a ponto de quebrar a harmonia ecológica que tem permitido a vida humana e do resto de espécies na Terra.

Um só dado esclarece o que pretendemos denunciar e alertar: a generalizaçom em escala mundial do consumo médio energético dos Estados Unidos provocaria que as reservas conhecidas de petróleo se esgotariam em dezanove dias. A conclusom nom por ser suficientemente conhecida está a ser irresponsavelmente desconsiderada polas grandes potências imperialistas. É pois completamente insustentável em escala planetária o nível de esbanjamento do modelo de civilizaçom actualmente vigorante no centro capitalista.

As oligarquias mundiais, embora sejam conscientes da gravidade da situaçom, adiam a adopçom das medidas imprescindíveis para fazer frente à crise ecológica, cuja dimensom é já impossível de ocultar na actualidade. Apostam em manter o seu nível de lucros, por perpetuarem irresponsavelmente o seu nível de vida à custa de continuar a esbanjar recursos, basicamente naquelas áreas geográficas da periferia dos actuais estados imperialistas, como a América Latina e as Caraíbas, em países empobrecidos do centro como a Galiza, ou no assalto às vastas regions árticas, até agora virgens e inacessíveis, mas em acelerado processo de degelo polo aquecimento global.

Durante milhares de anos o desenvolvimento das forças produtivas mantivo-se num nível o suficientemente baixo de tal maneira que nom alterou o equilíbrio ambiental. Porém as deflorestaçons, extinçom de espécies provocadas pola actividade humana, contaminaçom de águas, e mesmo a escalas muitos restrictas da própria atmósfera, fôrom umha permanente realidade ao longo da história humana, tal como rigorosas investigaçons científicas constatam. A industrializaçom capitalista agudizou um problema, menor e solventável, até esse momento mediante o ilimitado consumo de recursos nom renováveis (combustíveis fósseis, minerais, com destaque para o petróleo), transformando boa parte dos renováveis em nom-renováveis (água, solos, madeira, pesca e caça, etc), gerando resíduos tóxicos, emitindo gases venenosos que provocam o efeito estufa e a chuva ácida que destrói a camada de ozónio. Todo isto unido à modificaçom genética de animais e plantas promovida pola indústria alimentar que provoca crises e inseguranças alimentares, e a radiaçom gerada pola energia nuclear, nom só empobrece ainda mais à humanidade trabalhadora senom que se converteu a dia de hoje na maior ameaça para o futuro do conjunto da humanidade.

As maiores vítimas da crise ecológica, além das mais de 150 espécies de animais e plantas que diariamente se extinguem polos efeitos da contaminaçom e alteraçom meio-ambiental, som os povos periféricos do centro imperialista e as grandes massas de excluidos. A desertificaçom é a origem de enormes deslocaçons humanas, êxodos da cidade ao campo que provocam o crescimento de macro-cidades ecologicamente insustentáveis, a destruiçom dos métodos tradicionais de vida que esbanjam o meio ambiente com a imposiçom de monocultivos seguindo os interesses das multinacionais que provocam miséria e fame. Mais de dous mil milhons de seres humanos nom tenhem acesso à água potável, dos quais dous em cada cinco moram em cidades.

O capitalismo a escala global, tal como Marx prognosticou na Lei geral, absoluta de acumulaçom capitalista plasmada no Livro Primeiro de O Capital produz umha “acumulaçom de miséria, proporcionada à acumulaçom de capital. A acumulaçom de capital num pólo é ao próprio tempo, pois, acumulaçom de miséria, tormentos de trabalho, escravatura, ignoráncia, embrutecimento e degradaçom moral no pólo oposto”. A crise ecológica agudiza estas lúcidas conclusons ao extremo de hoje ser umha preocupante realidade a depauperaçom absoluta do proletariado tal como enunciou o revolucionário alemám.

Som, pois, os pobres e os povos agredidos polo neoliberalismo as principais vítimas da crise ecológica provocada polo capitalismo.

A apropriaçom e saque dos recursos energéticos e minerais, da biodiversidade de amplas zonas planetárias provoca que entre a realidade da Galiza e a de América Latina e as Caraíbas existam similitudes derivadas do semelhante papel que nos tem atribuído a divisom internacional do trabalho imposta polo imperialismo em Bretton Woods.

Mas, antes de entrarmos nisto, cumpre abordarmos minimamente umha série de reflexons imprescindíveis para compreendermos porque só umha Revoluçom de carácter Socialista poderá evitar esta catástrofe e porque, frente ao desastre que nos oferece o Capital, a máxima luxemburguiana de Socialismo ou barbárie tem de ser reactualizada por Comunismo ou caos.

O meio ambiente no pensamento marxista clássico

As preocupaçons ambientais nom ocupárom um lugar relevante nas reflexons de Marx e Engels, mas a sua teoria revolucionária é essencial, é indispensável, para poder desenvolver um integral e globalizador projecto ecologista que realmente pretenda evitar o desastre e simultaneamente alicerçar umha alternativa socioeconómica ecologicamente sustentável e harmónica com a natureza.

Porém, se bem devemos assumir as carências de umha perspectiva de conjunto sobre umha questom que na altura nom tinha atingido a dimensom actual, é necessário destacar que os fundadores do materialismo histórico e da dialéctica materialista denunciárom com meridiana clareza os efeitos negativos da contaminaçom de um modo de produçom unicamente orientado polo lucro, a acumulaçom e as leis do mercado. Em multidom de fragmentos da sua obra, e à medida que fôrom madurecendo as suas reflexons sobre a irreparável fractura na “interacçom metabólica entre o homem (ser humano) e a natureza” encontraremos umha progressiva denúncia do esbanjamento de recursos e a destruiçom ambiental provocada polo capitalismo. Assim em “A condiçom da classe obreira inglesa”, trabalho de 1844, denúnciam os resíduos industriais nas ruas e nos rios, e o envenenamento atmosférico por gases contaminantes. De facto, embora empregando umha lógica elementar no volume III de O Capital, Karl Marx manifesta a necessidade de respeitar o meio natural como condiçom essencial para preservar o futuro das vindouras geraçons. Nos Manuscritos de Paris, na Ideologia Alemá, ou nos Grundrisse acharemos reflexons de grande calado sobre a desconsideraçom ambiental do capitalismo, mas nom por isso deparamos com um Marx verde, um ecologista radical. Seria absurdo e infantil, como desnecessário termos que maquilhar os clássicos do marxismo para justificar a imprescindível interligaçom dialéctica entre modo de produçom capitalista e destruiçom da natureza.

A alternativa marxista

Cada dia som mais as pessoas que, alertadas polos cada vez maior número de sintomas preocupantes da crise ambiental que se manifestam nas nossas vidas quotidianas, se perguntam se podemos evitar o desastre, se ainda estamos a tempo de parar esta suicida orientaçom? A resposta é obviamente sim, mas o tempo corre em contra nossa.

Mas para podermos evitá-lo nom podemos desligar a íntima vinculaçom entre propriedade privada das forças produtivas, supeditaçom do ser humano à máquina, opressom nacional e de género, e destruiçom ambiental.

Para podermos nom só compreender o que sucede, mas também articular alternativas viáveis que mudem o rumo dos acontecimentos nom só nom podemos confiar na informaçom que nos fornecem os estados, os organismos internacionais e a comunidade científica muitas vezes asalariada das grandes multinacionais que tendem a minusvalorizar e mesmo ocultar a verdadeira dimensom do problema. Mas sim manter umha saudável desconfiança com os acordos internacionais estilo Kyoto, os debates e ineficazes decisons da ONU e outros organismos internacionais, e muito menos nas alternativas verdes de personangens tam pouco recomendáveis como o ex-Presidente norte-americano Al Gore ou associaçons como Greenpeace. Som simples lavagem de cara, falsas alternativas reformistas para desviar a atençom, que evitam ir à raíz do problema e portanto estám completamente esterilizadas para vertebrar qualquer soluçom.

Actualmente nom só está em questom um modo de produçom que empobreceu até límites insuspeitados as maiorias sociais, os povos e metade da força de trabalho representada polas mulheres, também está em perigo a sobrevivência da espécie humana.

O marxismo tem muito que dizer e fazer, basicamente porque nom se pode ser marxista sem ser ecologista, mas basicamente porque nom se pode evitar o desastre ambiental sem implementar umha alternativa que só poderá vir da mao do Socialismo. Nom é possível construir umha nova sociedade se a base material da mesma, o planeta Terra, deixar de existir ou padecer um colapso de tal magnitude que altere profundamente a vida das espécies hoje conhecidas, entre elas a humana.

O marxismo do século XXI, tal como historicamente fijo com outros contributos provenientes de outras teorias humanas, tem que ser capaz de incorporar as inovaçons provenientes de outros campos de estudo e análise, tem que demonstrar a superioridade teórica da síntese dialéctica para apreender e implementar na sua acçom teórico-prática todas aquelas reflexons e críticas ecologistas inexistentes no capitalismo decimonónico.

 

O projecto socialista para o século XXI tem que ser capaz de incorporar no seu projecto integral o vector ecológico. Mas poder integrá-lo -tal como as diversas rebeldias e reivindicaçons sociais às quais historicamente o marxismo nom emprestou suficiente atençom porque simplesmente as desconsiderou ou bem ainda nom tinham a dimensom dos nossos dias, é necessário, fai-se imprescindível cortar com determinadas concepçons do progresso linear, com o fetichismo do desenvolvimento dos paradigmas tecnológicos e económicos, com o desenvolvimento ilimitado de umhas aparentemente neutrais e assépticas forças produtivas, presentes na sua obra e basicamente promovido polas simplificaçons e a vulgarizaçom a que se viu submetido posteriormente.

Nesta imprescindível reflexom nom podemos obviar a desconsideraçom do modelo soviético, desse socialismo realmente (in)existente, com o meio natural. Os mais de 70 anos dessa experiência, assim como outras similares ou com vínculos estruturais, constatam que o modelo aplicado, os paradigmas que o orientavam, nom só nom respeitárom o ambiente, como provocárom alguns dos maiores desastres ecológicos do Planeta. A desecaçom do mar de Aral ou o acidente nuclear de Chernobil som os mais conhecidos, mas nom os únicos. O nível de contaminaçom atmosférica, de destruiçom dos recursos, nos países que conformárom a URSS ou actualmente na China nom som inferiores a muitas das áreas planetárias sob a dominaçom da economia de mercado.

É necessário pois um novo modelo de produçom baseado em novos paradigmas nos que o Socialismo que temos que construir nom só distribua equitativamente os recursos e as riquezas sociais em base às necessidades reais, suprima desigualdades, erradique qualquer forma de dominaçom com atençom à aliança simbiótica entre capitalismo e patriarcado, senom que promova a participaçom social e as mais avançadas formas de democracia e autogestom operária, superando a dominaçom de uns povos sobre outros, erradique o poder adulto, as desigualdades de orientaçom sexual, e aplique um desenvolvimento respeitoso com o meio.

Há que superar as concepçons curtoprazistas baseadas nessa errónea ideia de progresso identificável com produtivismo, consumo, dominaçom da natureza e desenvolvimento tecnológico.

Mas para superar a cultura do produtivismo tam interiorizada no mais profundo do movimento operário, é fundamental apostar nos valores revolucionários imprescindíveis para mudar as consciências e construir o Socialismo. A felicidade humana, objectivo último que persegue a Revoluçom Socialista, nom deriva da acumulaçom de riquezas e todo tipo de bens, nom é resultado do consumismo compulsivo, de um simples bem-estar material similar ao que hoje desfrutam amplos sectores de Ocidente. Nem o planeta tem recursos suficientes para os mais de 6 mil e quinhentos milhons de habitantes poderem manter esse nível de consumo (estimaçons fiáveis calculam que a populaçom em 2050 poderá atingir os 10 mil milhons), nem a felicidade humana será resultado da combinaçom de umha distribuiçom equitativa com elevados graus de igualitarismo que nom só cubram as necessidades básicas dos seres humanos, mas também transformem as consciências para erradicar a insolidariedade, a concorrência, o egoísmo.

Do mesmo jeito que nom é possível um capitalismo de rosto humano, menos explorador, tampouco é viável um capitalismo ecologicamente sustentável em escala global, nem possível corrigir os seus “excessos” em escala planetária por meio de taxas e impostos que gravem a quem contamine. Som meras ilusons reformistas, possibilistas, que a história da luita de classes tem constatado como falazes.

As correntes ecologistas, os partidos verdes, que emergírom na segunda metade da década de setenta do passado século na Europa Central com postulados aparentemente avançados acabárom inseridos nos governos neoliberais e imperialistas, convertendo-se no contrapeso ecologista dos excessos ultra-liberais contrários a qualquer regulamentaçom e limitaçons estatais seja no ámbito laboral como no da defesa do meio. Estas forças pretendem fazer do Ocidente rico e opulento umha ilha “verde” transferindo as industrias contaminantes, os resíduos gerados pola sua indústria e as centrais energéticas, o lixo que producem as suas sociedades, para o mal chamado Terceiro Mundo.

Combater o espólio imperialista

A enorme riqueza em recursos energéticos e minerais, biodiversidade, água, de amplas zonas da América Latina está no alvo do imperialismo. Os Estados Unidos pretendem nom só recuperar o controlo de aqueles países que com diversos ritmos e modelos iniciárom o longo e complexo processo de recuperaçom da soberania do seu território na última década, com destaque para a República Bolivariana da Venezuela, a Bolívia e o Equador, sem obviar o heróico povo cubano que há uns meses comemorou o 50 aniversário da sua (nossa) Revoluçom, como pretendem apropriar-se da Amazonia.

Para lograr este objectivo, tal como figérom no Iraque e no Afeganistám, nom duvidarám em empregar a mais brutal e maciça violência terrorista mediante umha intervençom militar a grande escala, seguindo a estratégia que já hoje aplicam na Colômbia contra a insurgência como o verdadeiro e maior obstáculo para o sucesso dos seus planos anexionistas. A recente reactivaçom da IV Frota constata e actualiza o verdadeiro rosto da barbárie imperialista que fôrom negadas até a saciedade nas duas últimas décadas a partir de coordenadas aparentemente de esquerda tam na moda após a implosom da URSS e a crise pola que atravessou boa parte da esquerda.

Os EUA, independentemente de quem for o seu presidente, democrata ou republicano, preto ou branco, homem ou mulher, mantenhem inalterável o núcleo duro da doutrina Monroe formulada em 1823, um ano antes da Batalha de Ayacucho, e tal como manifestou o sexto presidente dessa potência, Jonh Quincy Adams, “nom tenhem amizades permanentes, mas interesses permanentes”. Seria suicida e irresponsável por parte do movimento operário e popular, por parte dos povos e naçons em luita, depositar no novo inquilino da Casa Branca expectativas de mudanças progressistas. Obama tam só vai realizar as maquilhagens e reajustamentos necessários para atrasar a inevitabilidade da crise do capitalismo global e dos EUA como potência-mundo hegemónico, enganando a ingénuos e comprando consciências fatigadas pola dureza da luita anticapitalista e anti-imperialista. Só pretende ganhar tempo para a sua recomposiçom, nom nos deixemos novamente enganar.

Mas os povos latino-americanos e caribenhos nom só estám ameaçados pola voracidade do imperialismo ianque. Outros aparentemente menos agressivos como o espanhol, (que na actualidade tem despregadas tropas em seis zonas do planeta: Líbano, Afeganistám, Kosova, Bósnia, Chad e no Índico), levam quase duas décadas reconquistando a América Latina e as Caraibas. Por meio das suas multinacionais que contaminam, destroem culturas, arrasam territórios, para assim apropriar-se dos recursos e controlar sectores estratégicos das economias nacionais como as telecomunicaçons e as finanças. A celebraçom racista em 1992 do denominado V centenário do descobrimento marcou o início desta estratégia imperialista.

Companhias como Unión Fenosa, Gás Natural, BBVA, Grupo Santander Central Hispano, Telefónica, Repsol, Cepsa, Iberdrola, Endesa, Agbar, ACS Dragados, Ferrovial, OHL, ENCE, Mapfre, Sol Meliá, Pescanova, etc som co-responsáveis da situaçom de miséria e pobreza de centenas de milhons de homens e mulheres do Rio Bravo à Patagonia.

Esta segunda recolonizaçom espanhola já nom é com a espada e a cruz mas sim com as multinacionais e os seus aparelhos ideológicos de dominaçom como o Grupo Prisa e Planeta.

Agressom ambiental e dependência nacional

Como habitante de umha pequena naçom europeia da periferia capitalista chamada Galiza padeço semelhantes agressons por parte do mesmo imperialismo contra o que combatêrom heroicamente Martí e Bolívar, e contra quem hoje luitam os povos da América rebelde. E tal como eles, sou independentista porque Espanha simplesmente é a nossa ruína e para poder construir umha alternativa socialista à economia de mercado que nos mantém na marginalizaçom e o atraso endémico é imprescindível aplicar umha estratégia de libertaçom nacional que dote a Galiza de um Estado.

A partir da segunda metade do século XX o Estado espanhol, que exerce sobre o meu povo e o meu país umha dependência nacional concretizada na exploraçom económica dos nossos recursos e força de trabalho, na opressom cultural para lograr a plena assimilaçom e uniformizaçom, e umha dominaçom política que impossibilita o exercício do direito de autodeterminaçom, aprofunda na agressom ambiental consubstancial com essa lógica de força ocupante.

Inícia o desenvolvimento de um conjunto de macroprojectos seguindo as directrizes e interesses das multinacionais e da oligarquia, posteriormente apoiados pola Uniom Europeia.

A dependência nacional favoreceu a instalaçom de indústrias de enclave altamente poluentes, construçom de barragens para gerar energia eléctrica, e a extensom do monocultivo de pinheiros e de umha espécie foránea tam agressiva como o eucalipto que provoca e favorece a extensom de pavorosos incêndios florestais. Estes fenómenos agudizárom a emigraçom e o abandono do campo aprofundando assim no empobrecimento e no atraso.

A construçom da factoria de celulose de Louriçám na ria de Ponte Vedra, da refinaria de petróleo de Corunha e posteriormente da fábrica de alumínio em Sam Cibrao provocou a construçom das centrais térmicas das Pontes, Meirama, Ponferrada e Sabom no que som os principais seis pontos pretos da agressom ecológica da indústria de enclave. Indústria de clara mentalidade colonial que perpetuou o atraso e marginalizaçom situando um país com umhas taxas de industrializaçom relativamente baixas num dos primeiros postos de contaminaçom por emissons de CO2 da Europa, fazendo que os pulmons verdes da Galiza (Os Ancares e o Caurel) tenham a maior concentraçom de dióxido de nitrogénio no ar do nosso país e umhas das taxas de contaminaçom mais elevadas de todo a Península Ibérica.

Mas a voracidade imperialista nom só se satisfijo com isto. Continua a cometer agressons ambientais que ponhem em perigo a saúde e a vida de dezenas de milhares de pessoas construindo umha macro-central de gás no coraçom da ria de Ferrol, pretendendo construir dúzias de minicentrais hidroléctricas que destruirám rios e riquissímos espaços naturais, favorecendo a instalaçom de centenas de geradores de energia eólica ou permitindo constantes navalhadas sobre a nossa pel colectiva, os vales e montes do País dos mil rios, mediante a proliferaçom de canteiras e minas a céu aberto, apostando na irracional cultura do automóvel e transporte por estrada que emprega combustíveis fosséis, ou por projectos tam agressivos para o meio natural como o TAV -o comboio de alta velocidade- que incomunicará o País e só favorecerá os ricos para chegarem antes a Madrid.

Na actualidade, o projecto imperialista espanhol pretende converter a Galiza num referente turístico, fazendo de amplas zonas e regions do nosso país um gigantesco parque temático. Convertendo a Galiza num destino turístico os governos espanhóis tam só aprofundam na dependência económica e na estratégia desnacionalizadora. Este modelo de desenvolvimento irracional e especulativo está provocando um disparatado crescimento urbanístico, basicamente no litoral, num País que perde populaçom. A construçom selvagem de urbanizaçons, portos desportivos, passeios marítimos, campos de golfe destróem zonas de alto valor ecológico e paisagístico, e alteram o equilíbrio socioambiental da costa e do interior.

A modo de conclusom

É necessário pois que as organizaçons revolucionárias nom só incorporemos as legítimas reivindicaçons ecologistas aos nossos programas e acçom teórico-prática, é imprescindível encabeçar as luitas populares contra um modelo socioeconómico ecologicamente insustentável e contra os efeitos mais dramáticos da destruiçom acelerada do planeta a que está conduzir-nos o capitalismo na sua fase neoliberal.

Naqueles povos cujas naçons carecem de soberania, como no nosso caso, devemos ser as forças socialistas do movimento de libertaçom nacional que tenhamos a capacidade teórico-prática para incorporar e complementar a luita pola defesa do território com a emancipaçom social.

A nossa particular memória histórica das luitas sociais mantém bem gravada nas consciência e na retina como a mobilizaçom popular impediu a construçom de umha central nuclear em Jove há trinta anos, como paralisou o debate sobre a instalaçom de depósitos de resíduos nucleares nas proximidades do nosso território nacional polo leste, ou como evitou a construçom de barragens salvando alguns dos nossos melhores vales. Só a mobilizaçom popular, a utilizaçom das mais variadas formas de luita, impossibilitará condenar a um sombrio, inquietante e imprevisível futuro às novas geraçons.

A real independência e plena soberania nacional é imprescindível para evitarmos que o imperialismo continue a saquear os nossos recursos e a converter os nossos países em enormes lixeiras e aterros de susbtáncias tóxicas.

Porém, só umha Revoluçom de carácter socialista evitará a catástrofe ao que nos conduz o Capital. Concentremos forças, coordenemos energias, invistamos recursos nessa direcçom. Hoje mais que nunca: Comunismo ou Caos!