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Dia da Pátria com novo número do Abrente na rua

Domingo, 22 Julho 2012

O jornal comunista Abrente saudará como cada ano un novo Dia da Pátria, desta vez, com a edición do seu número 65, correspondente aos meses de julho, agosto e setembro.

O novo número do Abrente, que será publicado en formato de fácil leitura nos próximos dias, além da análise de umha conjuntura marcada pola profunda crise que atravessa o Estado espanhol e que o tem colocado á beira do “resgate” e as secçons habituais de livros e web, inclui umha nova entrega da análise do contínuo perfeiçoamento dos mecanismos de cooptaçom sindical por parte do régime da autoria de Daniel Lourenço Mirom e um interessante artigo sobre ENCE e a lógica das industrias de enclave elaborado por Antia Marinho, secretária da APDR. Na secçom de opiniom, o membro da Direçom Nacional de AGIR Miguel Cuba analisa a ofensiva para a privatizaçom do ensino e , na secçom de internacional, reproduzimos a comunicaçom apresentada polo veterano militante comunista Miguel Urbano Rodrigues apresentada nas XVI Jornadas Independentistas Galegas.

A seguir, e a espera da publicaçom da totalidade dos conteúdos deste novo número do Abrente, publicamos a sua editorial.

Revoluçom Galega = Independência, Feminismo e Socialismo

Espanha é a nossa ruína

Qualquer projeto político que na Galiza se reclame de esquerda e pretenda implementar um programa transformador ao serviço dos interesses da classe obreira e das camadas populares tem que defender a plena soberania nacional. Nom é viável nem possível umha cousa sem a outra. O atraso histórico do nosso país e sobre-exploraçom da nossa classe deriva do secular submetimento a Espanha. Mas para que umha naçom seja soberana tem que ser formalmente independente. Nom é possível a soberania sem a independência.

Hoje, quando o Estado espanhol em plena falência está à beira da intervençom de iure por parte do capitalismo internacional, é mais importante que nunca evitarmos que a Galiza se veja arrastada por Espanha ao abismo. A única forma de o conseguirmos é defendendo sem ambigüidades nem filigranas retóricas a independência nacional. A Galiza nom poderá sobreviver eternamente sob a cada vez maior pressom assimiladora espanhola, sob a intensificaçom da exploraçom dos seus recursos, mermadas as capacidades para decidir o seu futuro. Espanha é a nossa ruína. Qualquer força política que se reclame revolucionária, qualquer movimento social que se considere transformador e que nom parta desta premissa está condenado à integraçom na lógica sistémica e, portanto, à derrota.

@s comunistas galeg@s vimos defendendo sem complexo algum, e de forma clara, que a Revoluçom Galega tem três objetivos estratégicos interligados. Libertar a Pátria da opressom nacional espanhola, do imperialismo ianque e da UE, dotando-a de um Estado plenamente livre e soberano; construir umha sociedade socialista superadora da ditadura da economia de mercado; e emancipar mais de metade da força de trabalho, as mulheres. Umha Revoluçom socialista de libertaçom nacional e antipatriarcal.

À medida que se agudiza a crise do capitalismo, e som mais visíveis as conseqüências para o povo trabalhador nos cortes e retrocessos das condiçons de vida, vai-se afrouxando o véu alienante que impossibilitava que amplos setores explorados e agredidos retirassem o que semelhava incondicional apoio e confiança nos responsáveis pola nosa exploraçom e dominaçom. O processo ainda está agora a começar. Nom avança ao ritmo desejado e necessário, pola hegemonia reformista nas direçons do movimento sindical e popular, e pola debilidade do movimento revolucionário e do partido comunista patriótico.

A batalha ideológica adquire pois, nesta conjuntura, umha dimensom e importáncia capitais. Nom som horas de apresentar “prudentes” e descafeinadas alternativas a partir de maquilhagens e reforminhas do capitalismo e da dependência nacional.

Há que defender sem temor algum que o futuro da Galiza e da humanidade passa por superar o capitalismo, por construir umha nova sociedade baseada em valores antagónicos dos da economia de mercado. Que o Socialismo é a única possibilidade real de evitar o caos a que nos conduzem o capitalismo e o imperialismo. Que o Comunismo é a nossa meta.

Espanha, um protetorado do imperialismo

A fraçom mais reacionária dos interesses da burguesia tivo que reconhecer nos factos o seu fracasso após meio ano de gestom do governo de Madrid. Mariano Rajói e o PP nom dérom saneado o sistema bancário nem evitado a falência dos bancos e assumem carecerem de meios próprios para superar a situaçom. Embora tenham dedicado enormes recursos e energias a ganhar tempo, a convencer os mercados da solvência espanhola, a acalmar a voracidade do Capital, nom o conseguírom. Entre a perplexidade e a ridícula arrogáncia, nom param de solicitar “ajuda” à UE, G-7 e G-20.

Com a prometida esmola de mais de 100.000 milhons e euros e a cada vez mais inevitável próxima intervençom de Espanha pola troika -seguindo o caminho que já percorrêrom a Grécia, a Irlanda e Portugal, o outrora império “onde nom se punha o sol” passa a se converter, de facto, num protetorado da Comissom Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI. As decisons serám adotadas em Berlim, Bruxelas e Washington. De nada serviu o passeio de barco em maio polo rio Chicago, de Rajói com Ángela Merkel, nem as promessas de plena obediência realizadas na cimeira da UE a finais de junho. Madrid ficará esvaziado de competência reais, já para nem falarmos de Compostela, onde a sucursal autonómica da Moncloa carece de qualquer capacidade e vontade para tracejar e implementar políticas próprias.

Serám a classe obreira, as mulheres e os povos oprimidos do Estado espanhol que soframos sobre a nossas costas os pacotes de permanentes medidas ultraliberais que imporá o grande capital: endurecimento da última reforma laboral, aumento do IVA, descida de salários e pensons, incremento da idade de reforma, mais cortes e privatizaçons da saúde pública, educaçom e serviços sociais, mas também um maior reforçamento chauvinista do aparelho administrativo, seguindo a lógica do Capital.

A crise do capitalismo senil vai acompanhada na nossa formaçom social concreta polo endurecimento do patriarcado e do centralismo. A ofensiva espanholista procura compensar a perda real de soberania do Estado espanhol mediante a recuperaçom de boa parte das competências que foi concedendo às burguesias periféricas para consolidar o pós-franquismo. O vigorante modelo autonómico vai seguir sendo alvo de umha ofensiva permanente por parte dos partidos e forças que representam os interesses diretos do bloco de classes dominante.

Perante este panorama, no qual o espanholismo se submete às diretrizes de organismos supranacionais, cedendo soberania, a Galiza tem que reclamar e exercer o direito a recuperar a soberania conculcada por Espanha. A luita anticapitalista e feminista tem que ir da mao da reclamaçom da independência nacional.

Disparatada recomposiçom da esquerda social-democrata nacional

A conjuntura social e política derivada do incremento das graves agressons que a classe trabalhadora, mulheres e o projeto nacional galego vem padecendo, exige eficácia para organizar a resistência, audácia para avançar e vontade política para construir o bloco histórico emancipador.

Porém, as tendências maioritárias em curso no seio da esquerda nacional caminham em direçom contrária. Primeira Linha, desde o primeiro momento, nom depositou a mais mínima confiança na abertura de novas perspetivas para alargar a capacidade de luita do nosso povo confluindo com parte dos setores que abandonárom o BNG a inícios de ano. Contrariamente a outras forças do campo da esquerda independentista, nom claudicamos dos nossos princípios e, portanto, nom participamos em manobras de confusom para articular umha nova organizaçom “nacionalista” e de “esquerda”, pois nom queremos contribuir para vertebrar um BNG bis, nem a reforçar esterilizantes projetos social-democratas.

A experiência histórica da nossa particular luita de classes, mas também de muitas outras latitudes, tem constatado que no combate revolucionário nom há atalhos. O marxismo tem acertadamente definido como oportunismo as piruetas políticas de quem pretende avançar renunciando aos princípios. As unidades som fruto de acordos políticos e ideológicos, nom da desesperaçom e da carência de perspetivas. A integraçom de forças que se autodefinem “revolucionárias” em espaços hegemonizados polo reformismo é um erro histórico. Nom conduz a nengures, a nom ser à integraçom e à claudicaçom de contingentes militantes em goradas viagens de curto percurso.

A acumulaçom de forças para avançar no cumprimento das tarefas táticas e estratégicas do movimento obreiro e popular galego nom dependerá nem estará condicionado por aritméticas eleitorais, nem alternativas institucionais. O balanço de quase quatro décadas de democracia burguesa espanhola é tremendamente negativo para a Galiza, a classe obreira e as mulheres.

Nestas décadas, a esquerda socialista e independentista mais conseqüente tentou vertebrar, entre contradiçons, um espaço diferenciado do autonomismo. Renunciar agora a prosseguir por esse caminho é um errro histórico. Desacerto agravado pola tentativa de confluir com segmentos políticos e ideológicos que oscilam entre o altermundismo e o filoliberalismo e que,  sob a hegemonia da pequena-burguesia, defendem postulados que a refundaçom da esquerda nacionalista já superou em 1964. Que paradoxal, quando agora a UPG-BNG ensaia, para nom seguir perdendo fregueses, um epidérmico giro “esquerdista” e “soberanista”!

Ou bem a perda definitiva do gps ideológico permite compreender a absurda tentativa de alimentar mediante confluências discursos galeguistas plenamente superados, reeditá-los como um ingrediente mais de umha caldeirada ideológica. Ou bem estas manobras emanam da procura de mesquinhas e inconfesáveis prebendas e privilégios.

No entanto, contrariamente ao barulho mediático e às naturais expetativas que gera o novo, a verdade sempre é revolucionária. @s comunistas temos que transmitir ao nosso povo, sem eufemismos, com clareza, as nossas posiçons. O  pluralismo nom é em si mesmo positivo. Pluralismo sim, no campo das forças obreiras e classistas, mas nom no ámbito de espaços interclassistas mais próximos do autonomismo que do soberanismo.

É sintomático das graves carências ideológicas que arrasta boa parte da esquerda nacional o lamentável espetáculo de tantas e clónicas propostas, assembleias, iniciativas, negociaçons, que só procuram articular umha nova força para competir por similar campo que na atualidade ocupa o nacionalismo galego organizado no BNG.

Nós nom vamos, nem podemos ir, nessa direçom. Hoje, o que a Pátria, o proletariado e as mulheres da Galiza necessitamos é umha vigorosa organizaçom revolucionária anticapitalista, independentista e feminista com dimensom de massas, que aposte, complementando todos os métodos, na dinamizaçom e coordenaçom do confronto. Eis a única garantia para a convergência das reivindicaçons parciais e setoriais, para atingir avanços, para o rearmamento político e ideológico da classe obreira, para injetar referencialidade e moral de vitória no povo.

A convocatória própria do Dia da Pátria por NÓS-Unidade Popular reforça esta necessidade histórica. Traça o caminho a seguir. Evita seguir perdendo tempo e energias em vias que nos levam à derrota. Um 25 de Julho genuinamente independentista, feminista e socialista.

Sabemos que as massas desesperadas acreditam nas superstiçons, querem soluçons imediatas, deixam-se seduzir por ilusons. Os recentes resultados eleitorais da Grécia som um magnífico expoente deste fenómeno. Mas também sabemos, e por isso temos plena confiança no nosso povo e na nossa classe, que sabem recompensar trajetórias firmes e coerentes no momento em que é desmascarado o reformismo.

Nom nos cansaremos de proclamar e defender que a luita obreira e popular é o único caminho. Os mineiros do leste da Galiza estám a traçar o roteiro. A confrontaçom é a única alternativa.