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Quem vive por cima das suas possibilidades?

Quarta-feira, 18 Julho 2012

Telmo Varela

Desde que chegou a crise nom há um só dia que os políticos do sistema e tertulianos bem pagos, dos diferentes meios de comunicaçom, nom nos macem umha e outra vez que a crise é conseqüência de que um número alarmante da populaçom vivemos por cima das nossas possibilidades.

De tanto o repetirem, chega a calar na consciência das massas e chegamos a acreditá-lo, e como papagaios repetimos o que insistentemente nos inculcam desde as altas esferas do poder, sem sermos conscientes do que repetimos nem das suas conseqüências.

Quem vivem por cima das suas possibilidades? Os centenares de milhares de trabalhadoras e trabalhadores que trabalham 10 e 12 horas diárias para chegar com muitas dificuldades a fim de mês. @s mais de 260 mil desempregados e desempregadas, dos quais a maioria só cobram 420€ ou já nom recebem prestaçom algumha. @s milhares de jovens que com 25 ou 30 anos ainda nom se estreárom no mundo laboral e os que sim o conseguírom nom podem deixar o lar dos seus progenitores porque tenhem empregos esporádicos, com salários de miséria, e nom lhes permite umha estabilidade económica para se emancipar. Os reformados e reformadas, deposi de cotizar durante toda a sua vida, agora tenhem que compartilhar as suas emnguadas pensons, com as que malvivem, com o resto da família. @ estudantado que o finalizar os seus estudos tem que trabalhar do que for, por uns salários de práticas ou emigrar longe da sua terra e dos seus.

Certamente, todos estes milhons de pessoas nom vivem, nem sonham viver por cima das suas possibilidades. Quem sim vivem por cima das suas possibilidades -sempre vivêrom- é um pequeno punhado de parasitas -banqueiros, grandes empresários, políticos corrutos, etc. Para eles nom há crise. É mais, quanto mais pobres somos o conjunto da populaçom mais milionários som eles. É umha lei do próprio sistema capitalista, os parasitas engordam a conta do sangue que chupam, neste caso os capitalistas enriquecem a custa dumha maior exploraçom dos trabalhadores e trabalhadoras e quanto maior for mais engordam.

É certo, uns poucos vivêrom e vivem por cima das suas possibilidades, enquanto umha imensa maioria estamos indignados e fartas de que outros vivam a conta nossa. Ademais alardeiam das suas enormes fortunas amassadas do suor, sangue e lágrimas da classe obreira, como é o caso de Amáncio Ortega, Olhamos a banqueiros, empresários, políticos, generais, juízes… vivendo em mansons de muitos milhons, com vários carros e iates de luxo, de festa em festa e orgias de alto standing, enquanto as ruas se enchem de mendigos e de gente sem teito.

Cada dia recorremos mais aos nossos reformados, com as pensions mais baixas da Europa, para poder comer. Se isto é viver por cima das nossas possibilidades, vaia merda de vida. Entom nom quero viver por cima das minhas possibilidades, conformo-me com viver dignamente. Ter um emprego assegurado com um salário digno; um teito no que viver com a família e viver com a tranquilidade de saber que si adoeço tenho sanidade. Só pido isso!

Com a crise há que desviar a atençom fazendo-nos acreditar que vivemos muito bem -embora passemos fame- para que nom reivindiquemos e luitemos polos nossos direitos e perdamos os atingidos até agora. Esta é umha crise sistémica, inerente o sistema capitalista e para acabar com ela é necessário e inevitável acabar com o próprio sistema capitalista. O sistema capitalista tocou fundo, processo que na sua lógica, é dizer, o que implica o capitalismo parasita, acha cada vez maior dificuldade para produzir valor e, por tanto, riqueza social. Polo que um empresário, como um todo, tem que resarcir as suas perdas recorrrendo à superexploraçom do trabalho ali onde existem as condiçons económicas, políticas e jurídico-institucionais; é dizer, já nom só na periferia do sistema senom mesmo, nos países do capitalismo desenvolvido.

Daí que os governos promulguem reformas laborai umha após outra, com o objetivo de adequar o espaço jurídico para dar cobertura legal a umha maior superexploraçom. O proletariado, porém, nom devemos ficar com os braços cruzados perante os criminosos planos capitalistas. Devemos manter umha posiçom clara e bem definida perante as diferentes luitas, greves e manifestaçons revolucionárias.

O Partido do proletariado tem encomendada a misom de educar politicamente as massas e organizar o conjunto do MLNG para que sejam as próprias massas as que, dirigidas polo Partido, ajudem hoje e se incorporem amanhá em número cada vez maior às luitas reolucionárias que derrocarám o imperialismo espanhol. Sem esta labor nossa, as luitas revolucionárias das massas nom teriam, à longa, nengumha saída; seriam aniquiladas polas forças da reaçom.

Que esse labor nosso pode criar numerosas dificuldades, detençons e umha certa desorganizaçom, ninguém o nega!

Devemos de ser plenamente conscientes de que, se temos a suficiente coragem e nos mantemos no nosso posto, no lugar de vanguarda que nos corresponde, à larga, essas dificuldades e a repressom dirigida contra nós só pode favorecer-nos.

Há que ter em conta, tal como afirmou Lenine, que “toda nova forma de luita leva aparelhados novos perigos e sacrifícios, desorganiza inevitavelmente às organizaçons nom preparadas para ela… Toda açom guerrilheira, seja a que for, provoca umha certa desorganizaçom nas fileiras combatentes. Mas nom há que extrair de aqui a conclusom de que nom se deve combater. O que de aqui se deve deduzir é que há que apreender a combater. Isto, e só isso”.

Telmo Varela

Prisom de Topas, Salamanca, 23 de junho de 2012

V. I. Lenine. “A guerra de guerrilhas”.