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Manter inalterável o rumo para nom perder velocidade

Quarta-feira, 11 Julho 2012

Carlos Morais

Às portas do 25 de Julho, a ediçom 2012 do Dia da Pátria celebrará-se numha conjuntura similar em muitos aspetos à do ano passado, embora com caraterísticas específicas derivadas basicamente da já reconhecida intervençom do Estado espanhol pola UE, e das alteraçons em curso do mapa político autonómico.

Sob a justificaçom de fazer frente à crise capitalista em base à implementaçom de políticas de “austeridade” para reduzir o défice, a ofensiva burguesa nom descansa. O início do início anunciado há meses pola vicepresidenta do governo espanhol tem provocado incremento do desemprego e da precariedade laboral, retrocessos na saúde, educaçom e serviços sociais, reduçom de salários e alteraçom definitiva das relaçons laborais pactuadas na Transiçom entre o regime pós-franquista e o sindicalismo pactista. A cultura da negociaçom permanente como base da conciliaçom de classes que permitia a “paz social” facilitadora da exploraçom capitalista está à beira de desaparecer.

A pressom impositiva sobre as classes trabalhadoras e setores intermédios, unido à escalada de incremento de preços em serviços essenciais como eletricidade, butano e gás, ou nos combustíveis e transporte, contribuírom a umha perda paulatina de poder aquisitivo e o incremento da pobreza e exclusom social.

Este é o diagnóstico das políticas implementadas nos últimos anos polos partidos centrais da ditadura burguesa espanhola segundo os ditames do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissom Europeia.

O roteiro neoliberal avança imparável. A partir de hoje, com umha nova aceleraçom e um centro de gravidade marcado basicamente por Bruxelas, no momento em que Espanha aceitar as condiçons do memorando. Em troca da concessom de um “empréstimo” de 100.000 mil milhons de euros para recapitalizar o setor bancário, Madrid cede soberania, avançando assim na homologaçom com a Grécia, Portugal e Irlanda. Convertendo-se num novo neoprotetorado.

Endurecimento do centralismo espanholista e do patriarcado

Esta insaciável ofensiva está a ser acompanhada por um brutal ataque à tímida descentralizaçom administrativa que há três décadas e meia vertebrou o Estado centralista em Comunidades Autónomas que garantírom perpetuar a “unidade indivisível” da naçom espanhola sobre os direitos nacionais da Galiza.

A burguesia nom só está desmantelando o mal denominado estado da providência, também pretende recuperar parte das competências autonómicas com umha indissimulada lógica recentralizadora e chauvinista espanhola. Sem lugar a dúvidas, os sucessos no ámbito do desporto-espetáculo atingidos pola seleçom espanhola contribuem para criar umha atmosfera que facilita a identificaçom de amplos setores da classe obreira e camadas populares -com destaque entre as geraçons mais jovens, com este semifalido Estado de inspiraçom jacobina.

Porém, entre os setores do povo trabalhador mais agredidos pola ofensiva burguesa, destaca mais de metade da força de trabalho representada polas mulheres. Sobre elas o Capital, simbioticamente aliado com o Patriarcado, fai recair umha parte considerável dos cortes e retrocessos laborais e sociais. A ofensiva machista e o rearmamento ideológico do patriarcado aprofundam na desigualdade entre os sexos.

Eis, pois, os três principais eixos centrais de caráter endógeno da conjuntura sociopolítica deste 25 de Julho.

Carências e desafios do movimento obreiro e popular

A fraca resistência obreira, nacional e feminista, que até o momento tem caraterizado o tímido incremento das luitas populares, facilita que o estado de opiniom do nosso povo oscile entre a resignaçom e o temor paralisante, perante o agravamento da situaçom e ante a ausência de alternativas e ferramentas eficazes e solventes de luita com projeçom e dimensom de massas. Esta subjetividade combina-se com o incremento da desconfiança e desafeiçom pola casta política e pola figura do monarca que, como um ícone atemporal, representa a fraude política imposta na etapa posterior a 1975.

Mas também o aumento de umha ira cada vez mais difícil de conter polo endurecimento das condiçons objetivas e polo desconhecimento da distáncia a percorrer para acharmos a luz do final do túnel ultraliberal.

Porém, o fatalismo impom-se sobre o olfato e o instinto à resistência que o nosso povo e a nossa classe tenhem demonstrado de forma desigual e descontínua o longo da história nacional.

O Estado imperialista espanhol é consciente deste dilema. Até o momento, conseguiu surfar com sucesso umhas águas cada vez mais remexidas. Promovendo inofensivos movimentos de protesto que facilitassem rebaixar a tensom acumulada, mas também reprimindo sem contemplaçons @s que ousam combater a exploraçom e a opressom; armando-se até os dentes e realizando sucessivas reformas do Código Penal e novos anúncios ameaçantes tendentes a criminalizar a luita.

Umha parte da maior compra de material “anti-motim” da sua história, realizada pola Guarda Civil em dezembro de 2011, já está a ser utilizada para reprimir a exemplar luita dos mineiros do leste da Galiza e de outras zonas do Estado espanhol.

Sem lugar a dúvidas, o denominado 15-M tem sido a peça essencial para demorar levantamentos e revoltas sociais -nom para os impossibilitar, pois nom há força que consiga deter umha Revoluçom quando se dam as condiçons proprícias para o seu sucesso.

A cada vez mais descarada manipulaçom da realidade promovida polos meios de (des)informaçom da burguesia é outro dos ingredientes do coquetel repressivo-autoritário que a burguesia está a preparar para -insisto- unicamente demorar a contraofensiva obreira, nacional e feminista.

Claro que esta só será possível se nesta convulsa etapa de crise se produzirem alteraçons qualitativas e quantitativas na correlaçom de forças do movimento popular. Sem umha inclinaçom face às posiçons da esquerda revolucionária em detrimento da hegemonia reformista no sindicalismo, nos movimentos sociais e nos partidos da esquerda nacional, nom se dará evitado que as futuras revoltas populares contra a miséria e a repressom, em defesa da soberania nacional, sejam absorvidas e integradas na lógica sistémica.

Lamentavelmente, nos dias de hoje, a tendência nom é favorável à posiçom anticapitalista, independentista e feminista que defendemos @s comunistas galeg@s.

O ano político que em semanas conclui com o Dia da Pátria caraterizou-se por um inconstante e tímido aumento das luitas populares. A greve geral de 29 de março marcou o ponto mais álgido. A partir daí, a acumulaçom subjetiva de forças foi perdendo energia, entre esporádicas luitas protagonizadas polo proletariado metalúrgico de Trasancos e Vigo, polo setor mineiro e, já com outra dimensom, polo funcionariado público e polo estudantado universitário.

O sindicalismo galego carece de umha estratégia de luita real, pois a sua direçom e gigantesca estrutura burocrática está conjurada com a lógica do eleitoralismo e da alternáncia de gestom da partitocracia. Os movimentos sociais seguem instalados no labirinto do curtoprazismo e da estreita setorializaçom.

De árvore podre nom saem frutos saos

A rutura do BNG em janeiro e o processo atualmente inacabado de recomposiçom do espaço que oscila entre o autonomismo e o soberanismo de esquerda, é um dos fatores mais destacados à hora de abordar as chaves da conjuntura política e social, e a decisom adotada por NÓS-Unidade Popular de convocar novamente manifestaçom no Dia da Pátria.

A grave situaçom económica é a razom principal que permite interpretar o aparente giro à esquerda e soberanista que o BNG adota na XIII Assembleia Nacional, posteriormente ratificado pola UPG no seu XIII Congresso de junho.

O endurecimento do seu discurso é meramente tático e oportunista, mas paradoxalmente as teses políticas aprovadas em ambos conclaves som bastante mais “avançadas” que os documentos a debate da assembleia constitutiva do autodenominado Novo Projeto Comum que, salvo alteraçons de última hora, o vindouro fim de semana unificará o beirismo com núcleos de militantes nacionalistas e diversas fraçons da denominada esquerda independentista/soberanista, que optam por reativar com a sua matriz o cordom umbilical do qual nunca quigérom despreender-se.

A leitura destas teses só ratifica que o NPC nom pretende ser mais do que umha versom autótone da nova social-democracia emanada do altermundismo, dos pós-marxismos, e das claudicaçons nos princípios que dam lugar à concentraçom de forças políticas como o Syriza grego. Fenómenos que o Capital considera como umha opçom para substituir em tempos de crise a desgastada expressom tradicional da Internacional “Socialista”.

Haverá quem manifeste necessidade de manter prudência e aguardar os resultados do encontro antes de realizar consideraçons de fundo. No entanto, nada indica, antes ao contrário, que vamos assistir ao nascimento da ferramenta de organizaçom e luita de que o povo trabalhador galego está órfao. Nom querem ser umha força política-movimento antissistémico além dos grandiloqüentes discursos ou das sedutoras reflexons teóricas divorciadas de umha conseqüente praxe. Mesmo ainda que quigessem, com esses vimes nom lograriam sê-lo.

Independentemente da composiçom final dessa organizaçom, é a figura de Beiras quem define a sua orientaçom. No imediato está condenada a um entendimento eleitoral com os setores mais direitosos cindidos do BNG, com diversos grupos de oportunistas e mesmo com um núcleo de recém saídos do PSOE, todos em “amor e companhia” aglutinados sob o carimbo de “Compromiso por Galicia”.

A enorme cobertura mediática destes movimentos internos de recomposiçom do espaço tradicionalmente hegemonizado polo BNG é expressom da utilidade deste processo para o regime. Contribui para manter na confusom e na permanente convulsom organizativa boa parte do sujeito político e social imprescindível para avançar na construçom de um vigoroso Movimento de Libertaçom Nacional Galego enquadrado numha estratégia ruturista com Espanha, o Capital e o Patriarcado, mas também com as estruturas imperialistas em que a decrépita outrora potência imperialista esta inserida. Sem um avançado programa de luita que combine a tática com a estratégia, continuaremos mais umha década despenhando-nos no buraco da dominaçom e exploraçom.

Devemos, pois, contribuir para a criaçom de um radical movimento obreiro e popular que, emanado das mais profundas entranhas do povo galego, se forje na luita entre as derrotas do presente e as vitórias que ham de vir. Nom podemos depositar esperanças em discursos demagógicos, em falazes alternativas, em sedutores discursos e, muito menos, em milagres de taumaturgos. Só nós mesmos poderemos libertar-nos. Nom vai ser fácil. Como qualquer parto, será doloroso, mas reconfortante por termos facilitado nova vida num novo mundo.

Porque, contrariamente ao que afirmam os discursos dominantes, a saída à crise capitalista só é possível com umha alternativa revolucionária.

Três interpretaçons falazes da crise

Hoje som basicamente três os grandes pólos que, em similar campo ideológico, pugnam por neutralizar ou polo menos domesticar, mediante enganos e estratagemas, a convulsom social:

1º- As diversas forças defensoras da ordem burguesa que acreditam com fé cega que a superaçom da recessom económica é mera questom de tempo. Aproveitam a conjuntura para realizar de forma acelerada os reajustamentos políticos, económicos, sociais, culturais, militares, ideológicos que venhem tentando aplicar desde a queda da URSS, na procura de umha “democracia burguesa” caraterizada polo autoritarismo, a sobre-exploraçom e o pensamento único. PP e PSOE som expressom genuína deste primeiro grupo. Diferenciam-se nas formas, no estilo, nas trajetórias, mas coincidem na desmontagem do modelo social derivado da II Guerra Mundial, que procurava evitar o contágio soviético.

Para reforçar a falso pluralismo que carateriza a ditadura da burguesia, aparentam cumprir diferentes roles que facilitam a manutençom da virtual “democracia” num cada vez mais imaginário e falso eixo “direita-esquerda”, hoje incompreensível para interpretar e discernir quem é quem.

2º- As múltiplas variantes do reformismo, tanto de ámbito nacional como estatal. Com um discurso contrário aos cortes e às reformas, “radicalizado” pola ofensiva burguesa, mas que, cada vez que tenhem oportunidade de gerir espaços de governo, aplicam similares políticas neoliberais que na oposiçom fustigam. IU, BNG e as suas fraçons cindidas enquadram-se neste campo.

Som mais nocivos que PP-PSOE, pois geram falsas expetativas e ilusons em poder corrigir os excessos do capitalismo sem derrubá-lo, entre bem-intencionados setores populares dispostos à confrontaçom, mas carentes de referentes sólidos pola evidente debilidade atual da esquerda revolucionária galega.

A fértil história da luita de classes tem ensinado que as massas só se decantam polo confronto quando nom existe mais alternativa que o combate para sobreviver. Até esse instante ou os seus preámbulos, preferem a comodidade das alternativas edulcoradas.

3º- Discursos provenientes de setores decepcionados com a casta política tradicional que desde as torres de marfim das cátedras universitárias ou dos meios de comunicaçom, recuperam desgastados interpretaçons regeneracionistas, empapadas de populismo, para racionalizar o modelo e manter a coesom social que permita perpetuar o capitalismo espanhol. Com certo eco em setores populares, e basicamente apoio entre a pequena burguesia, nem questionam a economia de mercado nem a opressom nacional da Galiza, nem a dominaçom patriarcal. Diagnosticam que para evitar o caos que se divisa no horizonte é necessário cortar as “despesas, esbanjamento e ineficácia do hipertrofiado aparelho das administraçons públicas”. Desagregam os fenómenos da corruçom, da burocracia, do parasitismo e o esbanjamento de recursos públicos da intrínseca natureza do modo de produçom capitalista. Estes discursos contribuem para fomentar o renascer das soluçons autoritárias e mesmo do fascismo nas suas diversas modalidades: o de glamour cor-de-rosa (espanhola UPyD) ou a das bravatas e estéticas nazis (Aurora Dourada grega).

A noite sempre é mais obscura antes da alvorada

Se nos deixássemos guiar polos discursos dominantes entre os acérrimos defensores do Capital e os seus críticos mornos da “velha, nova e novíssima esquerda”, todo indicaria que nom existe esperança nem alternativa. Se só analisássemos a realidade mais quotidiana que nos rodeia, reafirmaríamos a vigência da TINA. Aquela hoje parcialmente esquecida tese “There Is No Alternative” popularizada por Margaret Thatcher em plena orgia neoliberal dos oitenta.

Porém, a realidade nom sempre se mostra abertamente. O capitalismo crepuscular está mui doente. O Estado-naçom espanhol nunca estivo tam próximo da sua descomposiçom. O questionamento da específica opressom da mulher nunca tivo tanto apoio político e teórico.

Que se passa, pois? Assim as contas parecem nom encaixar.

As perturbaçons que abalam o sistema som mui profundas e sem soluçom, mas também é imenso o dano da pesada lousa provocada entre a consciência do proletariado e dos povos do mundo pola queda do socialismo soviético em 1991, pola tam interesseira como errónea identificaçom de fracasso comunista com a implosom da URSS.

A paulatina integraçom do movimento popular galego, hegemonizado pola UPG-BNG, na lógica da democracia burguesa espanhola contribuiu para a desmobilizaçom social, para a perda de referentes combativos no País, perante a incapacidade da esquerda independentista em substituir o imenso vazio provocado pola claudicaçom promovida polo binómio Paco Rodrigues-Beiras.

No entanto, será a habilidade e a perícia das forças revolucionárias à hora de aproveitar as antagónicas contradiçons das condiçons objetivas de pobreza, miséria, dor, humilhaçom a que nos conduz o caos imperialista, as que ajudem ao sucesso do “último desenlace” de que falava Marx. Sem vanguarda comunista, nom é possível o triunfo popular e o início da edificaçom do ser humano novo que o Che nos ensinou.

Com paciência e perserveráncia, embora com resultados excessivamente modestos, entre contínuos contratempos e imensas dificuldades, Primeira Linha continua avante com o seu livro de bordo insurgente. Frente a tanto oportunismo e deserçom, mantemos firmeza no leme, construindo o partido comunista que a classe obreira e o povo galego necessitam, para as batalhas do presente e para as vitórias do futuro.

Continuamos a acreditar que os sonhos podem converter-se em realidade. Segue fervendo-nos o sangue perante a desfeita a que está submetido o nosso povo e a nossa identidade. Porque “nunca será tam longo nem inteiramente tortuoso o caminho como para nos fazer arriar as bandeiras que agitamos, desde as raízes do nosso compromisso sagrado pola terra prometida do comunismo”.

Por este motivo, embora tenhamos sido convidadas, nom assistiremos ao baile de máscaras do vindouro sábado e sim estaremos no 25 de Julho às 12.30 na Alameda compostelana para participar na manifestaçom independentista, anticapitalista e feminista que NÓS-UP convoca no Dia da Pátria.

Galiza, 10 de julho de 2012


“Porque se, apesar de todo, o que tem em mente o Governo é dedicar as próximas semanas a castigar mais a carteira e os direitos dos cidadaos com cortes até agora inimagináveis, só vai lograr somar mais desafeiçom e pôr em risco a sua continuidade com um abandono maciço de votantes, aliás, quase em vésperas das eleiçons galegas. E ainda mais que isso: à vista está que por este caminho mesmo tem entrado em risco a sobrevivência do próprio sistema e da paz social”. Fragmento de Antes da bancarrota, editorial assinada polo presidente e editor de “La Voz de Galicia”, 12 de abril de 2012.

Cortar por lo insano, editorial assinada polo presidente e editor de “La Voz de Galicia”, 28 de junho de 2012.

¡Alfonso vive!, artigo de Jesús Santrich, integrante do Estado Maior Central das FARC-EP, janeiro de 2012.