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A naçom que também somos

Segunda-feira, 18 Junho 2012

Ramiro Vidal Alvarinho

Para finais do mês de Julho celebraremos mais um dia da Pátria. E a organizaçom na que milito, convocará a sua própria manifestaçom, tal como já fijo o ano anterior. As circunstáncias mandam e nom dam para outras fórmulas. Mas se algumha cousa positiva há na necessidade de convocarmos em solitário, é o facto de nom termos que negociar nem a relativizaçom, nem a omissom dos dous peares ideológicos que sempre, desde o nosso nascimento como projeto, aparecérom enunciados em pé de igualdade (de maneira invariável) com o da independência, que som o socialismo e o feminismo.

Nom há independência nem socialismo acreditáveis sem  as mulheres. As mulheres na sua diversidade, nom “a mulher” como abstraçom. Por isso gosto tanto de dizer “as mulheres”.

A resistência tem nome também de mulher, ou inclusso fundamentalmente de mulher no mundo e, também, na Galiza. A mulheres indígenas americanas, as mulheres negras, as mulheres árabes, e também as mulheres europeias sempre estivérom presentes nas luitas, nos embates gloriosos e nos trágicos da nossa classe, ainda que lhes correspondéram  na maioria das ocasions papéis secundários e nom dirigentes. Na tomada da Bastilha, na Comuna de París, na Revoluçom Russa, na luita indigenista e camponesa nos diferentes países da Latinoamérica, na Intifada palestiniana, na Revoluçom dos Cravos, na luita polos direitos civís nos Estados Unidos, na luita contra o fascismo em toda a Europa, na resistência contra o invasor napoleónico também no nosso continente…estavam, estám as mulheres.

A Galiza que também somos é a que com freqüência omitimos. A idealizaçom da Galiza como “terra mai”, sem dúvida tem rosto feminino; mas a minha pátria tangível, quotidiana, fica bastante mais aló da imagem da eterna e lánguida mai sofridora, chorosa e abnegada. A minha pátria tem feitio de mulher trabalhadora. De mulher zangada, indignada, combativa, explorada, negada, minorizada, postergada, humilhada, agredida. Essa mulher que cobra menos na sua empresa do que os seus companheiros homens por igual ou mais trabalho. Essa mulher que nom tem férias, porque tem filhos e umha casa que atender. Essa mulher cuja sexualidade e cuja soberania reprodutiva se vem manipuladas pola igreja, as administraçon e o capital. Essa mulher que foi violada e depois criminalizada. Essa mulher que tem mais de quarenta anos e nom encontra trabalho nem pode receber ajudas.

As mulheres, nas suas realidades. Complexas, terríveis. Opressivas. Essas mulheres, que estivérom e estám em cada fotograma da nossa história. Defendendo o nosso méio nas Encrobas, em Jove, em Sabom. Defendendo a nossa classe, nas luitas das cigarreiras da Fábrica de Tabacos, na Corunha ou na sublevaçom das mulheres dos oprários do arsenal em Ferrol; na luita contra o fascismo, na guerrilha ou nas redes de apoio popular.

Antónia Alarcom, Henriqueta Outeiro, A Corales; som rostos, apenas alguns, que lhe ponhem semblante à naçom que também somos. Essa naçom que também somos é a que devemos fazer vissível. Porque os tópicos do discurso espanholista sobre essa Galiza útero submisso paridor de carne barata para o imperialismo espanhol é assim como se combatem. Também somos as mulheres galegas.