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O imperialismo (fracassado) espanhol e o medo à liberdade

Quarta-feira, 23 Maio 2012

Ramiro Vidal Alvarinho

No verao do ano 2010 consumava-se o sonho tantas vezes frustrado do futebol de elite espanhol: a seleçom espanhola masculina absoluta proclamava-se campiá do mundo. Isto provocava um despertar sem precedentes do sentimento nacionalista espanhol em todo o território do estado sem excepçons, nunca tanta “rojigualda” junta se vira polas ruas de Barcelona ou Bilbau, de facto; ainda que como era de esperar, a maior apoteose deu-se naquelas “praças” onde há umha maior tradiçom espanholista, como Madrí, Sevilha ou València e ainda o meu amigo Carlos Varela Aenlle comentava-me a enorme diferença entre o território do “Principado de Asturias” e o da CAG nesse sentido. Mas a cousa é que as rojigualdas surgírom até de onde alguns nem imaginavam e mesmo algum amigo meu foi alvo de intimidaçons por manifestar o seu desagrado perante o desmedido alarde espanholeiro das massas.

Muitos elementos com sede de vingança andivérom durante semanas à caça do nacionalista e do independentista enquanto repetia “…e agora, onde é que estám os que…?” Isto, porque umha das burlas que mais lhes faziamos era que, a pesar da prohibiçom para que outras seleçons desputaram jogos oficiais, a seleçom galega e a espanhola estavam empatadas a mundiais (os espanhois nunca assimilárom demasiado bem a retranca galega)

Pensavam muitos que aquela vitória da seleçom espanhola no mundial de futebol havia ser o finiquito para o debate das seleçons desportivas, que nos haviamos rendir perante a evidência do potencial da esquadra hispana, que admitiriamos que perante isso nada se podia fazer…é claro que errárom em tal juízo. Nom é umha questom esta na que jogue esse sentimento tam humano que é a necessidade de estar com os vencedores para nom ser um vencido…aquí do que se trata é de reivindicar o direito da sociedade galega a verem-se representada e o direito dos desportistas a competir.

A prova de que esta luita continua mais viva do que nunca é a ILP apresentada por grupos de apoio às seleçons próprias da Galiza, Euskal Herria e os Països Catalans nas Cortes espanholas. Esta ILP, que naturalmente foi ampliamente rejeitada, porque assim tinha que ser em lógica conseqüência com a correlaçom de forças no Congresso e no Senado, reavivou o debate e pujo-o na tona de novo. Mesmo o lobbie reaccionário Defensa de la Nación Española pretende levar os promotores da ILP aos tribunais por incitar ao ódio, à sediçom e nom sei o quê mais cousas.

Mas o verdadeiro sarabulho nom o provoca qualquer atentado ao princípio constitucional que for, provoca-o o exercer a nossa liberdade. A frase que mais pom de manifesto a impotência do espanholismo mais ressesso está no próprio comunicado emitido pola antedita entidade: “Son una minoria frente a los millones de rojigualdas que en las calles de España apoyaron a la selección en el mundial”. A primeira observaçom é evidente; curiosos democratas os que utilizam a matemática como reforço da ideia de que umha associaçom ou um conjunto de associaçons persegue um objetivo criminoso. A segunda, que o pensamento único sempre teme a diferença, ainda que for minoritária.O problema real nom é a correlaçom de forças na contradiçom, mas a existência da contradiçom. Por isso a repressom se fai necessária: há que silencar essa contradiçom. O problema nom é que, de poder escolher simpatias, no caso de competir Espanha e Galiza em pé de igualdade, o sessenta, ou o setenta, ou o noventa e cinco por cento dos galegos e as galegas escolhera torcer pola seleçom espanhola; o problema é que eu, mais dez, cinco ou umha dúzia de galegos e galegas manifeste em plena liberdade que Espanha nom é a minha seleçom ainda que ganhe cinco ou dez mundiais seguidos. O problema nom é se com a Galiza quereriam jogar Nacho Novo, Diego López ou Verónica Boquete; o problema é que haja vinte e três jogadores galegos ou vinte e três jogadoras galegas que compitam em campionatos oficiais em pé de igualdade com a Espanha, e que esses jogadores e jogadoras o fagam por cima de maneira livre e sem coaçons de ninguém. Ainda que perdam sempre (ou ainda que ganhem sempre) o problema está em que esses desportistas exercérom a sua liberdade declarando umhas fidelidades muito diferentes às que o espanholismo considera prioritárias e indiscutíveis.

Em ressumo, há medo à liberdade do outro…mal sintoma para um projeto nacional que se acredita invencível e perenne.