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Nota con urgência para o Sr. Conselheiro de Turismo

Sexta-feira, 24 Abril 2009

 

Domingos Antom Garcia Fernandes

A cultura galega está muito bem, mas limita. Na Galiza há mais que gaitas

Acabei de ler a entrevista que lhe figérom hoje no jornal Faro de Vigo. E verei de transmitir em poucas linhas as primeiras impressons.

Dirigir-me a você como Conselheiro de Turismo vai ligado com o que di de “criar um objecto de cultura que for útil para o turismo e tiver um rendimento económico…” De certo que o maquilha de seguido um pouquinho, porém entende-se à perfeiçom a ideologia capitalista e utilitarista que está subjacente. E quase que nom guarda relaçom com o anterior a cultura, em versom nom idealista, que abrange a economia, as relaçons sociais, a política e todas as formas de expressom simbólica. Essa cultura, que cumpre nom mudar numha essência inamovível, mas tampouco a conceber despreendida do nosso jeito singular de viver os espaços e os tempos, da nossa peculiar ecologia. De nom ser que se busque a unidimensionalidade planetária, como escreveu Herbert Marcuse na década dos sessenta do século passado.

E manifesta que na Galiza “há mais que gaitas”. Com certeza. Contodo, porque parece desprezar tal instrumento? Mesmo leva a pensar que a gaita nom é comparável com o piano (decerto que precisa que está a se referir a um tópico), mas de imediato indica que “temos a Catedral e num futuro a Cidade da Cultura”. Alguém poderia ruminar que a gaita é o passado, sem poder evoluir, como a Catedral, e o piano é o futuro. Será umha nova tese “neocom”? Também estaria bem precisar que há mais que as gaitas e os gaiteiros “oficiais”.

Semelha que você, quando menos, é pentalíngue, porém, sem adentrar-me em explicaçons intrincadas, dir-lhe-ei, logo de o parabenizar, que também há defensores do monolingüismo em galego que som poliglotas (nom estou muito dacordo com o argumento em parte falacioso que acabei de empregar, mas é para chamar a atençom a respeito de nom renunciar à nossa cultura que se expressa na nossa língua).

Nom podo concordar, tal como se exprime na entrevista, em que seja bilingüe. Diria antes que se revela como um diglóssico (o galego é para você a língua que fala com a sua família). E qual é a língua da Universidade, dos negócios, dos mass media, et cetera? O galego semelha ser para você essa língua dos sentimentos, como no caso da gaita, que ao a ouvir “nunca deixa um de se emocionar”.

Duas cousas mais e já remato:

Que quer dizer com “questons de bilingüismo, de pluralidade, de nom dirigismo intelectual, de abertura e de cosmopolitismo? Haverá que se despreender do pailaroquismo?

E que significa que é independente, pero assume o que lhe diga o Presidente? Seria muito forte recordar as palavras de Pierre Bourdieu quando di que a submissom está inscrita nas posturas, nas pregas do corpo e nos automatismos do cérebro?