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Editado Abrente 64

Quarta-feira, 16 Maio 2012

Vem de sair do prelo um novo número do Abrente, correpondente ao terceiro trimestre deste ano 2012.

Neste Abrente 64, que já pode ser consultado em formato de fácil leitura, encontramos a terceira parte da reflexom de Daniel Lourenço, no que analisa a degeneraçom das modernas organizaçons sindicais.

Maurício Castro entrevista ao economista marxista argentino Jorge Benstein. A militante de BRIGA, Luzia Leirós escreve sobre um debate de atualidade: devem os homens assistir às mobilizaçons feministas?

Berta Joubert Ceci, militante do Partido Workers World/Mundo Obreiro dos EUA, analisa o movimento de ocupaçons nos EUA.

A seçom habitual de livros e web completam este novo número.

Reproduzimos a editorial

Por umha greve geral de 48 horas

Luitamos para vencer

O massivo seguimento da greve geral de 29 de março, assim como o importante apoio às mobilizaçons do 1º de maio, confirmam a necessidade de vertebrar um amplo, sólido e unitário movimento de massas contra a política socioeconómica do governo espanhol e da Junta da Galiza.

É inegável que segmentos significativos da classe trabalhadora começam a perder a paciência perante a gravidade da situaçom tomando consciência da magnitude da ofensiva burguesa e da necessidade de pará-la.

Estamos a assistir, pois, a umha paulatina superaçom do adormecimento, medo e resignaçom que semelhava instalada no povo trabalhador galego.

No entanto, nom podemos ficar aqui. Há que dar novos passos, dissipar ambigüidades e vacilaçons à hora de traçar umha estratégia de luita permanente, sustentada e in crescendo contra a burguesia.

Já nom chega com a indignaçom. Há que passar à revolta ativa que contribua para gerar as condiçons subjetivas imprescindíveis para que os estalidos e conflitos sociais espontáneos, que se divisam no horizonte, transitem para a fase da luita organizada de massas sob umha orientaçom revolucionária que dispute o poder. Até essa etapa de caráter insurrecional fica muito caminho por andar, mas é dever da militáncia comunista avançar em todos os campos para que a insurreiçom nacional, obreira e popular seja a verdadeira alternativa às falsas soluçons reformistas e ao caos e miséria a que o capitalismo nos condena.

O Estado espanhol tem claro que é policial a única soluçom a médio prazo para poder sufocar a nossa ira, para esmagar a justa luita do povo explorado e oprimido. Nos últimos meses, tem acelerado os preparativos para um cenário cada vez mais nítido de agudizaçom e radicalizaçom da luita de classes. A burguesia está-se a armar até os dentes para se dotar dos meios suficientes com que exercer umha repressom em grande escala. É plenamente consciente que o capitalismo nom tem soluçom possível. Que para manter as atuais taxas de lucro terá que continuar a empobrecer mais e mais as camadas populares.

A nova reforma do Código Penal em preparaçom, tendente a criminalizar as luitas populares, agravando as penas por se mobilizar e exercer o legítimo direito à defesa, pretende endurecer o Estado policial, amputando ainda mais os direitos e liberdades, seguindo as tendências em curso para assim blindar os privilégios da oligarquia.

Frente a este panorama que se anuncia em factos e declaraçons permanentes, seria um suicído que as forças organizadas do proletariado galego optássemos polo autismo e a inaniçom.

Se som tempos de luita, há que se preparar para luitar com eficácia para termos êxito. A nossa luita é para vencer, nom temos vocaçom de perdedores.

Há que avançar na aprofundizaçom da luita. Há que ir preparando as condiçons para umha greve geral de 48 horas, com um claro e imediato objetivo: derrogar a reforma laboral e tombar o governo de Rajói. Nos dias de hoje, tam só a quatro meses da sua posse, o executivo do PP em Madrid é um governo que já manifesta sintomas de enfraquecimento. Há que acelerar o seu isolamento e perda de apoios mediante a luita de massas contra os cortes na saúde e no ensino, o incremento de impostos, em prol da defesa dos postos de trabalho e contra o desemprego. Há que integrar reformados, juventude e mulheres na luita contra as políticas neoliberais do PPSOE.

Temos que agir com determinaçom e decisom. Há que ocupar as ruas, agitar, denunciar. Politizar a classe obreira e a juventude.

O movimento popular, que lentamente se vai configurando, tem que introduzir na tabela reivindicativa do seu programa a saída do Estado espanhol da UE, NATO e do FMI e, portanto, o fim do submetimento às diretrizes de Berlim, Bruxelas e Washington por parte de Madrid.

Mas, sem exercemos o direito de autodeterminaçom para atingirmos a plena soberania e independência nacional da nossa Pátria, nom é possível a emancipaçom da classe trabalhadora galega.

Nesta luita, há que ir por todas. Se exploraçom de classe e opressom nacional vam unidas, se Capital e Espanha som as duas caras da mesma moeda, temos que conjugar e fundir a luita de classes com a luita de libertaçom nacional.

Nom som momentos de políticas pragmáticas nem soluçons possibilistas. Estamos numha etapa em que se require firmeza e decisom para divulgar sem timoratismos a alternativa radical comunista. Nestes tempos de ferro e sofrimento, há que esclarecer à nossa classe e ao nosso povo que só temos futuro destruindo o capitalismo e construindo simultaneamente de forma criativa e original o comunismo para a Galiza e o mundo do século XXI. Nom há meias tintas.

A burguesia opta pola retirada parcial da máscara

Perante a inegável e cada vez mais inviável possibilidade de maquilhagem dumha realidade cada dia mais crua, a burguesia optou por umha mudança de tática. Mudou o falaz discurso de ocultaçom e maquilhagem da desfeita, e das promessas sobre umha imediata saída da crise, polo reconhecimento descarnado de que a situaçom obriga a um longo período de sacrifícios e adoçom de duras medidas para num futuro sem data clara poder superá-la. Ambas táticas coincidem em se apoiarem numha incorreta análise da realidade e na difusom de falsas esperanças que contribuam para rebaixar a tensom social. Ambas pretendem perpetuar o capitalismo e as suas injustiças e cada vez maiores desigualdades. Por isso ambas estám condenadas ao fracasso.

Deste jeito, Mariano Rajói converteu as propostas difundidas nas conferências de imprensa posteriores ao Conselho de Ministros em mero spam. O único real do que conta, seguindo o guiom dos seus assesores e que deixou bem claro que as sextas-feiras vam ser um dia preto para o povo trabalhador.

Semana após semana -tal como vem fazendo desde dezembro- assistiremos ao anúncio de mais cortes sociais, incrementos de impostos e produtos básicos, privatizaçom de serviços, agressons contra os interesses populares, cortes nas liberdades e direitos. Com o coraçom num punho, assistiremos cada sexta-feira de semana em semana a umha chuva de medidas lesivas contra a Galiza e o seu povo. Mas nom podemos ficar de braços cruzados aguardando que algum dia escampe.

Há cinco anos, prognosticávamos o atual cenário de crise sistémica capitalista e de crise estrutural do projeto nacional espanhol. Éramos desqualificados como “alarmistas”, mas as hemerotecas nom enganam. A tinta, diferentemente das palavras, nom a leva o vento.

Agora anunciamos que as tendências em curso só permitem umha saída nacional e de classe de caráter revolucionário. Nom há outra hipótese. O tempo vai dar-nos novamente a razom.

Entre outros factores e por este motivo, todas as expetativas e movimentos tendentes na Galiza a restruturar, a partir de postulados ideológica e politicamente anémicos, o campo da denominada “esquerda”, nom vam ser mais que umha reediçom do mesmo. Eleitoralismo, institucionalismo, práticas conciliadoras e pactistas, perpetuaçom da corrupta e parasitária casta política.

Primeira Linha manifestou com clareza que nom vai participar em nengumha cerimónia de confusom.

Tampouco em iniciativas interclassistas tendentes a contribuir para amortecer as contradiçons em alta do capitalismo senil e do cada dia mais questionado regime da Segunda Restauraçom Bourbónica.

Nom vamos participar em nengumha negociaçom para construir umha plataforma eleitoral cor-de-rosa e mornamente soberanista. E nom nos recusamos a tal participaçom por sectarismo, nem com base em purismos ideológicos, mas porque temos o firme convencimento de que a principal tarefa, hoje, para as forças revolucionárias é contribuirmos para reforçar a luita e a organizaçom obreira e popular com princípios inequivocamente anticapitalistas, tendo como epicentro a rua.

Neste cenário, a batalha ideológica contra todas as variantes de reformismos e oportunismos é mais necessária que nunca.

Há que acompanhar a nossa classe e o nosso povo no incremento da sua consciência. Há que redobrar esforços em organizar, promover luitas, resistir a repressom, desafiar a lógica do sistema, ganhar referencialidade no intransigente combate contra os que seguem a enganar o povo sobre a possibilidade de reinstaurar o modelo de capitalismo de rosto humano dos oitenta e noventa.

Intervençom de Espanha polos organismos imperialistas é mera questom de tempo

Rajói tem muitas razons para nom conciliar bem o sono. A troika nom descansará até provocar a intervençom do Estado espanhol e convertê-lo num protetorado do capitalismo internacional.

Obviamente, essa situaçom provocará a aceleraçom da catástrofe social a que nos conduz a economia de mercado. Para evitar falsas saídas de autoritarismos populistas caraterísticos das convulsas etapas de crise, é urgente e peremptório organizar povo trabalhador para a luita. Esta é a preocupaçom e tarefa prioritária das comunistas galegas e galegos.

Os anos vindouros serám luminosos ou bem obscuros, em funçom da capacidade de incidirmos nas luitas e atingirmos sólido enraizamento no mais profundo da nossa classe.

Libertaçom de Miguel Nicolás

Primeira Linha manifesta a sua satisfaçom polo excarcelamento do jovem sindicalista viguês, após passar dezasseis meses preso. Saudamos o seu regresso à Pátria e a sua reincorporaçom à luita do nosso povo e da nossa classe contra as predadoras políticas da burguesia.

Miguel, tal como Telmo Varela, atualmente preso longe da Galiza, som paradigma da luita coerente contra o Capital e Espanha, e património da Galiza rebelde e combativa.