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E chegárom os cortes à educaçom

Sexta-feira, 4 Maio 2012

José Miguel Ramos Cuba

Umha dura situaçom de crise económica do Estado espanhol, encarnada numha situaçom de alta dívida soberana e com umha tentativa de reduçom do déficit público, provocou que o governo espanhol de Mariano Rajoy implementasse um forte reajuste ao ensino público dentro dumha ofensiva contra os serviços públicos universais. Por sorte ou por desgraça, este ataque nom representa qualquer surpresa.

O movimento estudantil leva um ano informando sobre como o sistema educativo se atopa no ponto de mira da guerra do capital contra o trabalho na estrutura concreta do estado Espanhol, sabemos que a burguesia espanhola pretende recuperar taxas de ganho mediante a precarizaçom da força de trabalho em vez de aumentar a sua valorizaçom. Nesta Galiza do século XXI sobramos estudantes, mas faltam parad@s e sobre-explorad@s. Estamos, portanto, perante um movimento estratégico que nom tem nem a sua origem nem a sua culminaçom numha conjuntural situaçom de crise financeira estatal. Os organismos internacionais da burguesia deixam-no claro de maneira constante: é perigoso que vivamos mais do devido, é perigoso que saibamos mais do devido e, já que logo, é absurdo subvencionar-nos a sanidade ou a educaçom.

O sistema educativo no capitalismo é principalmente, além dumha conquista histórica do povo trabalhador, umha ferramenta de reproduçom ideológica e produçom de mao de obra qualificada. Neste duro presente, a manipulaçom ideológica já tem outros espaços de desnvolvemento quase tam favoráveis e a necessidade de mao de obra qualificada é menor, especialmente nesta periferia europeia em que vivemos. Nom é umha deriva neoliberal, nem resultado dumha má gestom; o desmantelamento do sistema educativo da periferia é umha necessidade do capitalismo senil.

Esta é a verdade que subjaz a toda a farfalhada do Ministério de Educaçom, mas também a toda a retórica espúria utilizada polas Universidades para defender a sua eficiência económica. A realidade, neste caso, é muito simples: sobramos estudantes e somos expulsos através do fracasso escolar induzido e a elitizaçom económica direta. O Ministério de Educaçom espanhol, chefiado por esse ente palurdo mas maquiavélico chamado Wert, aumenta 20% o ratio alunado-professorado e aumenta o número de baixas docentes sem cobrir porque sabe que isto se vai traduzir num maior fracasso académico.

E assim, do mesmo jeito que um criminal metafísico que aumenta umha simples cifra ou uns simples dados, condena-se centos de jovens à miséria intelectual e matérial com o fim de resgatar, mais umha vez, umha burguesia espanhola moribunda.

E se nom fosse suficiente com esta suja e rastreira manobra, Juan Ignacio Wert, como bom terrorista sociológico, vai também a proceder a expulsar milhares de estudantes da universidade. Principalmente através dumha brutal suba das taxas baseada numha simples e pura estafa. Acreditando em que o estudantado deve assumir o custo da sua formaçom como umha inversom, o MEC calcula o preço das taxas em base a umha percentagem sobre o valor total (25% na primeira matrícula, 40% na segunda, 75% na terceira e 100% na quarta e sucessivas) tomando como base o orçamento total universitário sobre o número de estudantes, obviando que 60% do orçamento universitário vai destinado a tarefas alheias à docência. Cresce assim o preço das primeiras matrículas em 66% (540€) e o preço das sucessivas (as mais frequentes) pode aumentar até 999%!!!. Estafam-nos nas cifras e estafam-nos na tese de que as e os estudantes suspendem por preguiceiros e nom pola má qualidade dumha docência que se negam a avaliar objetivamente.

Menos estudantes e menos faculdades, menos gasto para a burguesia e mais exército de reserva que baixe os salários. Um paraíso feito realidade para os sanguessugas que nos governam, mas um verdadeiro horizonte de dor e exploraçom para @s jovens do presente e do futuro. Porém, esta história de terror nom rematou porque o estudantado galego aínda nom jogou as suas cartas, porque a indignaçom e o ódio estám-se a apoderar das faculdades galegas e porque só falta que o ativismo estudantil retome as ruas, as mobilizaçons e as luitas. O movimento estudantil pode espertar dum longo letargo e se isso é assim, os responsáveis assumirám as consequências.