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Galiza, 1972: o acordar dum povo explorado

Quarta-feira, 18 Abril 2012

Carlos Garcia Seoane

Passárom já quarenta anos dos transcendentais acontecimentos que se desenvolvêrom ao longo daquele 1972 no nosso país. Acontecimentos que marcam um antes e depois no devir histórico da luita de classes na formaçom social em qual agimos e que conhecemos sob o nome de Galiza.

Pode-se avaliar sem lugar a dúvidas que em essência, no fundamental, nestes quatro decénios só mudou a forma de dominaçom que emprega a burguesia para manter a sua posiçom privilegiada sobre a maioria social explorada, ontem sob a pressom da bota militar da ditadura fascista, e hoje, sob umha ditadura encoberta num regime parlamentar burguês com um chefe de Estado nomeado polo ditador genocida Franco.

Naquele 10 de março de 1972 o capital demostrou a sua incapacidade para conter as demandas obreiras e populares utilizando o engano e o sofisma como ferramentas de dissuasom e tivo que recorrer à sua principal arma de defesa, a repressom fascista. Houvo dous irmaos de classe assassinados -Amador e Daniel- e dúzias de operári@s ferid@s dos estaleiros ferrolanos que reivindicavam melhoras nas suas condiçons de vida e de trabalho a peito descoberto e providos só de pedras para defender-se ante os fuzis da polícia de choque espanhola.

O sangue derramado nas ruas de Ferrol tingírom de vermelho umha semente que meses depois começou a germolar no setembro viguês de luita proletária, onde se desenvolveu a greve geral mais importante na história da Galiza ao ficar paralisada a comarca durante quinze dias. A luita por um convénio digno para o setor da automoçom foi mais além, nom se cingiu às meras reivindicaçons economicistas senom que se luitou por fazer dano ao sistema que explorava e oprimia ao povo trabalhador. A solidariedade com o proletariado viguês vinha de diferentes formas desde os distintos pontos da naçom: greves em Ferrol, cortes de tránsito nas principais entradas ao país, fornecimento de produtos de primeira necessidade desde Ourense, etc.

A classe obreira galega começava a agir como tal, percebeu a sua própria singularidade, o proletariado reconhecia o seu marco nacional de luita contra o capitalismo que afogava o modo de vida da grande maioria social. Assim, cada 10 de março celebramos o Dia da Classe Obreira Galega para continuar a formar a consciência do nosso ser social e nacional, o único sujeito político com capacidade para a transformaçom do atual estado de cousas cara a umha sociedade nova na que impere a justiça social.

A década de 1970 supujo um ponto de inflexom para a autoorganizaçom do povo trabalhador galego desde parámetros nacionais e de classe. Umha parte importante dos obreiros mais destacados nas luitas de março e setembro do 72 fôrom os artífices dos denominados gérmolos sindicais do sindicalismo nacional e de classe, afastando-se do sucursalismo das centrais sindicais de ámbito estatal, que dariam lugar ao Sindicato Obreiro Galego em 1975. Mas nom só se praticava a autoorganizaçom nacional no campo obreiro, senom que também se dava no estudantil (a fundaçom de Estudantes Revolucionários Galegos foi em dezembro do 72), no associacionismo cultural, e incluso, na faceta militar (a Frente Armada da UPG em 1974 comandada polo egrégio revolucionário Moncho Reboiras).

A eclosom dum movimento nacional e de classe próprio assentou os alicerces do projeto vital a desenvolver para a nossa emancipaçom nacional e social de género, a Revoluçom Galega. As valiosas experiências de luita de rua, exercício da solidariedade, de confrontaçom entre classes irreconciliáveis, já formam parte do imaginário coletivo. Som válidas e necessárias na situaçom de crise sistémica do capitalismo que o conjunto do povo trabalhador galego está a sofrer na atualidade. Há que pôr em prática aquelas experiências ao calor da forja onde batem @s ferreir@s por um mundo melhor, sem opressores nem cadeias.

Desde 1972 até 2012 estám encerrados quarenta anos de luita da classe obreira galega contra os seus inimigos de classe, a burguesia e os seus servis defensores. @s revolucionári@s galeg@s devemos manter acesso o facho de luita mostrando os exemplos da entrega militante dos luitadores e luitadoras que nos precedêrom, dar a conhecer a rebeldia expressada polo nosso povo a qual é continuamente negada pola historiografia espanhola e os seus meios propagandísticos de alienaçom que querem converter-nos num povo resignado e submisso. Há que conservar e seguir formando a consciência que acordou no 72 e fazê-la crescer com novas e originais achegas adequadas à atual realidade da luita de classes porque o combate pola única causa verdadeira na Galiza de hoje, a emancipaçom do povo explorado, continua mais vigente do que nunca.