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Editado Abrente 63

Quarta-feira, 21 Março 2012

Acabou de sair do prelo o número correspondente ao primeiro trimestre do ano do Abrente.  A publicaçom do nosso partido já se pode consultar em formato de fácil leitura neste portal.

No Abrente 63 encontramos a segunda parte da reflexom de Daniel Lourenço -membro do Comité Central de Primeira Linha, no que analisa a degeneraçom das modernas organizaçons sindicais.

Carlos Morais, secretário-geral de Primeira Linha, escreve sobre o a crise do nacionalismo galego.

“A vigência do Manifesto Comunista e a greve geral” é o título do artigo no que Carlos Garcia Seoane analisa a vigência e plena atualidade do pensamento marxista.

Junto as seçom habitual de livros completa este número um artigo do militante revolucionário chileno Santiago Arcos, da direçom da Frente Patriótica Manuel Rodríguez, dando a conhecer a situaçom política e social chilena.

A continuaçom publicamos a editorial.

29 de março Greve geral

que pará-los!

Estava cantado. O novo governo do PP em Madrid, nesta ocasiom, nem respeitou os 100 primeiros dias de cortesia que as regras nom escritas da política institucional burguesa concedem de margem a governos e oposiçom para implementar sem turbulências o seu programa. Deste jeito, Mariano Rajói -com o seu particular estilo caladinho, em menos de um trimestre incumpriu algumhas das linhas mestras do seu programa eleitoral, polo menos aquelas com maior impacto na perceçom popular. Subiu os impostos, reduziu salários e aprovou umha nova reforma laboral que facilita e embaratece ainda mais o despedimento.

Conseguiu, a partir de um conjunto de medidas que Soraya Saénz de Santamaría de forma descarnada definiu como o “início do início”, quebrar o pouco entusiasmo e motivaçom que pudesse existir entre quem deu o apoio nas urnas ao PP, acreditando nas mágicas receitas para criar emprego e “endireitar a economia”.

A justificaçom de medidas duras, mas imprescindíveis para corrigir a grave situaçom económica herdada dos governos do PSOE, é umha coartada que só convence umha parte da sua tradicional base social. O shok entre os setores populares que, umha vez mais, acreditárom na necessidade da lógica da alternáncia política para sair da crise, a ativa -embora ainda tímida e insuficiente oposiçom obreira e popular às medidas implementadas, as mobilizaçons em curso contra privatizaçons do ensino e a sanidade, a greve geral convocada na Galiza 29 de março… está provocando que um governo com umha maioria absoluta tam ampla semelhe contar com um precário apoio parlamentar. A subjetividade é novamente um factor determinante para a lógica da luita de classes.

A equipa de Mariano está à defensiva. Sabe que, à margem das falsas promessas com que arranhou votos, carece de margem suficiente e capacidade real para evitar que o Estado espanhol entre numha nova recessom económica e, portanto, poder paliar as graves conseqüências da singular crise capitalista que padecemos -basicamente a altíssima taxa de desemprego, derivada do insustentável modelo de fictícia economia especulativa de tijolo e casino que caraterizava o milagre espanhol.

O PP nom possui um programa socioeconómico alternativo ao que o PSOE aplicou na segunda legislatura de Zapatero. As suas receitas nom passam de ser a versom mais dura que demanda a burguesia para evitar umha queda na sua descomunal taxa de lucro, fazendo recair exclusivamente sobre a classe obreira e as camadas populares os custos da sua crise.

O PP está a aplicar a política de choque que a CEOE e a CEG exigem, submetendo-se obedientemente aos ditames dos organismos imperialistas internacionais e à ditadura que pretende impor o eixo franco-alemám sobre a Uniom Europeia.

O PP coincide no diagnóstico com patronato e grande capital. E nom vai ter problemas de consciência, nem escrúpulos para aplicar as reformas estruturais exigidas para salvar os interesses do Capital à custa do empobrecimento acelerado e da perda de direitos sociais e laborais, de amplas setores do povo trabalhador, inclusive de algumhas das fraçons tradicionais da sua base eleitoral e social.

A anunciada reforma da legislaçom de greve e a supressom ou endurecimento das prestaçons por desemprego a quem nom aceite um “trabalho” nas condiçons e lugar que for, som os seguintes passos na ofensiva em curso.

A realidade contradi o ficçom do discurso do PP

Deste modo, a demagogia empregada na campanha eleitoral nom foi capaz de agüentar o mais mínimo a pressom dos “mercados”, nem as diretrizes da troika. Após as constantes mentiras e permanente maquilhagem aplicada à situaçom real da economia espanhola por parte dos governos de Zapatero, mas também as falácias sobre as quais se sustentavam as alternativas milagreiras que defendia Rajói, a maioria absoluta atingida polo PP em 20 de novembro constata que só representa mais do mesmo no melhor dos casos.

Tal como tinhamos prognosticado e justificado para nom participarmos nas eleiçons, promovendo a abstençom ativa, o PP tam só ia realizar mais cortes em direitos e conquistas seguindo a estela aberta por Zapatero. O único mérito de Mariano é ter iniciado a sua legislatura recorrendo ao bisturi e à tesoura em tempo recorde. E como a política ultraliberal hegemónica carece de analgésicos sociais, a crispaçom e o malestar social já começárom a se manifestar.

Embora a conjuntura política constate a volatilidade dos resultados eleitorais na democracia burguesa, também exprime as enormes dificuldades para que o deslocamento na intençom de voto por parte das massas dê passos firmes e decididos na ruptura da lógica sistémica imposta durante décadas de imposiçom ideológica.

Porém, a finais do mês de março, o PP terá que dar mais um passo contra a imensa maioria social, com a aprovaçom de uns restritivos orçamentos gerais do Estado. A necessidade de aplicar multimilionários cortes provocará inevitavelmente um incremento de oposiçom social.

Limites da luita de massas que se divisa no horizonte

Porém, a luita de massas estará condicionada basicamente por quatro factores que no curto e médo prazo facilitarám manter entre turbulências, mas ao fim e ao cabo manter, a estabilidade política e social que o PP necessita e demanda. Som o oxigénio com que conta a burguesia para poder realizar os duros reajustamentos.

A desvertebraçom organizativa estrutural do movimento obreiro e popular dificultará que as luitas se dotem de umha direçom e de um roteiro estratégico. O hegemónico sindicalismo pactista e amarelo evitará a radicalizaçom da luita obreira e popular entre contradiçons permanentes entre a burocracia corrupta e as bases afetadas polas lesivas políticas da direita. O PSOE habilmente empregará a situaçom para se recompor após a desfeita em que está imerso, mediante a sua participaçom progressiva nas luitas reivindicativas, afastando-as da mais mínima potencialidade revolucionária com o único objetivo oportunista de recuperar em oito anos o governo de Madrid.

O quarto vetor em jogo está ligado a inexistência de umha alternativa política e social revolucionária, de direçom e orientaçom comunista com projeçom de massas.

A ausência de umha oposiçom de esquerda anticapitalista e a enorme debilidade do movimento obreiro e popular provoca que a principal tarefa das comunistas seja construir o partido da Revoluçom Galega com base na participaçom ativa nas luitas obreiras e populares, mediante umha açom teórico-prática conseqüente e umha acertada direçom política que nos permita ganhar espaço, referencialidade e crescer articulando o bloco contra-hegemónico.

Os novos capítulos na prolongada crise em que está instalado o autonomismo galego, e o conjunto de movimentos oportunistas que se estám verificando no fragmentado espaço da esquerda soberanista para procurar convergências e participar em reformulaçons e refundaçons deve ser habilmente aproveitado pola esquerda revolucionária patriótica. Devemos esclarecer posiçons que facilitem a nossa inserçom entre o proletariado, juventude e mulheres como alternativa rupturista e radicalmente contrária a alimentar alternativas interclassistas e eleitoralistas.

Nom nos cansaremos de defender, contra vento e maré, que nom som horas de pactos nem de negociaçons para construir mornas alternativas de esquerda renovadora baseadas em modelos mil vezes fracassados na Galiza e no resto do mundo. Som tempos de levantar sem complexos umha alternativa radicalmente anticapitalista, patriótica e feminista com um programa de luita plausível e integrador que conecte com as demandas e anseios imediatos das massas, mas sempre sob um horizonte de construçom de umha sociedade socialista superadora do patriarcado numha Galiza soberana e independente.

Temos que dotar a classe obreira de um referente real de combate. Nom temos que construir umha alternativa eleitoral. Esse ciclo está esgotado, após mais de trinta e cinco anos de restauraçom bourbónica.

Devemos pois investir esforços na reorganizaçom e recomposiçom do movimento obreiro e popular. Em dotá-lo de ferramentas eficazes de luita e combate que permitam introduzir no seu seio a confiança na imensa força da nossa classe e na inesgotável capacidade para resistir, luitar e derrotar os insaciáveis planos da burguesia.

Há que ganhar povo trabalhador em batalhas e forjar partido comunista combatente em luita permanente e constante. Nom há outro caminho. Agir com visom estratégica e flexibilidade tática.

Nom mais caminho que luitar

A burguesia tem declarado guerra sem quartel contra a classe obreira, a Pátria e as mulheres. Ou bem optamos por fazer frente ativamente ao desafio histórico a que estamos convocadas e convocados, ou entom optamos por evitar o confronto e portanto assumimos que estamos inevitavelmente condenados a perecer na obscuridade da restauraçom das condiçons laborais e sociais decimonónicas, às quais nos querem conduzir. Nom há  alternativa. Luitar ou sucumbir sem batalhar. Eis a disjuntiva.

Poderám fraquejar as forças, poderám existir dúvidas sobre as possibilidades de êxito, poderám existir dificuldades para implementar o roteiro, cumprir as fases e avançar na estratégia insurrecional, mas renunciar à luita ou optar pola comodidade e a claudicaçom só nos leva a umha Galiza escrava e sem futuro. O nosso insubornável compromisso com a emancipaçom e a libertaçom da classe obreira, a Pátria e as mulheres nom contempla mais opçom que luitar, luitar e luitar. Nom há outra!

A greve geral convocada polo sindicalismo galego para 29 de março é um dos imediatos reptos que devemos superar e assim contribuirmos para a conformaçom de um novo clima social e político que facilite abrir umha nova etapa que de forma paulatina supere a atonia social e o conformismo amórfico.

O desafio de quebrar a normalidade “democrática” e paralisar os setores estratégicos da economia nacional é enorme. O Estado vai empregar todos os meios ao seu alcance para evitar que a jornada de greve seja um êxito. Nom duvidará em utilizar a violência policial, a intimidaçom, as ameaças de despedimentos e represálias, a intoxicaçom mediática, a criminalizaçom dos mais conseqüentes métodos de luita obreira e popular, para evitar que o clamor popular se exprima em forma de greve geral.

Quatro décadas após a configuraçom do movimento obreiro galego emanado da específica expressom nacional da vaga mundial revolucionária do 68, temos que ter presente como referente e fonte de inspiraçom as heroicas luitas de março e setembro de 1972 que -primeiro em Ferrol e depois em Vigo, permitírom recuperar e superar em poucos anos o terreno  perdido pola traumática derrota estratégica de 1936.

Devemos converter 29 de março no início do início da reativaçom da luita obreira, nacional e feminista.