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Rebatendo sete teses erróneas e precipitadas sobre a grave crise do autonomismo. Nós ao nosso

Quinta-feira, 16 Fevereiro 2012

Carlos Morais

– Sem lugar a dúvidas a saída organizada do BNG que o Encontro Irmandinho adota na sua IV Assembleia Nacional (Compostela, 12 de fevereiro), precedida de um interminável e aparentemente planificado goteio de militância e cargos públicos, nom se pode analisar à margem da deteriorada atmosfera e tensom produzida após perder os debates na XIII Assembleia Nacional do BNG de 28 e 29 de janeiro.

A conjuntura criada provoca a maior crise da recente história do nacionalismo galego depois da sua refundaçom há três décadas, em setembro de 1982, similar à situaçom que no sindicalismo nacional e de classe provocou a ruptura da INTG em 1985.

Porém, contrariamente ao divulgado pola imprensa burguesa e polos agentes involucrados nesta cissom nom é a primeira ruptura organizada. Em 1987, PCLN abandonou o BNG, em 1999 foi Primeira Linha e, mais recentemente, em 2009, foi umha parte do Movimento pola Base. Obviamente, nengumha das três saídas coletivas precedentes tivérom a magnitude qualitativa e quantitativa da atual, nem gerárom tantas expetativas e muito menos alteraçons de calado no mapa politico da Galiza.

2º- Esta ruptura enquadra-se num complexo e prolongado processo cuja origem principal e o início do declínio eleitoral sofrido nas eleiçons autonómicas de outubro de 2001. Som sem lugar a duvidas as conseqüências de retrocesso de poder institucional derivado da imparável hemorragia eleitoral e o proporcional incremento das discrepâncias na distribuiçom interna dos roles e espaços de poder entre os lobbies, o cerne do problema. O deterioramento da convivência interna e outro factor essencial que permite explicar a aceleraçom dos acontecimentos. As divergências políticas e ideológicas nom som pois determinantes, por muito que agora se empreguem como maquilhagem para justificar o conflito.

Naquela altura o BNG tecnicamente perdeu o sorpasso eleitoral que tinha previamente logrado sobre o PSOE em 1997. Tinha centrado a linha discursiva da campanha eleitoral em aspirar a encabeçar um governo de coligaçom alternativo a Fraga e ficou muito afastado deste ambicioso objetivo. O PSOE de Tourinho, contra todo prognóstico, recuperou posiçons perdidas e ambas forças empatárom com 17 deputad@s e um resultado quantitativo praticamente idêntico, embora favorável em 12 mil votos o BNG.

Deste jeito nom só nom consegue manter a tendência eleitoral altista que vinha experimentando de 1993, como mesmo perde apoios e, o mais grave, arranca o ponto de inflexom de um ciclo ascendente que conclui. Volta a se converter na terceira força eleitoral e deixa polo caminho metade dos apoios atingidos neste campo.

Beiras, naquela altura máximo líder da frente, opta -unilateralmente ou pactuado com a UPG?, por umha fugida cara adiante, por dar um novo passo na paulatina integraçom do nacionalismo de esquerda na lógica do regime: reconhece a legitimidade democrática de Fraga, que até esse momento negava. Foi em janeiro de 2002 à volta de um prato, garfo, faca e colher -como anos antes figera Camilo Nogueira, que Xosé Manuel optou surpresivamente por normalizar a política institucional autonómica, lavando a cara do velho fascista, depois de ter aceitado umhas semanas antes, no Hórreo, a sua oferta para dialogar.

Posteriormente, num duro processo de mútuas acusaçons, a UPG erroneamente considerou esgotada a etapa política do liderança de Beiras e num grave erro de calculo força a sua precipitada subtituiçom por Anxo Quintana. Um Beiras ferido polo maltrato e desprezo que padece opta paulatinamente por passar a um segundo plano. Porém, em 2007 reaparece publicamente exercendo de dissidente pola esquerda com duras críticas a nova orientaçom de um BNG que paradoxalmente conseguira dous anos antes entrar como sócio menor no governo bipartido da Junta, perdendo votos eleiçom após eleiçom.

No inédito processo de confrontaçom, tem lugar a ruptura das normas de funcionamento interno que diferenciavam o BNG dos partidos sistémicos. O hermetismo, a lavagem dos trapos sujos na casa, passara a história. Literalmente, salta polos ares nas azedas reprovaçons que confrontárom a UPG e o beirismo no turbulento período que culmina em 2003 com o início da etapa de Quintana. Posteriormente Beiras emprega habilmente o seu magnetismo mediático e carisma para manter umha presença constante nos meios amagando que se vai, com base na denúncia da deriva institucionalista do BNG e o abandono dos sinais identitários fundacionais. Mas sempre esquecendo ou ocultando a sua corresponsabilidade num processo que forçou que já Primeira Linha tivesse que optar por sair em 1999.

Pois, sendo certas as críticas e as análises da enorme aceleraçom do aggiormanento político que o BNG experimenta entre 2005 e 2009, nom se pode obviar que este fenómeno tinha sido iniciado muitos anos antes, embora de forma contraditória e errática, e nom sempre emergisse com tanta claridom.

Beiras, da mao da UPG, atingiu a partir de 1985 -a seguir à aceitaçom da imposiçom espanhola de acatamento do quadro juridico imposto polo regime pós-franquista, converter a recém criada frente emanada do frontom corunhês de Riazor num espaço amplo e plural no que progressivamente fôrom convergindo a prática totalidade das diversas façons da esquerda nacional, do soberanismo, mas também do galeguismo centrista e liberal. A fórmula interclassista, a moderaçom política implantada, os sucessos eleitorais e a política de aliança municipal permanente com o PSOE, facilitárom o encaixe de um  puzzle cujas peças nom todas faziam parte do mesmo jogo.

Enquanto a formula funcionou eleitoralmente -a margem dos permanentes conflitos e competetividade consubstanciais a umha estrutura tam ampla -o tandem Beiras-UPG, ou seja, liderança de massas e cartaz eleitoral versus aparelho organizativo e político, as contradiçons fôrom acertadamente geridas .

Beiras, ou bem para nom pôr em perigo a sua privilegiada posiçom, ou bem por carecer de umha sólida e eficaz estrutura organizativa que lhe desse cobertura (Esquerda Nacionalista maioritariamente nunca passou de ser um conjunto de ingénuos, aduladores e oportunistas que na maioria dos casos tam só pretendiam crescer a sua sombra), mantivo em inumeráveis situaçons umha posiçom subalterna à linha política da UPG. Quando realmente tivo possibilidade de dar um golpe na leme, nom se atreveu. As suas oportunidades fôrom esmorecendo, à medida que a UPG chegou a errónea conclusom de que era prescindível, de que já nom era útil para manter a dimensom eleitoral e social atingida. As perspetivas criadas com o ascenso da luita de massas deste período (Nunca Mais, LOU, guerra de Iraque) contribuírom a madurecer a decisom.

Mas, no essencial, Beiras nunca mantivo divergências insuperáveis com os coronéis. A dissidência posterior tem umhas causas nom exatamente ideológicas e mesmo tampouco de índole política.

A consolidaçom da linha política entreguista e conciliadora do autonomismo no período 2001-2009 provocou a perda paulatina de musculatura e o crescimento simultâneo de gordura. O BNG foi afastando-se irremediavelmente de boa parte da sua tradicional base operária, juvenil e do ativismo social, para ganhar arrivistas de péssimas cataduras que tentárom, sob o guarda-chuvas da desmedida ambiçom de Quintana, despreender-se da tutelagem da UPG para transformar a linha social-democrata e mornamente nacionalista do Bloco numha força autonomista e centrista. A UPG só reagiu com firmeza e contundência após o desastre eleitoral de 2009.

No bipartido, entre contradiçons no seu seio, permitiu e compartilhou o possibilismo sem escrúpulos com que o ex-alcaide de Alhariz tentou fazer do BNG a expressom política de umha façom da burguesia nacional. Era a época em que no Comité Central tanto se permitia que a CIG criticasse com arengas inofensivas os excessos do quintanismo, como se promoviam estruturas para organizar o empresariado “patriótico” e aproveitar a ocasiom para fechar bons negócios.

Ou será que as Conselharias de Indústria e a de Meio Rural em maos da UPG mantivérom umha orientaçom alternativa às ocupadas por Teresa Táboas e Ángela Bugalho? Nom se pode obviar que a corrupçom que salpicou o bipartido tem atualmente militantes da UPG argüidos e investigados.

O que nunca tolerou é que ninguém implementasse mudanças sem o seu prévio consentimento. Quintana calculou mal as suas forças e os resultados da sua operaçom fôrom nefastos. O BNG nom alargou a sua base eleitoral, nem um setor da burguesia galega o considerou umha opçom viável para os seus interesses de classe. Assim, hoje, a diferença de Beiras, e um cadáver político.

– Como as razons da ruptura em curso, cujos limites e dimensom nom estám ainda claros, som bastante mais banais que a justificaçom discursiva empregada polo EI, cumpre desmontar outros interessados erros de apreciaçom.

Beiras e a UPG tenhem politicamente mais pontos de convergência em comum que o EI e +G.

A crítica à atual deriva da Uniom Europeia, o neoliberalismo selvagem, um modelo de BNG frentista, a recuperaçom de umha linha discursiva retoricamente mais esquerdista, assim como a defesa de um nacionalismo que aspire a elevadas quotas de soberania, superam pola esquerda o conglomerado do pós-quintanismo -que embora abranja  setores e personalidades com origens e trajetórias muito diversas, defende um BNG enquadrado no centro político e portanto menos beligerante com o neoliberalismo, assim como considera prescindível a reivindicaçom do exercício do direito de autodeterminaçom. Os dous manifestos emitidos polos seus alcaides som exemplificadores do que se pretende.

A aliança do beirismo com +G, frente à ApU (UPG e companheiros de viagem) nom foi mais que umha manobra de puro oportunismo político. A necessidade fai virtude. Foi um matrimónio express de conveniência que houvo que negociar a fundo, mas aparentemente com data de caducidade.

O epicentro do questionamento de EI a direçom do BNG alicerçava em questons de índole organizativa: defesa do pluralismo interno e basicamente na refundaçom do BNG para recuperar espaço politico, base social, militância e prestígio perdido.

Pola sua parte, +G questiona e opom-se ativamente a tímida viragem a esquerda que o BNG leva imprimindo desde a XI AN (maio 2009), defendendo sem complexos que o BNG deve ter como objetivo ser força de governo e nom organizaçom de faixa e piquete. “Abrir-se à sociedade”, “convergir com a Galiza real”, “abandonar ideologias obsoletas”, “superar anacronismos”, et cétera, fam parte do arsenal político de umha corrente com um indubitável peso institucional e que cujas vozes mais extridentes empregam os mais conhecidos tiques anticomunistas.

Porém, esses 48% de filiadas e filiados que apoiárom a entente entre Beiras e Aymerich centrárom a batalha no plano mais estritamente organizativo, despreocupando-se com o político.

Assim, resulta sintomático que as teses aprovadas contassem com o apoio de 70% da filiaçom assistente, pois tanto o beirismo como o pós-quintanismo nom emprestárom atençom algumha a esta aspeto, centrando-se em disputar a direçom da frente nacionalista à UPG.

De facto, o que passaria se Beiras tivesse sido eleito porta-voz nacional e Carlos Aymerich candidato à Junta da Galiza? Estariam “atados” a umha linha politica que no caso de +G nom apoiam.

4º- Sendo correto que o resultado da XIII Assembleia Nacional do BNG foi mui ajustado, expressom de dous pólos com apoios similares que a hábil terceira candidatura promovida polo MGS inclinou em vitória para a UPG, nom consideramos que tenha sido ilegítima.

Contrariamente a multidom de opinions e análises, a divisom pola metade, sendo tecnicamente nom desacertada, politicamente foi umha vitória clara da UPG, com o apoio vital do seu modesto mas imprescindível aliado, o setor do MpB que em 2009 optou por ficar dentro e exercer de apêndice “radicalizado” da UPG.

Mas, se compararmos resultados, ambas correntes aumentárom apoios em relaçom a 2009, enquanto +G e o beirismo -que naquela altura optárom por apresentar listas por separado, vírom agora retroceder o seu apoio.

Douscentos votos de diferença na mais multitudinária Assembleia da sua história deveriam ter sido geridos de outro jeito se por ambas as partes houvesse vontade real por procurar os equilíbrios que permitissem a integraçom que evitasse a crise em curso.

Porém, é umha incógnita saber se a UPG esta realmente interessada no atual cenário: a perda de umha substancial parte do contingente militante e a criaçom de umha nova frente nacionalista entre as organizaçons e pessoas cindidas com a incorporaçom de grupos e forças do espaço da esquerda soberanista.

A recuperaçom do modelo organizativo para assistir a Assembleia Nacional ou as declaraçons integradoras de destacados militantes nom avalizam essa tese.

A decisom que +G adote em março determinará a magnitude da crise. Ou bem um terramoto cujas conseqüências podem ser reconstruídas em tempo razoável, ou bem um tsunami devastador que force o BNG a realizar umha refundaçom para se reajustar e recompor.

Nom podemos desconsiderar que a grande fortaleza, mas também enorme fraqueza do Encontro Irmandinho é Beiras. Sem Beiras, simplesmente nom há beirismo. Num hipotético, mas nunca descartável, adianto eleitoral promovido por Feijó para aproveitar a conjuntura de crise e divisom interna da oposiçom institucional (PSOE e BNG) a entrada no parlamentinho autonómico do EI ou da candidatura que apoie tem bastantes garantias de sucesso. E mesmo umha aliança com +G apoiada sem ambigüidades polo aparelho mediático do regime até poderia provocar o sorpasso sobre o que fique no BNG.

Som pois cenários que a UPG está ou deveria estar sopesando. Os movimentos que realize no imediato serám determinantes para cortar a hemorragia a e tentar salvar o que fique dos móveis.

O papel dos meios de comunicaçom burgueses condicionará parcialmente o processo, facilitando espaço aos que se vam e dificultando-o aos que ficam, recuperando as mais velhas e usadas ladainhas de umha UPG que já só existe na mistificaçom nostálgica.

5º- Na hora de analisar com rigor a açom teórica-prática das diversas correntes, nom podemos seguir acriticamente as falsas categorias atribuídas pola imprensa sistémica, nem as definiçons que cada umha delas fai de si própria.

A UPG nom e um partido comunista patriótico, nem umha organizaçom anticapitalista de libertaçom nacional. E umha força nacionalista galega condicionada polas limitaçons congénitas fundacionais que lhe impossibilitam defender sem complexos umha alternativa independentista. Com umha indubitável matriz marxista, atualmente nom supera posiçons progressistas, embora conte com umha base de extraçom popular e obreira, mas sempre sob a direçom da pequena burguesia funcionarial e mesocrática, e portanto com umha linha hegemónica respeitosa com a legalidade vigorante e afastada de umha prática coerentemente rupturista.

O PSOE da primeira legislatura de Zapatero nom era de esquerda nem por sombras, se bem a deriva involucionista e a pressom opositora ultrarreacionária exercida polo PP provocava umha perceçom errónea do seu espaço e açom política entre amplos segmentos populares.

Do mesmo jeito, a inclinaçom galeguista, regionalista e liberal a que fôrom evoluindo os setores integrados em +G, assim como certas declaraçons sem rigor do beirismo sobre o “marxismo-leninismo” que professa a UPG, também tem provocado em parte da base social nacionalista e outros setores populares umha visom deformada do partido decano da Galiza.

Nada fica da combativa UPG de Moncho Reboiras salvo as siglas. Eis a realidade.

O Encontro Irmandinho é umha corrente social-democrata adscrita ao denominado altermundismo que se declara sem pudor independentista, com um discurso atrativo para os setores sociais intermédios sociologicamente progressistas, mas carente de umha estrutura organizativa sólida.

Umha força politica com aspiraçons de movimento, enquadrada na esquerda burguesa que esporadicamente pode manter posiçons mais avançadas e radicais que a UPG, mas com umha composiçom social menos popular, configurada polas camadas intermédias.

E +G nom passa de ser umha corrente hegemonicamente enquadrada no social-liberalismo e firme defensora do autonomismo.

6º- É indiscutível que a decisom finalmente adotada polo EI nom era verosímil para quase ninguém que nom estivesse ou conhecesse profundamente os debates, cálculos e estado de opiniom do núcleo dirigente. Tantas vezes tinha afirmado Beiras que se ia, que como no velho conto de “aí vem o lobo”, já ninguém acreditava no perigo, até que apareceu sem prévio aviso.

Porém, a enorme beligerância que caraterizou o ambiente da XIII AN do BNG provocou um shock que permitiu que só poucos dias antes começáramos a nom descartar a possibilidade real da ruptura que cristalizou na tarde do domingo 12 de fevereiro.

Obviamente a decisom foi e é seguida com atençom polo conjunto da esquerda nacional. Mas o grau de interesse constata novamente a divisom de dous campos claramente diferenciados no espaço da esquerda independentista.

Primeira Linha nom desconsidera as profundas alteraçons e vias abertas que a ruptura do BNG gera. Das mudanças que se vam produzir. Porem, diferentemente das diversas correntes e grupos da fragmentada esquerda soberanista, nom depositamos expetativas no processo que se poda chegar a abrir porque, se nom existem condiçons subjetivas para unificar esse espaço, tampouco existem condiçons objetivas para umha mestizagem respeitosa numha operaçom política de convergência com o beirismo.

E sobretodo porque este terá ainda que optar ou por apostar por +G ou pola esquerda independentista. Ambas partes som incompatíveis.

O nosso encaixe numha plataforma liderada por Beiras seria praticamente inviável. Diferenças táticas e estratégicas no programa, modelo organizativo e métodos de luita e intervençom dificultariam o sucesso. Diferente e participar em iniciativas concretas.

A legenda firmeza nos princípios empregada na VI Assembleia Nacional de NOS-UP (Salvaterra de Minho, 17 dezembro de 2011) é muito mais que umha declaraçom de intençons. Marca o roteiro da esquerda independentista, socialista e feminista galega que apoiamos as e os comunistas galegos. Para além do impacto mediático e do imenso barulho que progressivamente irá desaparecendo nas vindouras semanas, a ruptura do BNG nom condiciona nem altera os nossos planos táticos e estratégicos.

Seria umha ingenuidade deixar-se seduzir polos cantos de sereia que procedem dessas águas, umha mostra de carência de um projeto próprio, praticar o mais execrável oportunismo, realizar umha pirueta que nos ressitue numha operaçom política com a qual nom compartilhamos o essencial.

Como organizaçom inspirada nos princípios leninistas, tentamos agir com a maior flexibilidade tática imaginada, mas sempre enquadrada numha firmeza estratégica.

Nom somos contrários a alianças amplas com base em programas avançados. A nossa participaçom em qualquer reformulaçom da esquerda nacional é bem conhecida. Há agora dous anos, na Rolda de Rebeldia organizada em janeiro de 2010 polo Encontro Irmandinho manifestamos que A recomposiçom de umha esquerda genuina na Galiza passa inevitavelmente por asssumir sem complexos três parámetros: a defesa da soberania e a independência nacional, incardinada num projeto anticapitalista que aposte no Socialismo com maiúsculas e sem aditivos fraudulentos, incorporando de maneira transversal no seu discurso e prática a emancipaçom da metade da força de trabalho social. A plena e real libertaçom da  mulher, ou seja, a superaçom do patriarcado, é um dos alicerces imprescindíveis para construir a nova força sociopolítica da esquerda transformadora do século XXI”.

A nossa posiçom mantém-se inalterável.

A proposta que o EI formula na resoluçom adotada na sua IV AN nem levanta entusiasmo nem provoca expetativas que permitam alviscar o fortalecimento da capacidade de organizaçom e luita da classe obreira galega para se defender dos ataques do Capital e de Espanha. Nom temos interesse em participar na construçom de umha “frente ampla, plural e com o centro de gravidade na esquerda” nem no “reagrupamento do nacionalismo” inspirado em “princípios similares aos que dérom lugar à criaçom do BNG na Assembleia de Riazor”.

O proletariado galego, as camadas populares, os setores sociais mais agredidos pola ofensiva capitalista e imperialista, polo projeto centralista espanhol em curso tenhem que confiar na imensa potencialidade e força da classe obreira e, portanto, descartar projetos interclassistas. A autonomia de classe é umha pedra angular de um projeto socialista de libertaçom nacional e social de género.

Aderir aos aparentemente mais laxos e cómodos postulados que procedem do beirismo é apostar em bater com a mesma pedra, por repetir em questom de tempo a viagem ao nada realizada polo BNG. Som tempos de radicalidade e de maximalismos. Nom é momento de aplicar políticas mornas e conciliadoras.

A alternativa revolucionária à crise nom se acha na via eleitoral que indiscutivelmente carateriza os setores organizados que abandonárom e poderám abandonar o BNG. Tampouco no exercício de outra forma mais atrativa e menos rígida de parlamentarismo burguês. Todos os métodos de luita som necessários, o eleitoral entre eles, mas nom pode eclipsar a luita de massas nem o combate conseqüente ao inimigo.

Tal como nom se podia nem pode regenerar o BNG, o capitalismo tampouco se pode reformar.

Respeitamos a trajetória e achegas de Xose Manuel Beiras ao projeto nacional galego, à luita emancipadora das camadas populares, mas consideramos que o seu discurso está superado.

Podemos participar em conversas e debates, em negociaçons políticas com quem nos reclamar, mas nom vamos abdicar dos nossos princípios por puro oportunismo e desesperaçom.

7º- Beiras afirma que está disposto a ceder o seu enorme peso político, inteletual e projeçom de massas mediante um último esforço em troca de nada, pois nom tem aspiraçons e ambiçons politicas. Define este capítulo como o epílogo da sua vida política. Certamente, boa parte desta afirmaçom é verdade.

Porém nom se pode desconsiderar que a ruptura nom se pode sustentar sem ele. Representa a figura de proa, o motor, os mastros, as velas, o leme do barco. Mas todo indica que a nau carece de caderno de bitácora. Embora levasse mais de dous anos ameaçando com abandonar se nom lograva as suas reivindicaçons de regenerar e refundar o BNG, a decisom adotada semelha nom só ser fruto de umha excessiva precipitaçom, como basicamente carece de umha estratégia definida.

Hoje nom tem substituto. O projeto só se sustenta com ele. Umha alternativa política da dimensom e aspiraçons que manifesta tem que ter outros alicerces igual ou mais sólidos que um líder indiscutível.

A UPG sabe-o e, se age com a inteligência e astúcia que tem demonstrado em quase meio século de trajectória, só necessita esperar para recompor o atual BNG implementando a viragem à esquerda para recuperar espaço perdido. Porém, terá que batalhar com o beirismo por representar um similar espaço sociopolítico.

Parte da batalha será ocupar similar campo. A UPG tem infantaria, muniçom, logística e disciplina, mas carece de generais com prestígio e reconhecimento popular.

Beiras carece do que a UPG possui. Porém, tem Beiras. Embora a pergunta seja: por quanto tempo com plena operatividade? Para consolidar o movimento realizado a 12 de fevereiro terá que se implicar a fundo com o desgaste inerente acrescentado polas suas limitaçons biológicas.

Porém, a sua personalidade e caraterísticas da sua figura impossibilitam umha construçom coletiva de um novo projeto político. O gigantismo do seu perfil político e basicamente a prática do seu último período no BNG tem reforçado um estilo individualísta, pouco proclive a cumprir decisons colegiadas que nom compartilha, saltando permanentemente por cima do guiom.

A guerra interna no autonomismo nom era nossa, como tampouco as conseqüências do conflito.

A modo de síntese

A crise do BNG coincide com umha nova reforma laboral seguindo as diretrizes do solicitado pola CEOE e a troika. O pacote de medidas aprovadas polo governo do PP aprofundam na linha da reforma laboral de Zapatero de 2010 convertendo o despedimento em mais fácil e barato.

A necessidade urgente de fazer frente a ilimitada ofensiva burguesa contra o mundo do Trabalho e a prioridade das e dos comunistas galegos. A greve geral anunciada pola CIG para finais de março conta com o nosso pleno apoio. Nos piquetes, barricadas e nos combates e protestos das ruas coincidiremos com algumha parte dos agentes envolvidos na crise autonomista. A unidade popular deve lavrar-se na luita. Mas, quanto ao que sucede no seio do autonomismo, nós ao nosso!

Galiza, 14 de fevereiro de 2011