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I want to be your friend

Quarta-feira, 22 Abril 2009


Carlos Morais

Assim de claro espetou-lhe este desejo Chávez a Obama no primeiro contacto físico entre o novo “imperador” norte-americano e o dirigente revolucionário venezuelano. Os factos tivérom lugar 17 de Abril nas Caraíbas durante a V Cimeira das Américas, um evento que ninguém queria acolher no seu território, e que finalmente foi realizado em Trinidade e Tobago.

A profunda crise económica dos EUA coincide com a maior queda de legitimidade e despretígio a escala mundial que padece Washington desde a guerra que perdeu no Viet Nam há pouco mais de trinta anos.

As brutais políticas aplicadas a ferro e fogo na era Bush Jr. nom só constatárom a sua ineficácia, como também a perda de autoridade e o incremento das posiçons anti-imperialistas em boa parte dos povos.

Em declínio inexorável como potência-mundo, enormemente preocupada polos dados macroeconómicos que confirmam umha recessom similar ou mesmo superior a de 1929, sem avanços significativos na desesperada apropriaçom pola força dos recursos energéticos e minerais do Iraque, com o grosso das forças militares estagnadas nos campos de batalha do continente asiático, as elites norte-americanas optárom por introduzir mudanças radicais na sua deteriorada imagem.

As “boas” declaraçons de intençons respondem basicamente à urgente necessidade ganharem tempo e recomporem forças.

Nom é por acaso que nas etapas mais convulsas das políticas imperialistas, quando som visíveis os sintomas da sua vulnerabilidade e fraqueza, o complexo militar-industrial opte por situar na Casa Branca umha pomba.

Neste caso, após umha década de guerra interminável contra os povos e o conjunto da humanidade, era imprescindível optar por um recámbio radical. O antipático e ignorante cowboy, que tam bem defendou os interesses das grandes companhias petroleiras e das fracçons da grande burguesia ianque vinculadas com a indústria energética e militar, estava esgotado, queimado na sua acepçom popular.

No nível interno, um maior empobrecimento das massas populares, a proletarizaçom de sectores das classes médias, e o incremento das diferenças sociais, é tam preocupante como o ódio generalizado que a pulso ganhárom nas genocidas campanhas militares implementadas a partir do trio dos Açores.

Estados Unidos é um gigante com pés de barro. Para perpetuar o império, necessita continuar a manter umha indiscutível hegemonia militar. Mas para poder alimentar as despesas da maquinaria bélica que permite assegurar o saque dos povos é necessário vitórias rápidas e pouco custosas. Nem no Iraque -apesar dos avanços experimentados-, nem no Afeganistám, e muito menos na Colômbia, som visíveis.

Já que nom funciona a política do pau, optemos por reforçar a da cenoura

Um presidente mestiço -embora se opte conscientemente por qualificá-lo de preto- de fácil sorriso e discurso aparentemente dialogante e progressista, é a melhor opçom para umha etapa turbulenta e complexa em que o que se percisa é alguém com “mao esquerda”. Assim aparece Barack Hussein Obama, o “primeiro presidente preto” dos Estados Unidos.

Com esta jogada de simples imagem, mas sumamente eficaz, Washington nom introduz nengumha mudança na essência predadora da sua natureza intrinsecamente imperialista. Tampouco poderia fazâ-lo, pois seria apostar no suicídio e as oligarquais nunca optam por esta alternativa. Trata-se é de aplicar umha maquilhagem que facilite continuar a fazer o mesmo sem que se note tanto. E de cosmética os ianques sabem muito! Até aqui nada novo. Esta receita já foi aplicada noutras etapas.

Para evitar umha convulsom social de incalculáveis conseqüências, Franklin D. Roosevelt (1933-1945) aplicou políticas intervencionistas, o New Deal; posteriormente para ultrapassar os traumas e a desvertebraçom social da humilhante derrota frente ao Partido Comunista Vietnamita e a lamentável situaçom das arcas estatais, Jimmy Carter (1977-1981) suavizou as formas da política exterior; mais recentemente Bill Clinton (1993-2001) cumpriu um papel semelhante após a era do neoliberalismo selvagem de Reagan e Bush pai.

Estamos pois perante umha manobra já ensaiada com relativo sucesso. Por este motivo, nom podemos cair na ingenuidade de pensar que Obama vai mudar as estratégias imperialistas que de forma sistemática venhem aplicando os Estados Unidos desde que o seu terceiro presidente, Thomas Jefferson, proclamou que eram “o Império da liberdade”, criando o corpo de marines estreado no norte de África em 1801.

Obama nom quer, nem tampouco poderia, alterar os parámetros das políticas norte-americanas pois seria a sentença a morte do império, seria acelerar o seu declínio.

O que sim pretende é gerar um novo clima sociopolítico que progressivamente faga esquecer a era Bush para assim poder recompor-se no objectivo de fazer frente às grandes ameaças que fam perigar a sua hegemonia em escala mundial. As enormes contradiçons geradas pola divisom internacional do trabalho imposta polo capitalismo global e a crise ecológica que ameaça a sobrevivência planetária nom tenhem soluçom neste modo de produçom. O capitalismo é o responsável. Obama e a sua equipa sabem-no. Porém, ele vai continuar a explorar os povos e as classes trabalhadoras para perpetuar um sistema baseado nas desigualdades, cuja data de caducidade está próxima, embora poda ainda resistir muitas décadas.

Estamos convencidos que o presidente Chávez é consciente que Obama vai continuar a aplicar políticas intervencionistas e neocoloniais na América Latina e nas Caraíbas, que vai continuar a manter o bloqueio criminoso contra Cuba, apoiando economica e militarmente o regime fascista de Uribe, promovendo a desestabilizaçom de Evo na Bolívia, apoiando a oligarquia golpista venezuelana. Mas tampouco vai mudar o seu veto na ONU respeito os direitos inalienáveis do povo palestiniano, nem retirar o seu incondicional apoio ao regime terrorista de Israel; e muito menos alterar a condena à inaniçom, doenças e conflitos bélicos promovidos polas multinacionais e as potências imperialistas em África.

Seria um erro de apreciaçom deixar-se seduzir tam facilmente polas enormes doses de cinismo e fluor que caracterizam as intervençosn públicas e bons desejos do presidente dos Estados Unidos.

Esta mudança de estilo e de formas é conjuntural, pois antes ou depois vai ver-se obrigado a empregar com contundência esse punho invisível que acompanha permanentemente a mao invisível do mercado em palavras de Tomas Friedman.

Porém, há que assumir que pode prejudicar a acumulaçom de forças anticapitalistas e anti-imperialistas na área, assim como no conjunto do planeta.

Os seres humanos, por natureza, procuramos a conciliaçom e o acordo, fugimos do conflito e do confronto, optamos por agüentar e adiar batalhas. Todo o mundo aplica esta filosofia na sua vida diária. Nas dinámicas dos povos e das classes sociais acontece o mesmo.

Fraco favor à emancipaçom e libertaçom seria procurar um achegamento com o inimigo porque agora situou um jovial, dialogante e simpático homem de cor na cabeça de um império criminoso com o qual nom se poderia negociar mais que o seu desmantelamento. Este nunca se vai a produzir mais que por a combinaçom da luita anti-imperialista em escala global com a luita de classes interna que emanarám das contradiçons crescentes pola sua cada vez maior fraqueza à hora de impor o espólio e saque dos recursos que já consumiu no seu território e necessita extrair pola força dos povos do mundo.

“O sistema capitalista nom vai evoluir, nem vai desaparecer por si, nem vai entregar o poder, a única perspectiva que existe é o seu derrubamento pola força” em palavras do Francisco Martins Rodrigues, quem há agora um ano deixou de estar fisicamente connosco.

Obama sabe perfeitamente isto. Como também sabe que as políticas magistralmente denunciadas por Galeano nas Veias Abertas de América Latina, o livro que recebeu como presente de Hugo Chávez, devem prosseguir na sua essência inalteradas, pois disso depende nom só continuar a ocupando o gabinete oval, mas a sobrevivência do império.


Galiza, 21 de Abril de 2009