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Governo bandido

Quinta-feira, 5 Janeiro 2012

Carlos Morais

O novo governo espanhol do PP encabeçado por Mariano Rajói é um governo bandido. Bandido no sentido em que desenvolve a sua gestom em base a roubos ou outras atividadesatividades ilícitas. Mas bandido também porque carece de honestidade.

Aos poucos dias de se constituir, reiniciou o processo de incremento do roubo legalizado das conquistas laborais e direitos sociais das maiorias. Simultaneamente, aumentou impostos e anunciou subida do IVA para março (após eleiçons andaluças e a galegas?), contrariamente ao que prometeu e jurou dom Mariano e a sua equipa ao longo da campanha eleitoral e nos meses prévios de descomposiçom da nefasta experiência zapaterista.

Nengumha destas medidas implementadas até o momento nas poucas semanas que ocupam a Moncloa, nem as anunciadas e previstas, pode e deve surpreender a classe obreira com consciência. Som simplesmente a continuidade natural do pacote ultraliberal que véu aplicando Zapatero e que a troika exige. Nada novo, pois. Crónica de umha ofensiva anunciada.

Como tampouco é surpresa algumha a composiçom do executivo. Rajói dotou-se de umha equipa de pessoas representantes ou ligadas aos setores económicos e fácticos mais reacionários, que marcam as diretrizes socioeconómicas numha economia de mercado como a espanhola. Neste caso, representam a fraçom mais conservadora da oligarquia, mas nom nos enganemos, Mariano nom se fijo ainda acompanhar pola ala mais extremista do PP na imensa maioria das áreas de governo, salvo na vinculada com os aparelhos coercitivos do Estado.

Início do início

Na apresentaçom pública das primeiras medidas de cortes, subida de impostos e privatizaçons, depois do congelamento do SMI em 641.40€, a vicepresidenta do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, foi mui sincera quando afirmou que eram “só o início do início”.

Esta declaraçom de guerra contra o conjunto dos interesses populares vinha previamente acompanhada de um facto que nengum meio burguês noticiou: a Guarda Civil, nos últimos dias de 2011, fechou umha colossal compra de material repressivo (basicamente gases lacrimogéneos e “artifícios fumígenos”) por um milhom e meio de euros.

A instituiçom fundada polo tristemente célebre Duque de Ahumada é consciente do cenário de confrontaçom que se divisa no horizonte, à medida que as políticas neoliberais sigam golpeando nas condiçons de vida e trabalho da classe trabalhadora. Prepara-se pois para os combates de rua.

Os novos cargos políticos eleitos para dirigir tanto a Guarda Civil como a Polícia Nacional sim representam posiçons extremistas. Som peças adequadas para nom tremer nem duvidar  sobre o emprego da força para sufocar as luitas que se prevém.

Manobras de distraçom

A burguesia tem séculos de experiência, basicamente mais de douscentos anos exercendo como classe dirigente e portanto opressora. Sabe perfeitamente da necessidade de combinar consenso e repressom. Empregar com habilidade esta dialética permite manter e perpetuar a hegemonia sobre a maioria social.

De momento na Galiza a repressom é bastante invisível, basicamente seletiva e tem um efeito dissuasório. O atual nível de desenvolvimento da luita de classes é baixo, mui inferior à gravidade da situaçom objetiva e sobretodo ao futuro a meio prazo.

Porém o Estado burguês sabe perfeitamente que os tempos vam ser turbulentos. Sem lugar a dúvidas prepara-se para esse cenário, mas de momento basicamente tenta atrasá-lo.

De facto, a principal estratégia que está implementando é a difusom de cortinas de fumo que desviem a atençom das massas. Nos últimos meses, após a implosom do movimento 15-m e a sua “morte doce” logo das eleiçons de 20 de novembro, ativárom e aprofundárom basicamente duas: arejar os escandalosos salários de políticos e banqueiros, e a imputaçom por corrupçom do genro do Bourbon.

Embora seja umha arma de duplo gume, é eficaz, ao permitir concentrar o foco da atençom popular em questons secundárias e mesmo triviais, evitando o questionamento das políticas económicas e sociais do governo, e sobretodo na hora de construir alternativas anticapitalistas.

Com esta estratégia de distraçom, conseguem injetar legitimidade na democracia burguesa apresentando-a como transparente, protegendo-a assim do necessário escoramento popular face o questionamento integral do modelo imposto na segunda metade da década de setenta do passado século.

A estabilidade do regime é aparentemente grande, mas também cada vez som mais visíveis os seus pontos fracos e a sua fragilidade. A sua maior vulnerabilidade radica na incapacidade de manter o “contrato social” negociado na Transiçom. Se nom tivesse sido necessário para paliar males maiores à burguesia, nom teria difundido os astronómicos salários da casta política, nem tampouco divulgado os obscenos salários, primas, liquidaçons e reformas da burguesia financeira, e muito menos salpicado a Coroa na corrupçom generalizada que carateriza o pós-franquismo. É a política do mal menor, é necessário ceder em algo para manter intacto o cerne do modelo.

Porém, seguem contando com uns aliados fundamentais: o sindicalismo pactista e a esquerda parlamentarista. Som imprescindíveis para sustentar este regime apodrecido que só oferta um futuro de miséria e exclusom.

A traiçom das suas direçons à luita popular tem sido indispensável para poder compreender a calma e atonia social, e nom nos referimos precisamente à que carateriza o período natalício.

Papel das comunistas

Alterar a correlaçom subjetiva de forças é vital para fazer frente às ameças lançadas pola porta-voz do governo espanhol. Nom som momentos de aguardar por ninguém, mas sim de avançar na construçom do partido comunista combatente. Mas só é possível forjá-lo ao calor da luita de classes. Cumpre agitar, organizar e promover a luita popular contra Espanha e o Capital.

Eles tenhem umha estratégia definida. Sabem perfeitamente o que querem. Nós também. A maior diferença qualitativa neste desigual confronto é que nós carecemos dos meios do inimigo. Porém, nom estamos em condiçons de prolongar a desmobilizaçom obreira e nacional. Nom podemos seguir bloqueadas e paralisados. Há que agir. Preparar-se para o confronto, para poder ganhá-lo, para que a revolta avance pola via da Revoluçom Galega. Eis as tarefas dos comunistas galegas neste ano que iniciamos.

Galiza, 5 de janeiro de 2012