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NÓS-UP avalia as primeiras medidas do executivo de Rajoi

Terça-feira, 3 Janeiro 2012

Reproduzimos polo seu interesse o comunicado feito público por NÓS-UP perante a composiçom do novo executivo espanhol e as primeiras medidas adoptadas contra a classe trabalhadora.

NÓS-Unidade Popular analisou já durante a passada campanha eleitoral qual seria a dinámica que se seguiria à eleiçom do novo governo espanhol. Agora, as primeiras medidas do executivo de Rajoi confirmam que vai continuar, aprofundando-a, a mesma linha neoliberal do PSOE.

Nom é a primeira vez que o PSOE serve de assistente dos verdadeiros donos do Estado espanhol, fazendo o trabalho sujo ao grande capital que está, sem dúvida, melhor representado na alta burguesia do Partido Popular. Só há que ver a composiçom dos executivos de Zapatero e de Rajoi para comprovar que, sendo uns e outros servidores do núcleo dirigente do capitalismo, os que agora ocupam o governo espanhol tenhem umha mais estreita vinculaçom pessoal com esses interesses.

Assim, vemos como Luís de Guindos, um diretivo da corporaçom responsável polo início da atual crise, Lehman Brother, ocupa o Ministério da Economia; executivos de firmas do setor armamentístico como Pedro Morenés Eulate, situam-se à frente do Ministério da Defesa; extremistas católicas, como Ana Mato, tomam posse do Minstério de Assuntos Sociais, Saúde e Igualdade; falcons do neoliberalismo económico como Cristóbal Montoro assumem o departamento das Finanças; herdeiros biológicos da nomenclatura franquista, como Alberto Ruiz-Gallardón, na pasta da Justiça; e até um “opinador profissional” da brunete mediática ligada ao PP e ao BBVA, José Ignacio Wert, fam-se cargo do Ministério da Cultura… todo isso, junto a gestos definitórios como a supressom de qualquer paridade, com só 4 mulheres no governo, define a linha dura do executivo da direita ultraliberal espanhola que lidera Mariano Rajoi.

Alguém poderia pensar que a esquerda independentista galega está a fazer apriorismos ao analisar nesses termos a nova equipa de governo resultante da derrota do PSOE no dia 20 de novembro. No entanto, só houvo que esperar ao segundo Conselho de Ministros para comprovar o continuísmo, as mentiras e os interesses que movem o PP, disposto a aproveitar a coarctada da crise para acabar de desmontar direitos históricos fundamentais que convertem, cada vez mais claramente, o suposto Estado de direito espanhol numha falácia montada polos poderosos para exercer a sua ditadura de classe.

Seguindo o roteiro esperado, a porta-voz do governo, Sáenz de Santamaría, anunciou nesta sexta-feira umha primeira série de medidas contra a classe trabalhadora em geral, e contra os setores mais desfavorecidos em particular, com a escusa de um suposto engano nas contas deixadas polo anterior governo, que impediria atingir as metas do défice recentemente aprovadas polos dous grandes partidos através de umha fraudulenta reforma constitucional.

De maneira “inesperada” e “excecional”, dixo a porta-voz do governo espanhol, o novo executivo vai desatar umha ofensiva da qual só avançou umha primeira série de medidas: congelamento do Salário Mínimo Interprofissional, congelamento de salários para empregados e empregadas públicas com um aumento da jornada laboral até as 37,5 horas; aumento indiscriminado do IRPF para toda a populaçom, salvaguardando os privilégios dos ricos que patrocinam o PP; suspensom da incorporaçom de pessoas beneficiárias de ajudas estatais por dependência; corte nas ajudas de aluguer de vivendas a jovens; confirmaçom da aplicaçom da Lei Sinde, obedecendo pressons do setor cinematográfico norte-americano; manutençom e desvio do imposto do cánon digital a toda a populaçom através do IRPF…

Sáenz de Santamaría afirmou que esta primeira série de medidas, que suprime 20.000 milhons dos gastos sociais que até agora assumia o Estado espanhol, é só o início, e que logo virám mais.

Nom temos nengumha dúvida disso. Tampouco temos nengumha dúvida de que o ataque às autonomias limitadas atuais será incluído nas próximas medidas draconianas da direita espanhola. Com a escusa da falsa austeridade, a Galiza enfrentará umha recentralizaçom que pode supor umha volta ao unitarismo em termos franquistas, destruindo as pequenas cessons das últimas décadas. Algo disso já está a acontecer, mediante o esvaziamento orçamental de qualquer política favorável, por exemplo, à recuperaçom social dos usos do galego, a nossa língua nacional, protagonizado pola Junta da Galiza, também em maos do PP. O mesmo acontece em ámbitos como o sanitário, o educativo e as ajudas sociais.

O turnismo capitalista em tempos de crise vai limitar-se a isso: mais e mais cortes, mais e mais espanholismo, que garanta que os verdadeiros donos do sistema mantenham os seus lucros e nível de vida, à custa do empobrecimento crescente e generalizado do resto e da destruiçom das realidades nacionais nom homologadas, como a galega.

A única dúvida que nos resta é se este processo degenerativo do suposto Estado de direito espanhol vai ser aturado indefinidamente polos setores maioritários do povo trabalhador galego. Pola nossa parte, de NÓS-Unidade Popular faremos o possível por estender a consciência de que a soluçom a esta debacle do sistema passa pola sua derrota definitiva, e nom polo turnismo entre a direita e o reformismo. Passa também pola defesa da soberania nacional plena, da independência, como via para a construçom do socialismo, na Galiza e em irmandade com todos os povos da Península, da Europa e do mundo.

Nom é pequeno o desafio que enfrentamos como corrente revolucionária da esquerda social galega. Apelamos aos setores mais conscientes do nosso povo à unidade nesse duro combate pola dignidade nacional e social de género, até a derrota definitiva de Espanha e do capitalismo.

 

Direçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

Galiza, 31 de dezembro de 2011