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Este fedor a fascismo

Segunda-feira, 19 Dezembro 2011

António Barata

Os distraídos e os ingénuos não se compenetram do que significam as preocupações que por aí andam sobre a crise e o consequente aumento da criminalidade, o perigo dos protestos não controlados pelos sindicatos e pelos partidos do sistema, a paranóia com a videovigilância e o aumento dos efectivos policiais.

Alguns alucinados, mas com poder de influência e decisão, já falam em dotar a polícia de blindados para patrulhar os bairros onde vivem os pobres e dotar as polícias privadas de armas de fogo.

Estas atitudes vão a par com as justificações “desdramatizantes” sobre o papel das infiltrações de provocadores policiais nas manifestações, nas “assembleias populares” e outras, e na tranquila aceitação de que as polícias questionem sindicatos e organizações sobre as acções a realizar ou violem a lei reprimindo e impedindo a actuação dos piquetes de greve.

São elucidativos de um novo tipo de actuação policial os incidentes verificados durante a greve geral e nas duas últimas manifestações frente à Assembleia da República. Vivemos os primeiros episódios de uma campanha de fundo pelo reforço da ordem e da autoridade, iniciado com a intervenção da polícia de choque nos protestos contra a cimeira da NATO em Lisboa.

Contra quem? Não contra o crime de colarinho branco, os milionários e o grande patronato que “deslocalizam” as suas fortunas e as sedes de empresas para os paraísos fiscais e o estrangeiro, descapitalizando assim a economia. Nem contra toda essa gentinha que durante décadas se serviu dos cargos do Estado, do governo e das empresas públicas para enriquecer despudoradamente, realizando obras públicas faraónicas para deixar uma “marca” da sua passagem, ou promovendo os fraudulentos cambalachos das parcerias público-privadas, das empresas municipais, e por aí fora. Estes tiques autoritários, que agora começam a ser mais evidentes, têm um alvo muito preciso – os que estão por baixo, os dois terços de portugueses que vivem pobres, com rendimentos abaixo dos 600 euros, os desempregados, os precários, os jovens revoltados e todos os inconformados.

É transparente o significado de classe do discurso sobre o “protesto pacífico e dentro da lei” e da “manutenção da ordem” em tempo de crise. Depois de terem andado anos a preparar os espíritos dos cidadãos para a criminalização dos pobres, os que mandam passaram à fase de matar à nascença e pela força qualquer explosão de indignação da massa dos deserdados contra uma classe arrogante que vive na opulência e passa pela crise sem verdadeiramente a sentir.