Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

Umha sombra bélica paira sobre o Irám

Quarta-feira, 14 Dezembro 2011

Txente Rekondo

Desde o passado verao, venhem sucedendo-se os acontecimentos que situam o Irám no centro de umha estratégia que pom o país muito próximo de um perigoso cenário bélico, e inclusive perante umha possível agressom militar por parte dos Estados Unidos e Israel. Durante estes meses, a maioria de acusaçons contra o Irám tenhem estado baseadas em factos e informaçons que com o passar do tempo se demonstrárom falsas, mas que servirom para atacar dialeticamente ou com sançons aquele país.

Primeiro foi o suposto complot iraniano para acabar com a vida do embaixador saudita nos EUA (mais próprio de umha tragicomédia de Hollywood); posteriormente, fôrom as acusaçons de que Teerám estava por trás dos protestos populares no Barein (um posterior relatório do próprio governo local desmentiria essa teoria); recentemente, o Organismo Internacional de Energia Atómica (OIEA) publicou um relatório que serviu de desculpa para que tanto os EUA como Gram Bretanha intensifiquem a sua campanha de sançons económicas e diplomáticas contra o Irám.

Posteriormente, o assalto à embaixada britânica em Teerám provocou a expulsom dos diplomatas iranianos em Gram Bretanha, ao tempo algumhas notícias sem confirmar apontavam para duas importantes explosons na cidade de Isfaam, que supostamente afetaria as instalaçons nucleares próximas dessa cidade iraniana.

A última desculpa que utilizárom Washington e os seus aliados foi o relatório da OIEA sobre o programa nuclear iraniano. Importantes especialistas e analistas de todo o mundo pugérom em questom tal relatório, alegando que o sustento do mesmo se baseou em informaçons procedentes de alguns serviços secretos de países nada próximos do regime de Teerám. Além do mais, algumhas fotografias apresentadas som de inícios da atual década, ou se fai mençom a um programa sobre mísseis que o Irám abandonou há anos, ou se tenta vincular ao programa nuclear um especialista ucraniano que trabalhou no país nos anos noventa.

Como assinalam essas fontes, a maior parte do relatório fai referência a atividades anteriores a 2003, obviando o que a própria inteligência norte-americana reconheceu em 2007: que o programa nuclear iraniano foi “pacífico desde 2003” e ocultando intencionadamente a colaboraçom que o governo iraniano tem estado mantendo com a citada agência. Todo fai indicar que a OIEA nom contrastou a informaçom fornecida por alguns governos (desinformaçom chamam alguns a isso), mas o seu relatório serviu para aumentar a pressom em torno do Irám através de sançons (o que alguns definem como umha verdadeira guerra económica).

EUA aproveitou com rapidez esta nova conjuntura. As pressons dos chamados falcons da política exterior estado-unidense, e do próprio Congresso, junto às eleiçons presidenciais do próximo ano, contribuírom para que a administraçom de Obama se decante por um novo pacote de medidas sancionadoras contra o Irám. O facto de que nesta ocasiom se faga fincapé numha suposta rejeiçom do crude e gás iraniano pode pôr terceiros países numha complicada situaçom, aliados dos EUA, mas que dependem do fornecimento iraniano (na Europa, Grécia, Itália e o Estado espanhol, e na Ásia, Japom, Coreia do sul ou Índia, além do gás iraniano que compra a Turquia). E todo isso sem esquecer que a China mantém importantes acordos comerciais com Teerám.

Nom demorou muito tempo Londres a se somar a esse guiom contra o Irám. As sançons financeiras com a desculpa do relatório da OIEA fôrom o detonante dos acontecimentos posteriores que trouxérom consigo o fechamento da sua embaixada em Teerám e a expulsom de todos os diplomatas iranianos do Reino Unido. As posteriores manifestaçons no Irám, assalto à embaixada incluído, há que enquadrá-las nesse contexto e numha história de confrontos e desconfianças entre ambos países. A populaçom iraniana nom esquece o papel que jogou Londres no seu dia “no golpe de estado contra Mohammed Mosaddeq e todos os crimes do velho colonialismo británico contra o Irám”.

Por isso som muitos os que veem nestas manobras umha evidente tentativa de “mudança de regime”, mais ainda vendo o que aconteceu na Líbia, ou o que estám a tentar repetir na Síria. Nom obstante, a maioria de analistas coincidem em apontar que a situaçom nom é a mesma no Irám e dificilmente poderá repetir-se o citado roteiro. Ao invés, som a cada vez mais as vozes que apontam para que esta campanha de isolamento contra Teerám está encaminhada a incrementar a “iranofobia”, como prévio passo para outro tipo de atuaçons contra o país.

A campanha de guerra psicológica e bélica contra o Irám está em marcha. Por um lado, está a parte mais visível e retórica, com ataques e acusaçons públicas e sobretodo com umha constante ameaça de passar das palavras aos factos. Mas por outro lado está a guerra encoberta ou suja que levam praticando desde há tempo EUA e Israel contra Teerám. Sabotagens industriais, guerra cibernética ou eliminaçom física de personalidades iranianas unidas ao programa nuclear ou ao aparelho militar som algumas feiçons dessa estratégia.

Se bem a resposta do Irám está a ser comedida, evitando umha escalada bélica ou umha resposta que sirva de desculpa a umha posterior agressom em maior escala, isso nom evitou que o governo iraniano tenha desmantelado nestes meses umha importante rede de espias que trabalhavam para os EUA, o que supujo à sua vez um duro golpe para a CIA no país e na regiom. Os dirigentes iranianos estudam vários possíveis cenários em torno de umha agressom militar por parte de EUA. Um ataque aéreo em larga escala, seguido de umha operaçom em massa terrestre; umha agressom limitada para forçar o Irám a umhas negociaçons em baixa; ou umha guerra encoberta para debilitar a capacidade operativa militar iraniano. O terceiro cenário (umha guerra de inteligência) é o que ponderam em Teerám, onde a orquestraçom de umha guerra psicológica procuraria “arrebatar algumhas das cartas que nos dias de hoje o Irám tem” numha hipotética futura negociaçom.

Também nos escritórios norte-americanos levam tempo a analisar as consequências de umha agressom militar contra o Irám e a maioria dos assessores da administraçom coincidem em ressaltar que um ataque israelita “seria dez vezes pior” que um dos EUA. As hipotéticas respostas do Irám inquietam em Washington, onde estudam todo um leque de cenários. Um ataque iraniano contra instalaçons petrolíferas de Arábia Saudita (unido a um levantamento xiíta na zona), sob o pretexto de que Israel usaria o espaço aéreo saudí para o ataque; ataques contra território israelita e contra instalaçons militares, criando um clima de insegurança em Israel; converter o Iraque e o Afeganistám num paiol, com as dramáticas consequências que isso traria para as forças ocidentais, som algumas das hipóteses que preocupam sobremaneira os impulsores do atual roteiro contra o Irám.

O cenário internacional está a se mover em torno destas hipóteses. O domínio regional tem muitos pretendentes (Irám, Arábia Saudita, Turquia ou Egito) e as alianças nesse contexto som evidentes. O pulso que o Irám mantém com os EUA, Israel e Arábia Saudita apresenta-se em diferentes lugares, desde a Síria ao Líbano, passando polo Iraque ou o Afeganistám. A desculpa atual, em torno da capacidade nuclear do Irám, cairia por si mesma, sobretodo se virmos os dous pesos e duas medida perante Israel (nom assinou o tratado de nom proliferaçom de armas nucleares, impede qualquer inspeçom internacional e a sua capacidade quantitativa é muito maior e mais perigosa).

A queda da Síria debilitaria o Irám, que perderia um aliado estratégico, e as sabotagens e a guerra suja procurariam umha maior vulnerabilidade de Teerám diante da configuraçom do novo panorama regional. Num recente relatório, assinalava-se que os EUA tem três opçons: aceitar o programa nuclear iraniano, tentar um acordo sobre o uso pacífico do mesmo ou umha açom bélica. Provavelmente, dos três este seja o que tenha as consequências mais terríveis e imprevisíveis e, por isso, seria a opçom a evitar. Nom obstante, a sombra bélica segue a planear sobre o Irám, conforme um guiom elaborado há tempo em Washington ou Tel Aviv.

Gabinete Basco de Análise Internacional (GAIN)

Fonte: La Haine