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A crise do sistema capitalista e as ensinanças do M-L

Segunda-feira, 12 Dezembro 2011

Telmo Varela

A sociedade capitalista já há uns anos que atingiu o seu mais alto grau de desenvolvimento económico, a partir do qual inicia a entrar numha crise de tal calado que nom dá saído nem sairá. Ora bem, a sua própria descomposiçom interna, por si só, nom leva à desapariçom do sistema capitalista.

E polo que estamos a ver, tampouco as greves gerais. Na Grécia no ano 2010 levárom a cabo 8 greves gerais, no que levamos de ano 7 e a situaçom nom melhorou nem se freou a aplicaçom de cortes sociais por parte do Governo.

Todo indica que estamos num longo período de convulsons que vai obrigar as massas a aplicarem formas de luita muito diferentes às utilizadas até agora.

Por todo isto, é importante analisar detidamente as ensinanças que nos deixou Lenine “O marxismo exige incondicionalmente que o problema das formas de luita se foque historicamente. Formular este problema à margem da situaçom histórica concreta é tanto como nom compreender os rudimentos do materialismo dialético”. E prossegue: “em diferentes momentos da evoluçom económica, com a sujeiçom a diversas condiçons políticas, culturais-nacionais e de vida, et cétera, destacam-se em primeiro lugar diferentes formas de luita principais e, em relaçom com isto, variam a sua vez as formas secundárias, acessórias. Quer responder simplesmente que sim ou que nom a um determinado meio de luita, sem entrar a considerar em detalhe a situaçom concreta do movimento de que se trate numha fase dada do seu desenvolvimento, equivale a sair totalmente do terreno do marxismo”1.

E bem, em cada momento da evoluçom económica e consoante as diferentes condiçons políticas, um método de luita principal pode passar a secundário e é aqui a importáncia da aplicaçom do materialismo dialético. Lenine também nos dá umha clara explicaçom a este respeito: “Na década de setenta, a social-democracia rejeitava a greve geral como panaceia social, como meio para derrocar de golpe a burguesia por umha via nom política, mas reconhecia plenamente a greve política de massas (…) como um dos meios de luita necessários em certas condiçons. A social-democracia reconheceu a luita de barricadas na rua pola década de 40 do século XIX -rejeitando-a em troca, a finas de dito século, à vista de determinados dados- e mostrou-se plenamente disposta a revisar esta última conceçom, ao reconhecer a conveniência da luita de barricadas depois da experiência de Moscovo, em que se manifestou, segundo as palavras de Kautsky, umha nova tática deste tipo de luita”2.

Historicamente, porém, essas contínuas mudanças de tática que venhem impostas por cada conjuntura económica e política, pode-se dizer que de primeiros de século, desde a entrada do capitalismo na fase imperialsita e o início da nova era revolucionária que isto trouxo consigo, a tendência do movimento revolucionário é a empregar novas e cada vez mais elevadas formas de defesa e de ataque, a luita guerrilheira. Ou bem rural ou urbana, ou ambas.

Hoje nom nos achamos na época da livre concorrência económica e do império da constituiçom democrática, quando lhe era possível à classe obreira organizar-se e utilizar as mesmas instituiçons burguesas para “luitar contra essas mesmas instituiçons”, tal e como Engels assinalou. Hoje achamo-nos no monopolismo e a reaçom política, quando a burguesia mesma há tempo que rompeu a legalidade democrática que governou todos os seus atos noutros tempos, quando o capital monopolista eliminou todas as travas jurídicas e instituiçons que impediam a sua atuaçom contrarrevolucionária aberta.

Era lógico, pois, que a tática da luita do proletariado conservasse até entom, junto às novas formas, parte das antigas; ora bem, tal como indicou Lenine, estas últimas formas deveriam subordinar-se às primeiras, quer dizer, os novos métodos de luita engendrados polas novas condiçons económicas e políticas, e polo auge do movimento revolucionário de massas em acelerado desenvolvimento. “As antigas formas -dizia Lenine- rompêrom-se. Pois resultou que o seu novo conteúdo antiproletário, reacionário, adquirírom um desenvolvimento desmesurado”; portanto, chamava Lenine, há que “trasnformar, vencer e submeter todas as formas, nom só as novas, como também as antigas; nom para se conciliar com estas últimas, mas para saber converté-las todas, as novas e as velhas, numha arma completa, definitiva e invencível do comunismo”3.

Dumha maneira mais ou menos acertada e consciente, toda organizaçom revolucionária que se aprecie deve aplicar os métodos de luita que correspondem às novas condiçons históricas.

Quero finalizar com as ensinanças de Lenine sobre os métodos de luita com umha citaçom aparecida no Abrente nº 62.

“O marxismo, que rejeita incondicionalmente todo o que forem fórmulas abstratas ou receitas doutrinárias, reclama que se preste a maior atençom à luita de massas em marcha, que, com o desenvolvimento, com o crescimento da consciência das massas, com a agudizaçom das crises económicas e políticas, engendra constantemente novos e cada vez mais diversos métodos de defesa e ataque.

Daí que o marxismo nom rejeite incondicionalmente nengumha forma de luita. O marxismo em modo nengum se limita às formas de luita possíveis e existentes só num momento dado, já que reconhece a inevitável necessidade de formas de luita novas, desconhecidas para quem age num período determinado e que surgem ao mudar a conjuntura social dada. Neste aspeto, o marxismo aprende, se for admitida a expressom, a prática das massas e nada mais longe dele que a pretensom de ensinar as massas formas de luita caviladas por “sistematizadores” de gabinete. Sabemos -dizia por exemplo Kautsky, considerando as formas da revoluçom social- que a futura crise trará novas formas de luita, que agora nom podemos prever”4.

Prisom de Topas (Salamanca)

6 de dezembro de 2011

Notas

1. V.I. Lenine: “A guerra de guerrilhas”.

2. Idem.

3. V. I. Lenine “O esquerdismo, doença infantil do comunismo”.

4. Proletari nº 18, 13 de setembro de 1905.