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“Letal arsenal de guerra”

Segunda-feira, 5 Dezembro 2011

Carlos Morais

A operaçom repressiva espanhola saldada até o momento com seis detençons foi perfeitamente planificada também no ámbito mediático. As cloacas dos aparelhos contrainsurgentes espanhóis deslocados do País Basco à Galiza tenhem dilatada experiência na construçom de realidades virtuais que facilitam entre as massas a justificaçom do combate popular.

Ainda nom divulgárom o nome da operaçom em curso. Motivos terám para nom té-lo feito.

Sábado à tarde a Rádio Galega “informava” da detençom de duas militantes em Lugo. Afirmava a emissora que formam parte de umha organizaçom armada sustentando-se em que no domicílio de Antom e Maria tinham sido encontrados vários computadores, mémórias usb, telefónes móbiles e também (sic) “umha cámara fotográfica”. Com tam perigoso arsenal de guerra pouco mais havia que dizer para condenar a ambos independentistas.

A notícia semelha mais um esquech daqueles absurdos relatos de brincadeira caraterísticos daquelas crónicas bélicas com as que ironizava há anos um cómico espanhol chamado Gila. Mas nom! Era a linha informativa da emissóra pública galega.

A mesma rádio que pertence ao ente público em processo de privatizaçom denominado CRTVG que uns dias antes enviava as suas cámaras para penetrar sem autorizaçom na horta da família de Santi e Eduardo Vigo vulnerando o direito à intimidade de uma mae desgarrada pola dor provocada pola repressom espanhola.

Nom há dúvidas de que o ministério espanhol do interior condidera de enorme importáncia o absoluto submetimento e controlo dos meios à hora de implementar esta vaga repressiva. Nom nos surpreende. É um dos alicerces básicos de qualquer manual contrainsurgente. A prática totalidade dos meios de comunicaçom na Galiza estám cortados por idêntico patrom monopólico e respondem a similares interesses económicos.

Nesta ocasiom reproduzirom sem matiz algum os comunicados de imprensa (partes de guerra) enviados polas forças policiais. Mas a medida que o grao de intoxicaçom e manipulaçóm supera os límites do conhecido chama a atençom que nom se alcem vozes democráticas que denunciem sem paliativos o que está acontecendo. Porém o silêncio é até o momento a tónica dominante.

A “progressia” do grémio jornalístico tam dada a denunciar a violaçom da liberdade de imprensa no mundo está tam atemorizada que nom vai questionar publicamente as falácias que levamos lendo, olhando e escuitando nessa imprensa fascistoide disfarçada de pluralismo democrático? O Colégio de jornalistas, a Faculdade de Jornalismo da USC, os sindicatos de jornalistas vam seguir em silêncio cúmplice perante tanta obscenidade?

Sabiamos que os meios de comunicaçom da burguesia careciam de qualquer pudor à hora de tratar qualquer temática vinculada com a luita popular, mas agora observamos o nível de adulteraçom atingido. Pretendem transmitir medo, aterrorizar, paralisar, isolar aos combatentes, criminalizar a luita de libertaçom nacional. Nom duvidam em empregar todos os recursos que consideram de utilidade para esse fim.

A mensagem difundida pola RG nom tem dúvida. Consideram que num contexto perfeitamente definido e previamente preparado após décadas de manipulaçom existe um predesposiçom numha sociedade sugestionada e com elevadas doses de alienaçom para converter objetos de uso maciço e comum num perigoso arsenal de guerra caraterístico de um “terrorista”.

Mas será que qualquer galega ou galego de a pé que na sua casa tenha computador, telemóvel, memórias USB e cámara de fotos nom se inquiete perante este disparate? Ou a sua reaçom será retirá-los, escondé-los, desfazer-se deles com celeridade pois pode ser detida, transferido à “Audiência Nacional” e condenada a prisom?.

Eduardo e Antom, dous exemplos a seguir

Nestes cinzentos momentos de ferro o conjunto da esquerda independentista deve fechar fileiras. É umha necessidade e um dever revolucionário transmitir a solidariedade e apoio ao conjunto das seis companheiras e companheiros detidos pois formam parte da Galiza resistente imprescindível à hora de construir umha Pátria livre e emancipada.

Ainda que conheço a boa parte das que hoje sofrem nas suas carnes a maquinária repressiva da Espanha constitucional é a Eduardo Vigo e a Antom Santos aos que tenho tratado e com os que tenho militado.

Ao margem dos debates e diferenças políticas que tenhamos, deles só podo manifestar o seu insubornável compromisso e honradez à hora de defender a causa da Galiza e do povo oprimido. Som ambos exemplos de abnegaçom e entrega altruista. Curtidos na militáncia revolucionária desde a juventude som parte da melhor canteira do movimento independentista galego. Da melhor e necessária Galiza. Todo um exemplo a seguir.

A inata rebeldia progressivamente esculpida em açom teórico-prática, e o incomensurável amor à Pátria e à classe obreira nom cabe no enorme coraçom do Eduardo.

Guiado por umha inteligente coerência e profundo conhecimento da história da Galiza Antom nunca duvidou em comprometer-se a fundo para evitar a destruiçom do nosso povo.

Para eles dous, desde o nosso mais profundo respeito e reconhecimento, um forte abraço revolucionário. E ao igual que para o conjunto das detidas e detidos exigimos a sua imediata libertaçom e volta para a sua terra.

Galiza, 5 de dezembro de 2011