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A frustrada subasta dos bonus alemáns, e a Eurozona em via de implosom

Quarta-feira, 30 Novembro 2011

Mike Whitney

Diria-se que estamos prisioneiros de um desses vínculos de retro-alimentaçom positiva que quase sempre presagiam um colapso.

Michael Pettis, China Financial Markets

A “frustrada” subasta de bonus alemáns na passada quarta-feira (23-11-2011) foi um verdadeiro e real ponto de inflexom. Significa que a maior e mais poderosa economia da Europa nom escapará ao contágio que está a arrastar ao sul. Os custos do endividamento alemao crescerám, e as suas finanças param-se baixo a lupa. Mas isso é só a metade do assunto. O que está a mover aos mercados é que os investidores estám agora mesmo ponderando a probabilidade de umha queda da eurozona. De aqui a comoçom; o cenário de pesadelo está a começar a abrir-se passo.

Estes som os factos: dos 6 mil milhons de euros oferecidos na subasta da quarta-feira, só se conseguirom colocar 3,6 mil milhons, deixando ao Bundesbank com os restantes 2,4, que é o 39% do total oferecido, a maior proporçom jamais registada.

A subasta foi, em palavras de um dos agentes de comércio financeiro, “um completo desastre”, sobretodo polo que revelava: Alemanha deixou de ser o porto seguro que tantos pensavam. A dívida alemá converteu-se da noite para o dia em um “ativo de risco”, como a da Grécia ou a da Itália (embora em grau menor). Os investidores estám a fugir todos da Europa e movendo o seu dinheiro para os valores de máxima segurança e a dívida pública estadounidenses. Botem umha vista de olhos a este texto do Wall Street Journal:

“Os dirigentes da Eurozona dim estar determinados a salvar a moeda comum. Mas o dinheiro inteligente está a pôr pés em polvorosa. Primeiro, se fecharom efetivamente os mercados de financiamento em curto prazo com dólares; depois, caírom os mercados de bonus velhos nom assegurados; depois, o mercado interbancario. Agora, os clientes empresariais parecem estar a retirar os seus depósitos dos bancos de alguns países. Com um volume de financiamento estimado de 1,7 bilions de euros para os próximos três anos, as tensons no sistema bancário da Eurozona parecem condenados a ir a pior.”

“Se os dirigentes da Eurozona som sérios quando dim querer salvar o euro, tenhem que procurar formas de convencer ao dinheiro inteligente para que fique.”

(“Europe´s Smart Money Votes With Its Feet”, Wall Street Journal)

Por conseguinte, o que a Eurozona está a experimentar é um pânico bancário: só que, até agora, o grosso do dinheiro se tinha limitado a ir dos países mais débis aos mais fortes. E isso é o que está a começar a mudar agora. Mas nom se enganem; o problema nom é a rátio entre a dívida pública e o PIB da Alemanha, nem as suas perspetivas de futuro. O problema é que está atada a outras dívidas soberanas tambaleantes em um pacto suicida de moeda comum. E nom há forma de se separar. Um extrato do Guardian:

“Os investidores globais lançarom-se a sair da Eurozona na passada terça-feira depois de que os dirigentes das três maiores economias da área destruíssem qualquer esperança marginal que pudessem pôr os mercados na massa intervençom do BCE para resolver a crise de dívida soberana.”

“Angela Merkel descartou uma vez mais qualquer possibilidade de que o BCE jogue um papel maior e jogou por terra as propostas de uns “eurobonus” que mutualizarom os riscos da dívida soberana da Eurozona. O BCE, dijo, só deve ocupar da política monetária.”

“A única concessom de Merkel… foi dizer que o lançamento do fundo de resgate da Eurozona, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, poderia ajudar a resolver a crise imediata. Reiterou a sua ideia, expressada no Bundestag em um dia antes, de que os eurobonus ou a colectivizaçom do risco soberano nom eram “nem necessários nem adequados”, e só poderiam funcionar em uma ulterior etapa da uniom fiscal.”

(“Fear sweeps markets as Germany rules out ECB intervention”, The Guardian)

A negativa de Merkel aos eurobonus e às trasferencias fiscais é umha sentença de morte para a Eurozona. Também se nega a permitir que o BCE atue como prestamista de último recurso, o que frearia a fugida dos bonus públicos. Tenho aqui o que declarou ao Financial Times um veterano negociante de um banco estadounidense:

“O que agora estamos a ver som fundos e clientes desejosos de fugir de qualquer cousa denominada em euros e que inclua bonus, porque nom sabem que passará com a uniom monetária.Q

Ve-no? Já pode ser a Alemanha umha potência económica e ter a sua casa em ordem (economicamente), que isso nom conta para nada, se segue a fuga de capitais. Terá que se enfrentar aos mesmos custos devastadores que os demais.

Qual é, pois, a soluçom?

Em verdade, há só duas opçons: ou ir rapidamente para a integraçom política e promotor total (uns EUA da Europa), ou eliminar completamente o europrojecto e dissolver a uniom. Se quem tomam decisons políticas seguem mareando a perdiz, entom o mercado imporá a sua própria soluçom, o que trará consigo uma catarata de quebras bancárias e empresariais, um desemprego disparado, umha agónica deflaçom e umha década de gravíssima depressom.

Há alguma possibilidade de que a crise da dívida europeia termine de uma maneira positiva? Assim respondeu a esta pergunta no outro dia o grande economista James Galbraith:

“Nom, nom o acho. Para que isto terminasse minimamente bem, teria que se produzir uma mudança radical nas ideias que atualmente imperam na Europa. Teria que ter um sentido bem mais grande de solidariedade, uma maior disposiçom a derivar fundos europeus para a periferia de um modo sério e sustentado, e teria que ter um plano para os crescimentos e o desenvolvimento desses países europeus meridionales. Nom se vê agora nada parecido a isso.”

(Daily Ticker)

Os líderes da UE nom mudarom as suas mentalidades absolutamente sobre nada. De facto, recusarom qualquer ideia que poderia ter ajudado, polo que a eurozona nom se apartará um ápice da sua espiral mortífera.

Fonte:sinpermiso.info