Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Documentaçom, Opiniom

A Doutrina Obama: fazendo da necessidade virtude

Segunda-feira, 28 Novembro 2011

James Petras

O governo de Obama, depois de prosseguir durante 3 anos com as guerras coloniais iniciadas polo ex presidente Bush, finalmente tivo que reconhecer as dramáticas consequências das políticas levadas a cabo, tanto em EUA como no exterior. Em consequência impujo-se o “princípio de realidade”: a manutençom do império estadounidense requer modificar as estratégias atuais, com o objetivo de reduzir os impactos negativos no campo militar, político e diplomata [1].

A Casa Branca está a modelar umha nova doutrina exterior em resposta aos reveses políticos e militares. Esta, estaria baseada nos bombardeios em massa, em umha maior intervençom desde o exterior das zonas em conflito, e quando as circunstâncias o permitam, nas alianças com forças afins. Isto incluiria o apoio armamentístico e financeiro dos regimes despóticos dos pequenos estados do Golfo Pérsico, de fundamentalistas, de mercenários, de desertores oportunistas, de gangsters e basicamente de toda a chusma disposta a servir ao império por dinheiro.

Ainda esta por ver se as mudanças até o momento acaecidos som resultado de umha nova política pós-colonial, a “Doutrina Obama”, ou simplesmente constituem umha série de medidas improvisadas em vista dos reveses recebidos (“fazendo da necessidade umha virtude”).

Começarei por traçar as falhas estratégicas que induzirom ao redesenho da política Bush-Obama em meados do 2011. A seguir mostrarei o “princípio de realidade”, a crise profunda e as pressons crescentes que empurrarom o governo de Obama a mudar a metodologia da guerra imperialista. As mudanças tenhem como objetivo manter o poder em umha situaçom de recursos escassos e com aliados mais que duvidosos. A terceira parte mostra as mudanças nas estratégias tal e como fôrom acontecendo, enfatizando como estes respondem ao desenvolvimento de circunstâncias desfavoráveis e ao surgimento de novas oportunidades.

Na secçom final avalio criticamente as novas políticas imperiais de Obama, o impacto sobre certos países e os seus habitantes, bem como as suas consequências sobre os EUA.

O contínuo Bush-Obama: 2009-2011

Obama tomou a testemunha do governo Bush, e continuou a sua carreira, expandindo o orçamento de guerra acima dos 750 mil milhons de $, incrementando em 30.000 as tropas no Afeganistám, aumentando a despesa em bases militares e em mercenários no Iraque, e incrementando as incursons aéreas no Iemem, Paquistám, Somália e Líbia. Todas estas políticas conduzirom à profundizaçom da crise económica, ao se incrementar o déficit comercial e o déficit público até 1.6 bilions de dólares. A popularidade do governo e do partido Democrata baixárom consideravelmente. Paralelamente ao incremento da despesa externa, tem-se de acrescentar a despesa de milhares de milhons de $ em dezenas de novas agências governamentais encarregadas da segurança no interior dos EUA. O crescimento da dívida externa e do déficit interior dá-se ao mesmo tempo que o resgate financeiro por valor de 1 biliom de dólares a Wall Street. Todo isto enquanto 10 milhons de famílias perdiam as suas moradas e o desemprego se disparava até os dous dígitos.

Obama expandiu as guerras iniciadas por Bush, os resgates bancários e os recortes milionários de impostos às classes mais pudentes. Ademais propujo ingentes recortes na despesa federal em medicina e educaçom. Por outra parte apesar da crescente despesa em defesa nom se conseguiu nem umha só vitória militar trascendente. A princípios do terceiro ano do seu governo se vislumbra, entre a magoada economia interna e a perda de vários aliados importantes, que o império estadounidense está em quebra.

O princípio de realidade

Após três anos de governo inclusive os mais intransigentes e dogmáticos ideólogos do governo Obama perceberom o falhanço da política exterior e o decrecente apoio doméstico e exterior às suas políticas. Os islamistas constituem um governo na “sombra” por todo o Afeganistám, infligindo  cada vez mais baixas às tropas aliadas da NATO, inclusive na capital, Kabul. No Iraque, inclusive o governo fantoche se opujo ao estabelecimento permanente de tropas estadounidenses, enquanto as diferentes façons se preparom para o conflito pós-colonial: os colaboradores do regime, a resistência, os diferentes clans e tribos, etnias separatistas, paramilitares e mercenários. Irám incrementou a sua influência na regiom frente aos EUA, especialmente no Iraque, Síria, o ao oeste do Afeganistám, os estados do Golfo, Líbano e Palestina (Gaza), pese às ameaças estadounidenses e as sançons económicas desenhadas polos sionistas.

Ante a queda dos governos pró-estadounidenses no Egipto e Tunísia (Mubarak e Alí), e dos levantamentos populares que ameaçam os governos fantoches do Iemem, Somália e Bahreim, o governo de Obama viu-se obrigado a admitir que o “modelo” de guerra israelita, baseado na ocupaçom e colonizaçom mediante um governo fantoche, nom é viável. O princípio de realidade impujo-se: Obama e Clinton já nom som os guardians de um império em expansom senom de um império em decadência. O projeto imperial da época pós-soviética, iniciado por Bush pai, baseou-se na açom unilateral e a supremacia militar. Depois de Clinton, que mantivo o modelo, Bush filho  expandiu-o e Obama multiplicou-o. O modelo revelou-se desastroso: guerras intermináveis que culminárom em um grande movimento pró democrático que tem gerado a queda de vários governos afins aos EUA.

As guerras coloniais esvaziárom a tesouraria imperial, empobrecendo os estadounidenses e socavado o apoio do projecto imperialista. O estado de opiniom nos EUA viu-se muito afectado polo custo do império, mas também pola cada vez maior influência económica das economias emergentes: China, Índia…Em nengum lugar foi tam evidente o declive dos EUA como em Latinoamérica, onde novos governos nacionalistas tenhem políticas exteriores divergentes com os EUA. Estes países tenhem atingindo um grande crescimento económico começando a colaborar com novos sócios comerciais, enquanto recusavam vários golpes de estado apoiados por EUA e repudiavam o neoliberalismo reciclado imposto por Geithner. Nom houvo nengum lugar no planeta no qual o governo Obama puidesse mostrar umha vitória militar, sucesso económico ou umha maior influência política.

À medida que as derrotas militares, os problemas económicos e o descontentamento se faziam patentes, ia-se desenvolvendo umha nova política imperial. Nom é umha política totalmente consolidada, senom que se vai moldando com as novas circunstâncias.

O processo de formaçom da “Doutrina obama”

O primeiro que tivo que reconhecer o governo Obama, é que as guerras coloniais baseadas na ocupaçom militar territorial, nom som viáveis em um mundo de estados soberanos. Geram umha resistência prolongada, problemas orçamentares, um gotejo de baixas e  nom se auto financiam, como afirmavam os génios sionistas do Pentágono. É preciso desenhar novas formas de guerra para manter o império e destruir os adversários.

A decisom mais difícil para o governo de Obama foi admitir a derrota no Iraque e retirar as tropas, ou declarar a “vitória”. Derrota, no sentido de que os EUA nom podem manter um exército de ocupaçom e tivérom que deixar o Iraque em maos de um governo que expandirá os laços com Irám e será hostil a Israel, ou vitória, no sentido de ter derrocado Saddam Hussein e ter debilitado a influência do Iraque na zona. A derrota e a retirada finalmente suponhem manter 20.000 soldados nos pequenos estados do Golfo, governados por monarquias despóticas, e posicionar umha frota de guerra no Golfo Pérsico. Obama-Clinton asseguram que as tropas e a frota de guerra naval e aérea servirám para reocupar Iraque em caso de cair o governo atual e ser substituído por um governo nacionalista. É um cenário “questionável”, já que reocupar Iraque conduziria a umha guerra longa e cara. O principal objetivo do realojamento de tropas é proteger os governos dos pequenos estados do Golfo dos movimentos internos pró-democráticos e para lançar um ataque aéreo e marítimo, conjunto com Israel, contra Irám. Ou seja, a reduçom de tropas no Iraque substitui-se polo agregado de forças aéreas e marítimas que permitam atacar e destruir bases militares e pontos económicos neurálgicos no Irám.

A retirada dos EUA é o resultado da derrota ; é umha retirada obrigada. A reubicaçom de tropas nos pequenos estados despóticos do Golfo, supom umha diminuiçom da presença americana na zona, e o apoio a uns governos despóticos muito frágeis. O trasvase de tropas desde Iraque aos estados do Golfo, tem como objetivo sacar as tropas de um estado grande, com umha longa história de resistência e independência, pondo-as a salvo em pequenos santuários. Os EUA nom podem se permitir um conflito inacabável, nem também nom podem assegurar a segurança de um pequeno contingente no Iraque. A retirada para os estados do Golfo, é fazer da necessidade umha virtude, mantendo umha posiçom na retirada, desde a qual poder lançar a próxima guerra aérea.

A intervençom em Líbia indica a fórmula escolhida polo governo Obama para manter o império. A justificativa da intervençom é tam falsa como a usada no Iraque: em vez de armas de destruiçom em massa, maquinou-se a desculpa do genocídio e a violaçom. Improvisou-se umha resoluçom da ONU que permite a intervençom para “proteger à populaçom”, podendo assim a NATOa, lançar em 8 meses, 30.000 ataques aéreos destinados a derrocar o governo e destruir a economia do país. A política de Obama em Líbia baseou-se em umha tripla estratégia: 1. bombardeios aéreos, marítimos e o apoio de assessores das Forças Especiais. 2. Um exército de mercenários e o uso de expatriados como “novos líderes”. 3. Umha coaligaçom multilateral imperialista de países europeus (a NATO) e das petro-oligarquias do Golfo. A diferença de no Afeganistám ou no Iraque, os bombardeios em massa substituíram à invasom por parte de um grande exército. Os estrategas do governo Obama já catalogárom a experiência em Líbia como a “doutrina Obama”, ao permitir recuperar o controlo de um governo Árabe independente. Pese à propaganda em massa de apoio ao papel dos mercenários “rebeldes”, a verdade é que as forças leais a Gadhafi fôrom vencidas unicamente graças ao poder militar aéreo da NATO.

A celebraçom por parte de Obama e Clinton da vitória é prematura. Supujo a destruiçom da economia, dos portos aos sistemas de irrigaçom, passando polas estradas e os hospitais, e o afundimento do mercado laboral, ao deportar centos de milhares de trabalhadores sub-saarianos e de profissionais do Norte da África. Por outras palavras, foi umha vitória pírrica: Washington venceu o adversário, mas nom conquistou um estado viável economicamente.

O que é pior ainda, as forças terrestres mercenárias apoiadas por Washington, incluem umha amalgama de fundamentalistas, gánsters, chefes de clans oportunistas, e neoliberais, com poucos interesses em comum. De facto estám todos armados e prontos para se repartir o território. A situaçom é parecida à criada no Afeganistám depois da luita contra o regime pró-soviético, quando os EUA armárom grupos fundamentalistas, bandas de narcotraficantes, chefes de clans e senhores da guerra de todo o tipo. Depois da derrota do governo os mesmos grupos armados polos EUA voltárom-se contra estes, alimentando um movimento pam-islâmico polo sul e centro da Ásia, os estados do Golfo, Oriente Médio e o Norte da África.

A fórmula Obama em Líbia: usar mercenários de todo o tipo com o objetivo de conseguir resultados em curto prazo, está a voltar-se já na contramao dos interesses dos EUA. As milícias fundamentalistas e os contrabandistas estám a enviar desde Líbia toneladas de mísseis terra-ar, ametralhadoras e fuzis automáticos, obtidos do arsenal de Gadhafi, a Egipto, Síria, Somália, Sudám e a um sem fim de países.

Em poucas palavras, os fracos relacionamentos entre os diferentes componentes do “governo” Libio, tenhem toda a aparência de conduzir a Líbia a um estado frustrado. Nestas condiçons, nem a NATO, nem as petroleiras vam poder estabelecer bases firmes de operaçom.

EUA recorreu a ataques aéreos com mísseis e com drones para debilitar a resistência, chegando a matar alguns líderes insurgentes locais. Estes ataques gerárom a repulsa de clans inteiros e em geral da opiniom pública dos estados atacados. Os ataques com drones matárom centos de civis, fomentando que os seus parentes e outros habitantes de povos e cidades se incorporem à resistência. Após 3 anos de intensos ataques aéreos com mísseis, o governo de Obama nom conseguiu nem umha só vitória decisiva sobre os insurgentes. De facto, os dados disponíveis apontam mais bem para a situaçom oposta. As tribos do noroeste do Paquistám incorporarám-se em massa à resistência e a maioria dos paquistanianos (80%) vê com maus olhos os ataques aéreos com drones que violam a soberania do Paquistám, obrigando até agora o governo aliado a questionar as suas conexons militares com os EUA. Também nom em Somália ou Iemem, os ataques com drones e com as Forças Especiais, conseguirom debilitar os protestos em massa da populaçom contra os governos em questom. A guerra de alta tecnologia revelou-se como um pobre substituto da também frustrada intervençom terrestre em larga escala.

O terceiro elemento da “Doutrina Obama” consiste em intervir de forma conjunta com umha “terceira parte” ou intervir de forma multilateral. Este terceiro elemento nom resultou nem no Afeganistám nem no Iraque, e só funcionou de forma parcial em Líbia. A força multilateral no Iraque retirou-se relativamente cedo, incapaz de sustentar as despesas de umha guerra interminável que ademais gozava de pouco apoio nos países de origem. O mesmo ocorreu no Afeganistám: a maior parte dos soldados da NATO abandonárom o país antes da retirada dos EUA. A intervençom multilateral em Líbia destroçou o país polas próximas décadas. A intervençom multilateral baseou-se na estratégia de entrar, bombardear e sair correndo, deixando sobre o terreno a mercenários conhecidos pola brutalidade com a que atuam: violaçons, pilhagem, tortura e execuçons sumárias. Só umha descerebrada e depravada moral como Hillary Clinton pôde cantar louvores e dançar umha giga ante o ato de um sádico, faca em maos, torturando um presidente cativo e o converter em umha vitória “da democracia”.

O quarto elemento da “Doutrina Obama” é o uso de mercenários. Estes participárom sem sucesso em várias invasons cujo objetivo era proteger governos aliados da insurgência. Os EUA financiárom a frustrada invasom de Somália por parte da ditadura Etíope. Invasom cujo objetivo era manter no poder um corrupto e impopular governo atrincheirado na capital do país. Seguiu-lhe a invasom de Somália por parte do exército de Kenia, apoiado polos EUA. A intervençom implicou o massacre e fome de centos de milhares de refugiados somalies dos campos do norte de Kénia e o sul de Somália e  numerosas emboscadas mortais por parte da resistência islâmica nacional. A intervençom militar por parte de mercenários nom ajudou a manter o governo somalanio no poder, senom que gerou ainda mais oposiçom nacionalista.

Em Bahreim a invasom do país polo exército de Arábia Saudita, com apoio dos EUA, permitiu manter temporariamente a monarquia despótica no poder, mas sem fazer calar as demandas do movimento pró democrático.

O quinto elemento da “Doutrina Obama” consiste no uso de Forças Especiais, grupos de até 500 soldados ou mais, altamente treinados e fortemente armados, cujo objetivo é assassinar líderes insurgentes, atemorizar a populaçom civil que os apoia, ou atuar de coluna vertebral das forças locais aliadas dos EUA. Um bom exemplo é o envio de Forças Especiais a Uganda. Até agora nom há notícias de nengumha vitória decisiva, inclusive neste pequeno país. Provavelmente no futuro o uso das Forças Especiais se limite a zonas geopolíticas de interesse económico especial, que tenham movimentos de resistências relativamente fracas, e só de forma “complementar” aos exércitos locais.

O elemento final, e à sua vez o mas importante da “Doutrina Obama”, é a promoçom de levantamentos civis ou militares, e a criaçom de líderes locais que poidam “cooptar” movimentos populares, evitando que estes assumam posiçons anti-estadounidenses.

Em Síria Washington e a Uniom Europeia incitárom um levantamento armado sectário e regional, cujo objetivo é derrocar o governo nacionalista autoritário de Assad. Jogando ao jogo das demandas democráticas e apoiados na hostilidade dos fundamentalistas contra o governo secular, os EUA e a UE tenhem desenhado, com a colaboraçom dos estados do Golfo e de Turquia, umha tripla estratégia. As estratégias som: o uso de sançons externas, os levantamentos populares e a resistência armada contra a maioria secular de cidadaos e o exército que apoiam Basher Assad. A política de Obama apoia-se na propaganda dos meios de comunicaçom e nos agrávios de certas regions, para gerar umha força suficiente como pára “mudar o regime”.

Paralelamente à política “desde o exterior” levada a cabo na Síria, no Egipto e na Tunísia, nestes últimos dois países optou-se por umha estratégia aplicada desde o interior. Enfrentando protestos operários, nacionalistas e pró democráticos no Egipto, Washington financiou e apoiou o golpe por parte de umha junta militar. Esta promove as mesmas políticas interiores e exteriores usadas anteriormente por Mubarak para preservar a estrutura económica do regime. Obama e Clinton apoiarom, enquanto evocavam cinicamente o espírito da primavera Árabe, os tribunais militares que julgam, torturam e encarceram  milhares de ativistas pró-democráticos.

A curto término, a doutrina Obama apoiada na subversom civil-militar, promovida tanto desde o exterior como desde o interior dos próprios países, conseguiu fazer calar os prometedores levantamentos anti-imperialistas surgidos a princípio do 2011. No entanto, as grandes diferenças surgidas entre os novos líderes “reciclados” e os movimentos pró-democráticos, gerárom chamados a um segundo levantamento, para depor os oportunistas que “tenhem subvertido os protestos”, traindo os princípios democráticos daqueles que se esforçárom em derrocar as ditaduras clientelares de EUA.

Conclusom: a “Doutrina Obama”

A “Doutrina Obama” pode catalogar-se como um conjunto de políticas improvisadas que nom parecem ter podido reverter o declive do império estadounidense. No entanto, o deterioro da influência dos EUA nos países árabes nom deixa de carecer de verdadeiros “avanços táticos”, especialmente a raiz da cooptaçom de vários líderes islâmicos na Líbia, Síria, Tunísia e no reacomodamento dos generais de Mubarak no Egipto.

O governo de Obama esconde sob eufemismos, a escala e a relevância das derrotas políticas e diplomatas sofridas: a retirada de tropas do Iraque apresenta-se como umha “missom de mudança de governo exitossa”, menospreciando a crescente violência civil e governamental entre façons rivais. A “retirada” do Afeganistám, é em realidade umha derrota militar. Os Talibáns e as suas forças aliadas, constituem já um governo paralelo na sombra por todo o país, e o exército mercenário financiado polo Pentágono com milhares de milhons de dólares, está infiltrado por militantes nacionalistas e islâmicos.

O governo apresenta os “bombardeios com drones” como umha exitossa arma contra insurgente, e se publicita a bombo e plato como a alternativa viável à invasom armada por parte de um exército de terra. No entanto os “drones” e os assassinatos perpetrados desde estes, nom som mais que sucessos publicitários, já que tenhem um impacto reduzido sobre a decadente situaçom política.

A nível diplomático o declive dos EUA é ainda mais notório. A Assembleia Geral das Naçons Unidas votou na contramao das propostas estadounidenses concernientes a Cuba. Por outra parte a admissom do estado de Palestina na Unesco supujo umha grande contrariedade à política do governo Obama. Os EUA recortárom em represália o apoio financeiro das Naçons Unidas, reduzindo ainda mais a influência diplomática dos EUA.

Inclusive a NATO nega-se a seguir Obama na sua próxima aventura militar. O governo Obama, submetendo-se servilmente ao braço político de Israel nos EUA: os 52 “Presidentes das Maiores organizaçons Judeu-americanas”, prepara com Israel um ataque conjunto sobre Irám.

O grande perigo da “Doutrina Obama” é que se concentra nos efeitos “locais” em curto prazo. O bombardeio aéreo e marítimo das instalaçons nucleares e militares do Irám, comprazerá o presidente de Israel e garantirá o apoio das organizaçons sionista-americanas à reeleiçom de Obama. No entanto, nom tem em conta a capacidade do Irám de fechar o passo petroleiro mais importante do mundo, o Estreito de Ormuz.

A vitória aérea sobre Irám, nom poderá evitar os ataques terrestres contra as forças estadounidenses por todo o Golfo. Todos os estados petroleiros aliados dos EUA som suscetíveis de ataque. Os mísseis iranianos de longo alcance provocariam o terror em Israel, antes inclusive de que os conselheiros sionistas de Obama poidam desarrolhar umha garrafa de champám para celebrar a “vitória aérea” sobre Teerám.

A “Doutrina Obama” de ataques aéreos desde o exterior, aplicada ao caso do Irám, geraria um conflito monumental. Conflito que superaria facilmente as terríveis consequências das intervençons terrestres no Iraque e Afeganistám. A “Doutrina Obama” consiste em um conjunto de políticas improvisadas em resposta a um problema comum: como manter a dominaçom imperial ante a ineficácia das políticas de ocupaçom colonial. A vitória tática atingida em Líbia, e as oportunidades geradas polas revoltas na Síria, gerárom a necessidade de formular umha nova estratégia global. A colaboraçom desde o interior dos estados é básica, especialmente se goza de poder institucional (como os militares no Egipto), ou de influências sobre a sociedade civil (no caso dos movimentos islâmicos na Síria).

A tentativa de transformar os sucessos até o momento obtidos, em umha estratégia geral, cairiam em umha falência. Irám nom é Líbia: tem o poder militar e acha-se o suficientemente perto como para arrasar as fracas ditaduras do golfo. Israel pode lançar umha guerra contra o mundo islâmico, mas seria umha batalha perdida. As derrotas diplomáticas de Israel na ONU nom se devem a que tenha 193 países “antisemitas”. A troika sionista, israelita e estadounidense está-se masturbando mutuamente em umha casa de banho. Podem despotricar e morrer-se de raiva e inclusive precipitar umha guerra apocalíptica, mas Obama e Netanyahu acham-se à margem das dinâmicas globais. As suas políticas som reaçons impotentes perante os movimentos populares que sonham com transformaçons históricas, as quais começárom já e podem penetrar o centro do império: Wall Street e Tel Aviv. A “Doutrina Obama” está condenada ao falhanço porque nom é capaz de reconhecer que o declive do império nom é um simples problema tático, senom que nos achamos ante o colapso sistémico do edifício imperial. As fendas no exterior começárom a  gerar revoltas no interior.

[1] Thomas Shanker and Steven Lê Myers ?US Planning Troop Buildup in Gulf After Exit from Iraq?, New York Times, Out. 29, 2011.