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Perspetivas da luita popular após 20 de novembro

Domingo, 27 Novembro 2011

Carlos Morais

Contrariamente às versons catastrofistas e leituras extremamente alarmistas, a vitória do PP nas eleiçons de 20 de novembro nom abre um cenário qualitativamente diferente ao último treito da segunda legislatura de Zapatero.

A maioria absoluta de Mariano Rajoi nem se pode interpretar como umha nova praga bíblica, nem vai provocar mudanças substancias relativamente às linhas mestras da receita neoliberal que o PSOE véu aplicando seguindo as diretrizes do eixo franco-alemám.

A sua política socioeconómica contrária aos interesses das imensas maiorias sociais, mais a hipercentralizaçom administrativa e política que vai aplicar –enquadrada na crise sistémica do capitalismo senil a escala global– vai provocar enormes resistências obreiras, populares e nacionais, inclusive episódios de explosons sociais, que podem e basicamente devem abrir novas e sugestivas perspetivas às organizaçons revolucionárias se formos capazes de agir e geri-las com habilidade e visom estratégica.

Leitura eleitoral

Umha leitura serena dos resultados constata que se cumpriu, grosso modo, o guiom dos prognósticos e tendências sociais em curso.

A síntese do novo mapa institucional a escala estatal a partir dos resultados do 20-N constata um leve incremento do PP (552 mil votos, 4.68% mais), a debacle do PSOE (perde 4.315.000 votos, 15%), dos que umha parte permitem explicar o incremento de IU e da UpyD (710.000, e 834.000 votos respetivamente), assim como de outras forças que, ou bem como Compromís logram representaçom, ou bem como Equo ficam fora das Cortes.

Tanto PNB como CiU incrementam votos, com destaque para a coaligaçom da direita catalá que aumenta em 234.000 os apoios.

Também cumpre destacar o resultado de Amaiur, conseguindo que a nova coligaçom eleitoral patriótica basca seja a segunda força eleitoral de Euskal Herria detrás do PP/UPN.

Outro dos vetores a destacar é o incremento em 2% da abstençom, assim como dos votos nulos e brancos que em conjunto representam 30.97% do censo, mais de 10 milhons de pessoas.

Na Galiza, as tendências som similares. PP incrementa 45.000 votos; PSOE perde quase 300.000; BNG  nom dá contido a hemorragia eleitoral. Perde 30.000 votos, dos quais umha parte vam para IU, que atinge 41.000 mais que em 2008 no que é o seu segundo melhor resultado histórico na Comunidade Autónoma. Em 1996, em aliança com o camilismo, atingira 74.000 votos, 4.71%, frente aos 4.12% atuais.

Porém a nova extrema-direita representada polo partido de Rosa Díaz -embora duplique votos a respeito de 2008, perde quase 4.000 em relaçom às autonómicas.

O factor diferencial galego nesta ocasiom, seguindo umha tendência que semelha estar plenamente consolidada, é o estagnamento da abstençom. Na Comunidade Autónoma, nom participamos no processo eleitoral 28.23% do total de votantes, similar ao conjunto do Estado, mas contrariamente à tendência geral estatal, aqui baixou 1.29%. Porém, tanto o voto nulo como em branco é porcentualmente ligeiramente superior a do Estado, experimentando um incremento susbtancial. Mais de 700.000 galegas e galegos optamos por, ou bem nom participar no processo, ou bem por exprimir um voto protesto.

Governo de Rajoi atado pola Alemanha

A margem de manobra do novo governo vai ser mui reduzida. O Estado espanhol, na prática, foi intervindo e as receitas que vai aplicar nom vam ser mais que continuaçom das que implementou Zapatero seguindo as ordens da troika. As facilidades no “trespasso de poderes” por parte do PSOE respondem à crítica situaçom económica espanhola.

A profunda crise política da Uniom Europeia, que está a golpear os povos periféricos, e a imediata recensom económica prognosticada reduzem as possibilidades de umha legislatura marcada pola estabilidade social. Ao contrário. O PP sabe perfeitamente que vam ser anos duros e que vai ter que confrontar com a rua como ámbito determinante da luita política e social.

O PP já está a semear o terreio para justificar mais cortes sociais em base à grave situaçom na qual Zapatero teria deixado Espanha: com enormes dívidas, faturas nom computadas e défices ocultos.

O silêncio de Rajoi nom só exprime o seu particular estilo. Está a preparar o plano de estabilizaçom que o grande capital internacional e autótone reclama: um pacote de medidas tendentes a reduzir direitos básicos aprofundando na privatizaçom da educaçom e da sanidade, na supressom de serviços sociais, incremento do IVA, reduçom de salários, embaratecimento do despedimento. As negociaçons com a grande banca e com a CEOE dam pistas mais que claras do que vai anunciar nos vindouros dias. Porém, nom vai haver surpresa algumha. Som medidas previsíveis que embora nom tenha dado a conhecer durante a campanha, fam parte do programa consubstancial da direita.

Na Catalunha, Artur Mas já se adiantou no anúncio de mais retrocessos e cortes sociais para assim poder amortecer umhas medidas antipopulares que ficarám eclipsadas pola maior dureza que adoptarám as decididas em Madrid.

A este pacote neoliberal há que acrescentar umha nova ofensiva na recentralizaçom do Estado espanhol. Sob justificaçom de austeridade, o PP, com o beneplácito do PSOE, vai tentar reduzir as competências das Comunidades Autónomas. A simplificaçom e supressom de duplicidades da administraçom busca avançar no reforçamento do unitarismo espanhol.

A maioria absoluta do PP permitirá desenvolver com maior facilidade a estratégia espanholista que leva anos elaborando o think thank aznarista FAES.

PSOE demorará recuperaçom

A derrota eleitoral sem paliativos de Rubalcava atrasará a sua reconfiguraçom como alternativa na alternáncia imposta polo bipartidarismo espanhol.

O PSOE vai ver-se submetido a um longo período de crise interna e perda de credibilidade entre aqueles setores tradicionais do eleitorado progressista, que nesta ocasiom alterárom a tradicional tendência do mal denominado voto (in)útil.

Por um lado terá que resolver a liderança e por outro as convulsons a que se verá submetido nos diversos feudos tradicionais, como a Andaluzia, onde as imediatas eleiçons autonómicas auguram um descalabro  similar.

IU: carência de projeto alternativo

A social-democracia espanhola está eufórica sem razons suficientes. O seu conjuntural avanço eleitoral nom se corresponde com um incremento da organizaçom popular nem umha maior capacidade de movimentaçom social. Tampouco atingiu os resultados da etapa de Anguita. Canalizou umha parte do voto do descontentamento com o PSOE e rabunhou também no movimento indignado.

O seu programa claramente keynesiano é simplesmente mais do mesmo. Nom pretende construir umha alternativa anticapitalista para além da retórica oportunista e sim dar umha alternativa à crise sistémica no quadro da economia de mercado. É umha força claramente ordeira, incapaz de superar o seu ADN reformista e conciliador. Nom tem nem vai ter capacidade para poder liderar as luitas que se divisam no horizonte.

A encruzilhada do BNG

Umha década longa de perda continuada de apoios eleitorais exige ao BNG resolver de umha vez o caminho a seguir. Com menos de metade dos votos que atingiu em 1997, é a única força da esquerda institucional que nom capitalizou a debacle do PSOE.

As declaraçons triunfalistas de Guilherme Vázquez do “dia feliz” na hora de avaliar os resultados tam só contribuírom para reabrir a caixa de pandora que o condena a estar submetido a umha permanente turbulência. Porém, nem o beirismo, nem o new quintanismo reciclado em Aymerich, nem a UPG vam dar superado a crise política nem vam sentar as bases de umha etapa de estabilidade interna e injeçom de motivaçom entre os setores que paulatinamente se fôrom afastando, o que permitiria recuperar apoio social e eleitoral.

O BNG está condenado a umha refundaçom similar à realizada no frontom de Riazor em 1982, se nom quer seguir inexoravelmente o caminho de perda de peso político e social ao qual se dirige.

Nom teria grande trascendência para as comunistas o seu futuro se o espaço social que vai perdendo fosse ocupado pola esquerda independentista e socialista galega. Porém, os últimos dez anos constatárom que nem o MLNG nem outras correntes do independentismo conseguírom vertebrar o descontentamento do seu tradicional espaço sociopolítico.

A gravidade da situaçom é que a esta variável há que acrescentar o incremento de IU, que se nutre do deslocamento de setores tradicionais da base social organizada do nacionalismo de esquerda. Nom só no ámbito eleitoral é constatável. Mais preocupante é que núcleos militantes com responsabilidades na direçom de movimentos sociais abandonem um dos princípios irrenunciáveis da auto-organizaçom abraçando projetos estatais e, portanto, deixando-se seduzir polo espanholismo.

A esquerda independentista

Umha boa parte das organizaçons situadas no fragmentado campo do independentismo de esquerda apelamos abertamente à abstençom sem termos conseguido um incremento percetível e, de facto, esta opçom recuou no País.

Nas vindouras décadas vamos participar em duas grandes batalhas estratégicas. Do resultado deste desigual combate dependerám as possibilidades de avançar face a recuperaçom da soberania nacional e a construçom de umha sociedade superadora das desigualdes sociais e de género.

Na hora de afrontar esta adversa situaçom nom podemos subestimar que o futuro do projeto nacional galego está numha encruzilhada que, ou bem nos leva à beira do abismo ou bem nos permite alterar a direçom do leme mudando o rumo.

A viabilidade da Revoluçom Galega dependerá de que demos invertido as tendências desnacionalizadoras que de forma acelerada se levam implementando em todos os ámbitos da nossa sociedade.

Perdidos os factores objetivos medulares da nacionalidade galega que basicamente descansam sobre a língua e as cultura, nom é possível nem faz sentido umha Revoluçom Galega perante a desapariçom da especificidade sobre o qual alicerça o sujeito transformador da nossa singular formaçom social. Sem naçom objetiva, nom só é difícil, mas praticamente impossível desenvolver os factores subjetivos da consciência nacional, sem a qual nom se pode construir um projeto coletivo para um povo.

A implosom do BNG, atualmente atrapado numha deriva autonomista de praticamente inviável retorno, sem que o espaço que tem representado e segue a representar no imaginário coletivo de um setor qualitativamente destacado do nosso povo seja substituido polo projeto revolucionário do independentismo de esquerda, seria umha catástrofe de incalculáveis conseqüências.

A vertigem que este cenário provoca entre as forças genuinamente patrióticas e revolucionárias como a que o nosso partido representa nom significa mudança algumha na linha tática e estratégica. Todo o contrário.

Se bem nom podemos depositar na atual direçom do BNG o futuro da Naçom Galega, tampouco podemos desconsiderar a sua histórica e atual importáncia na permanência da consciência nacional e na conservaçom dos seus mais destacados sinais de identidade.

Temos que confiar primordialmente nas enormes potencialidades das nossas modestas forças e basicamente na capacidade de acumulaçom de energias e vontades para fazer frente e quebrar a lógica assimilacionista imposta polo capitalismo espanhol.

Porém, depositar exclusivamente o futuro da Naçom no êxito –nunca assegurado– do nosso projeto sociopolítico seria um disparate infantilista.

Considerando que o atual BNG está esterilizado para desempenhar o papel de ferramenta defensiva e construtora da Galiza, também pensamos que seria suicida desejar o seu fracasso sem podermos apresentar umha alternativa para o imediato presente.

A inconsistência e insuficiências da esquerda independentista no seu conjunto, sem exceçom, nom permitem prognosticar que umha boa parte dos males que nos acompanham e impossibilitam superar a fragmentaçom passem a curto prazo a ser um passado superado.

Eis porque devemos manter incólume a estratégia claramente definida de articular um espaço sociopolítico próprio em base a umha estratégia insurrecional, mas também nom contribuir deliberadamente para lançar pedras contra o nosso telhado.

A dupla pressom desnacionalizadora a que está submetida Galiza polo imperialismo espanhol e o capitalismo transnacional exige respeito mútuo entre o conjunto das forças revolucionárias, progressistas e patrióticas que temos a firme determinaçom de construir umha Pátria soberana com justiça social.

Sem renunciarmos ao combate ideológico, devemos confluir nas luitas comuns sem renunciarmos à nossa identidade e estratégias.

Umhas das tarefas prioritárias das comunistas é vincular as demandas de emprego, incremento salarial, supressom da precariedade laboral, defesa da sanidade e educaçom públicas à capacidade de podermos decidir coletivamente o nosso futuro. Sem Pátria independente e soberana nom poderemos construir umha genuína sociedade socialista, antessala da comunista.

A Galiza, para sobreviver e poder construir umha sociedade alicerçada nos novos valores do Socialismo, tem que abandonar Espanha e esta Uniom Europeia de mercadores. Eis os dous eixos para podermos confluir. Os resultados do 20 de novembro nom vam evitar umha explosom da luita obreira, nacional e popular, vam provocá-la. Favorecerám um ciclo de luita. É mera questom de tempo.

Galiza, 25 de novembro de 2011