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Abrente 62: As caras da voracidade burguesa

Terça-feira, 15 Novembro 2011

Quem tenha seguido com atençom as análises elaboradas por Primeira Linha há mais de umha década, sabe que o atual cenário de dura ofensiva do Capital contra o Trabalho tem sido anunciado de forma constante polo nosso partido.

As páginas do Abrente som testemunha de que a crise em curso do capitalismo senil e os parámetros gerais das suas duras conseqüências para o conjunto do proletariado e as camadas populares galegas foi, em grandes traços, prognosticada.

Nom sabíamos nem quando nem como iria cristalizar a crise, mas sabíamos que a onda de expansom do capitalismo nos países imperialistas estava atingindo o seu final. Boa parte da economia marxista revolucionária nom subsidiada polas universidades defendia com firmeza e com dados rigorosos esta tese, mas quase ninguém a levava realmente em conta.

Nós, com modéstia, mas com firme convicçom, coincidíamos com esse prognóstico. E fazíamo-lo nom porque possuamos bola de cristal nem varinha mágica. Como organizaçom revolucionária comunista, empregamos a dialética materialista e o materialismo histórico como ferramentas de análise e interpretaçom da realidade. E quase todos os indicadores alertavam do desastre que se estava a gestar e de que as políticas económicas de Wasghinton e da Uniom Europeia só estavam a adiar artificialmente a falência.

Quando, em plena bonança da década de noventa, denunciávamos a artificial expansom do capitalismo espanhol, por estar baseada na especulaçom urbanística, na chamada bolha financeira do tijolo, a nossa opiniom era chamada catastrofista e, no melhor dos casos, desconsiderada, pois o conjunto da esquerda sistémica evitava questionar a euforia neoliberal e as suas nefastas influências na consciência obreira e popular.

O enorme fluxo de subsídios europeus à Galiza contribuia para paliar conjunturalmente os efeitos sociais da destruiçom planificada da nossa economia nacional, facilitando assim enorme estabilidade ao fraguismo.

Fôrom factores exógenos à crise imobiliária e financeira que estalou com a falência de Leman Brothers em 2008, mas derivados do modelo de “desenvolvimento capitalista”, que tensionárom de forma inconstante e esporádica a sociedade galega a inícios de século.

 

“A culpa de quem é?, do governo do PP!”

O desastre socioambiental do Prestige é expressom de umha das crises paralelas que acompanham a atual crise global do capitalismo senil. A crise ecológica que em 2002 agita a sociedade galega deriva de um modelo energético obsoleto e esgotado, mas consubstancial ao capitalismo senil.

A posterior ofensiva militar imperialista contra o Afegansitam e o Iraque -justificada polos obscuros acontecimentos do 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque- e as suas expressons em versom espanhola (Lei de partidos, reformas constantes do Código Penal, incremento exponencial da repressom, corte das liberdades, militarizaçom) volta a tensionar a nossa específica formaçom social. A presença de Aznar na desprezível reuniom dos Açores com Bush e Blair contribui para o desenvolvimento do movimento contra a guerra.

O primeiro grande aviso da nova estratégia de destruiçom do ensino público que foi a reforma universitária da LOU gerou umha ampla resposta estudantil, mas também provocou umha profunda frustraçom que aniquilou o movimento estudantil galego, que ainda só agora começa a superar.

No entanto, nestes três casos o movimento social agiu sempre seguindo frágeis discursos superficiais que evitam penetrar no cerne dos problemas. Nom se questionava o sistema, reduzindo o problema ao governo do PP e a soluçom a umha simples alternáncia política.

O Fraga nom, Fraga nom, Fraga nom! gerou um amplo movimento social que catalisou a indignaçom pola catástrofe do Prestige, a condena do apoio do Estado espanhol às aventuras militares ianques com a oposiçom à LOU, mas sempre incapaz de despreender-se da miopia eleitoreira que PSOE, BNG e IU imprimírom.

O mesmo tinha acontecido com as reformas laborais implementadas previamente polo governo de Aznar. Mesmo tendo sido respondidas com duas greves gerais em 2001 e 2002, nom tivérom continuidade.

Em nengum momento o movimento popular foi capaz de compreender o fio condutor que devia unificar as luitas e que demanda umha mudança geral estratégica na esquerda social.

Paradoxalmente, o auge da luita de massas coincide com o início da grave crise interna ainda em pleno desenvolvimento na atualidade, que provocou a progressiva hemorragia eleitoral do BNG e basicamente a sua incapacidade para gerar entusiasmo como alternativa.

O eleitoralismo e o curtoprazismo instalados nas formaçons da “esquerda” com projeçom de massas, e o submetimento do sindicalismo e da maioria dos movimentos sociais a essa lógica, esterilizavam estes fenómenos de luita de massas, reduzindo-os a simples episódios isolados que canalizam o mal-estar social, mas nom permitem acumulaçom de forças para vertebrar o bloco histórico transformador.

Miragens e frustraçons

A chegada de Zapatero ao governo espanhol em 2004 e, posteriormente, o efémero governo bipartido na Junta (2005-2009) ajudárom a diluir e desmovimentar a luita de massas. As duas nefastas experiências nom servírom para avançar na consciência popular, obreira e nacional. Nom só deixárom mau sabor de boca entre quem depositou esperanças, como incrementárom o descrédito da política e o compromisso social.

A derrota do proletariado metalúrgico do sul da Galiza na greve de 2007 foi determinante para quebrar de raíz o tímido e contraditório, mas emergente, processo de luita obreira que começava a emergir. O patronato nom duvidou em empregar toda a sua artilharia para destruir o grosso da vanguarda proletária, para assim cercear as possibilidades de iniciar um processo de reorganizaçom do movimento obreiro, derivado da incorporaçom de umha nova geraçom forjada na luita conseqüente que acreditava na necessidade do combate direto contra as forças coercitivas do Capital. Estes sucessos tivérom um efeito pedagógico exemplarizante que provocou um constrangimento das greves, disciplinando o movimento obreiro. Novamente constatárom-se as limitaçons do sindicalismo realmente operante no País e a necessidade de construir um projeto estratégico superador das práticas pactistas, conciliadoras e burocráticas hegemónicas no sindicalismo galego.

As recentes greves gerais de setembro do ano passado e janeiro deste ano nom passárom de fogos de artifício que embora tensionem e mobilizem a classe trabalhadora, ao nom estarem inseridas num plano estratégico de luita, acabam reforçando o descrédito no sindicalismo, gerando confusionismo e mais frustraçom.

  

Direçom e consciência obreira

Na hora de interpretar as causas dos paulatinos fracassos do combate popular da última década, ainda que se tenham dado condiçons objetivas favoráveis que gerárom enorme potencialidade subjetiva -mas que literalmente foi desaproveitada- nom podemos desconsiderar que todas estas luitas carecêrom de umha direçom obreira. A linha discursiva, tabelas reivindicativas e objetivos políticos ou bem estavam hegemonizada pola pequena burguesia progressista ou bem por umha burocracia sindical mais próxima desses interesses que dos do proletariado. 

O resultado foi o reforçamento da ideologia dominante e um cada vez maior divórcio entre a baixa consciência obreira, popular e nacional e as forças políticas e sociais que de parámetros tanto reformistas como revolucionários agimos no seu interior.

O desmembramento em curso da consciência obreira aprofundou na perda de identidade de umha classe que acreditava cegamente no discurso dominante do fim da luita de classes e do mito da cidadania como novo sujeito unificador de umha sociedade que ia progressivamente diluindo as diferenças sociais. A era das hipotecas estimulava o consumismo, facilitando que umha parte considerável do povo trabalhador mantivesse um ritmo de vida superior as suas possibilidades reais. O marasmo instalou-se no seio da classe obreira, dificultando a organizaçom e desarmando a sua capacidade de luita.

Os alertas lançados por umha testemunhal esquerda revolucionária nom fôrom considerados, como agora tampouco se acredita na profundidade da crise. A classe trabalhadora que respondeu de forma maciça a algumhas das primeiras agressons globais do neoliberalismo mantém ingénuas esperanças na “recuperaçom económica” e volta ao “estado do bem-estar” que promete a partitocracia.

Tal como os avisos da ofensiva burguesa fôrom daquela erroneamente achacados ao governo reacionário de Aznar, a atual situaçom é responsabilizada no PSOE de Zapatero e  Rubalcaba. Nom há pior cego que aquele que nom quer ver.

O baixo nível de consciência socialmente compartilhada derivado da desmobilizaçom gerada pola derrota na Transiçom e posteriormente a desfeita provocada pola queda da URSS, provocou um desarme ideológico geral que permite entendermos a carência de umha visom estratégica, que à sua vez assenta na derrota de 1936. Chove no molhado.

Porém, nom se pode cair no derrotismo. A realidade nom é estática, está em contínuo movimento. E as massas em luita e sobretodo organizadas podemos mudar o curso da história que nos tenhem escrito FMI, Banco Central Europeu, Comissom Europeia e a nova Deutschland.

 

Os outonos quentes som simples manchetes

Os meios de comunicaçom da burguesia venhem empregando de forma constante fórmulas como ‘outono quente’ para definir o habitual incremento da conflituosidade laboral que se produz após a paragem estival.

Lamentavelmente, é um simples recurso jornalístico que nom se constata. O incremento do empobrecimento e perda de poder aquisitivo entre as camadas populares nom está a ser acompanhado por um aumento da luita social.

O mal-estar e descontentamento social é generalizado, mas também o é a resignaçom e o marasmo. O individualismo e a carência de umha alternativa de luita com projeçom de massas que estimule e sacuda a parálise segue firmemente instalada na nossa classe. 

A burguesia ainda conserva praticamente intacta a sua hegemonia ideológica e legitimidade social.

A casta política corrupta dos partidos sistémicos mantém a estabilidade do sistema dificultando a revolta. O sindicalismo subsidiado renúncia a abrir o ciclo de luitas. O sistema consciente das suas fraquezas e vulnerabilidade facilita a abertura de umha válvula controlada de escape das enormes tensons acumuladas, descongestionando-as, facilitando respostas esterilizantes como a representada polo conhecido como movimento d@s indignad@s.

Porém, é umha simples questom de tempo. A realidade é teimosa e nom engana. Já nom se pode maquilhar e muito menos ocultar que estamos assistindo à maior ofensiva da burguesia contra o mundo do trabalho, com as suas conseqüências específicas sobre aqueles segmentos mais desprotegidos: as mulheres e a juventude.

Sob a justificaçom da crise o Capital tem acelerado a desregularizaçom da legislaçom laboral e adoptado umha bateria integral de medidas tendentes a destruir a totalidade das conquistas obreiras e populares fruto de décadas e décadas de luitas. O incremento da exclusom social, o empobrecimento e a emigraçom som as três conseqüências imediatas.

 

Solicitam austeridade para enriquecer

A necessidade de austeridade é o engano para privatizar serviços públicos e facilitar reduçom de salários e pensons, para incrementar horários laborais e a produtividade, para suprimir ajudas sociais, para normalizar contratos precários e eventuais.

Mas todas estas medidas vam acompanhadas por um incremento da taxa de lucro das grandes empresas e por fabulosos negócios derivados da privatizaçom e o espólio dos recursos públicos.

A Galiza acabou de assistir em silêncio à destruiçom do seu sistema financeiro autóctone com a fusom das duas caixas de aforro e a posterior bancarizaçom, e posteriormente à absorçom do Banco Pastor por umha entidade espanhola. O primeiro processo ainda nom finalizou, até que o Banco de Espanha opte por reprivatizar NGB entregando assim os aforros de décadas de centenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores galegos a preço de saldo ao melhor postor.

A classe obreira está pagando a crise financeira e o País padece umha aceleraçom na destruiçom da sua economia, incrementando a dependência secular do projeto nacional espanhol que só procura destruir a nossa naçom.

Mas, salvo esporádicas e tímidas respostas, semelha que aqui vamos aturar todo o que se nos bote por cima. Mejam por nós e dizemos que chove. As reformas milionárias blindadas polos diretivos de Caixa Galicia e Caixa Nova no processo de fusom, bem conhecidas previamente polo PP, PSOE e BNG, assim como polos sindicatos, deveria ter provocado um estalido social, pois a indignaçom é claramente insuficiente e as ordenadas concentraçons diante das instalaçons carecem de credibilidade algumha.

A implicaçom da casta política que ocupa as instituiçons autonómicas no último escándalo conhecido de corrupçom, a operaçom Campeom, devia ter provocado um estalido social, mas a indignaçom nom dá um passo para adiante.

As demandas da CEOE para embaratecer ainda mais o despedimento deveriam ter provocado umha resposta imediata mais alá de um simples comunicado de imprensa.

Porém, as práticas políticas e sindicais que hegemonizárom o movimento popular nas últimas três décadas permitem explicar a atonia e parálise.

20 novembro

O show eleitoral promovido pola partitocracia gera expetativas construindo umha falsa realidade sobre a nossa capacidade coletiva de condicionar o futuro mediante o voto. Nada vai mudar 20 de novembro. Ao margem de certos matizes dá igual quem ganhe. PSOE e PP som duas caras da mesma moeda. E as alternativas à sua “esquerda” de ámbito galego ou espanhol tenhem demonstrado serem umha fraude.

Esse dia o melhor é nom pisar os seus colégios eleitorais.

A única alternativa viável é a Revoluçom Galega. Esta será conseqüência de umha insurreiçom obreira e popular. Este é o roteiro das comunistas galegas. Todo o resto já se conhece. Levamos agüentando sobre as costas mais de três décadas de enganos e isto cada vez vai para pior.