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Abstençom, como começo de mais algumha cousa

Quinta-feira, 10 Novembro 2011

Ramiro Vidal Alvarinho

Escrevo este artigo em plena ressaca do debate televisivo entre Rubalcava e Rajói, esse show mediático que apenas convence aos convencidos e que nom vai decidir absolutamente nada, por muito que nos queiram fazer acreditar. Escrevo este artigo em pleno fragor da batalha eleitoral, com umha campanha obscena no que se refere a despregamento de meios e em orçamentos, orçamentos apenas possíveis graças aos multimilionários créditos que a banca concede aos partidos políticos (para isso sim que há crédito).

Escrevo este artigo com um caldo de nomes rechamantes e exóticos a zoar no ambiente, nomes que já passarám à história social do Estado espanhol irremediavelmente ligados à corrupçom (Manmar, Nupel, Gürtel…) e escrevo para partilhar com quem me leia algumhas reflexions acerca das eleiçons, o seu papel no regime, a sua utilidade como mecanismo de participaçom…

20 de novembro, o regime bourbónico festejará, homenajeará e premiará-se a si próprio. Envolto todo numha algaravia mediática, bombardearám-nos com apelos a participar, com ensalçamentos sobre o modélico e civilizado comportamento da maioria, com um mais ou menos extenso anedotário, com umha entontecedora maré de dados e cifras, percentagens, estimaçons, reaçons, valorizaçons… todo fai parte da festa, todo é perfeitamente integrável e vem a dar-lhe cor ao imenso circo. Os abstencionistas, queiram ou nom, fam parte do banquete porque neste sistema nom se obriga a votar…se nom participas decidem por ti, igual que o farám se participares, ainda que essa equaçom parta da interpretaçom falsa de que quem nom votar, será porque tanto lhe fai o que puider acontecer.

Eu nestas eleiçons vou-me abster. Em primeiro lugar, porque nengumha candidatura soberanista galega vai concorrer a estas eleiçons, o que me clareja o panorama até o ponto de eliminar qualquer sombra de dúvida. Nas Cortes que sairem da convocatória do 20-N nengumha voz vai reclamar o direito à soberania da naçom galega. E durante a campanha eleitoral, nem a palavra autodeterminaçom, nem muito menos a palavra independência sairám da boca de nengum candidato ou candidata, polo menos para se referirem á Galiza. O segundo motivo, já o portavoz nacional do NÓS-UP, Alberte Moço, o mencionou de viva voz no ato do Dia da Galiza Combatente, celebrado em Sam Fiz de Asma; é igual quem ganhar…a publicaçom do património (da parte confesável do património) dos membros do Congresso e o Senado, deixa claro que a classe política conforma umha elite que acumula um nível de riqueza que os afasta de maneira irreversível do povo.

Escolhemos parlamentos de milionári@s, de pessoal que se deixa subornar polas máfias empresariais e que cobram quantidades desorbitantes por acudir a um hemiciclo a fazer um bocado de teatro e votar o que os seus respeitivos partidos lhes ordenam (isto quando acodem, que também os há que, salvo o mínimo para poder cobrar, nem acodem) e que nem entretanto, nem ao final da sua gestom rendem contas ante quem votou neles (por isso resulta tam fácil aprovar leis contra a vontade popular, verbi gratia a última reforma laboral e a recente reforma constitucional) e que tenhem um calendário laboral mesmo inferior ao calendário letivo do ensino primário ou de pré-escolar (a Constituiçom espanhola di que o curso político se divide em dous períodos de sessons; um de setembro a dezembro e um outro de fevereiro a junho) é dizer, tenhem quase quatro meses de férias, salários estratosféricos, direito com apenas umha legislatura de mandato à pensom máxima permitida, e durante essa etapa da sua vida pernotarám nos melhores hotéis, viajarám em primeira classe nos avions e, em definitivo, goçarám de umha vida que a imensíssima maioria das pessoas que lhes permitirom com o seu voto estar aí nunca poderám ter. A isto todo há que acrescentar essa novidade na lei eleitoral que obriga às forças sem representaçom parlamentar a recolher assinaturas que avalem as suas candidaturas (o que eu me pergunto é: se nom há igualdade de condiçons formais de partida para todos, de quê vale passar polo rosário de trámites que supom o processo de legalizaçom de umha organizaçom política?).

Isto a maioria da gente que vota, votou ou votará, nom o conhece em dados concretos, mas intui-o e nom o aprova. Eu nom sou abstencionista por princípio, mas também sou consciente de que votar significa refrendar o regime com a tua participaçom. Se jogares, já polo facto de o fazer aceitas o jogo com as regras que che venhem dadas. Acho que a melhor abstençom é a abstençom ativa, e isto é manifestar que com efeito te vas abster e explicar o motivo da tua abstençom. E, naturalmente, dando alternativas, nom fomentando a passividade. Bem está dizer que “tanto é Joam coma o Perilhám”, mas se um fai proselitismo da abstençom também deve propôr que fazer. Se nom votámos, o que fazemos?

A pregunta de porque nom vou votar e porque penso que nom se deve votar, já está respondida. Agora, que deve fazer a esquerda independentista galega em concreto, e a esquerda antisistémica em geral perante as citas eleitorais num contexto no que o sistema se corrompe de necessidade, no que as diferenças sociais se alargam e no que os Estados, com as suas classes políticas como braços executores, implementam políticas antisociais ao estrito ditado do capital financeiro e às costas da vontade popular?

O que eu vou dizer responde exclussivamente ao que eu penso, nom falo em nome de mais ninguém, mas acho que o nosso lugar é a rua. Estar com esse coletivo de trabalhadores e trabalhadoras que luita contra um ERE na sua empresa, com essa associaçom de vizinhos e vizinhas que protesta contra a especulaçom urbanística que lhes usurpa zonas verdes, com esse coletivo de estudantes que luita por melhoras no seu centro de estudos…se assomimos a palavra de ordem de que “a luita é o único caminho”, tenhamos em conta que a essência da luita está aí. Evidentemente haverá que fazê-lo com a perspetiva de unificar luitas, de criar umha consciência mais global dos problemas. Que quem luita a nível setorial ou local acabe decatando-se de que todos os problemas a nível local e setorial tenhem precedentes na história e manifestaçons análogas no planeta e que tenhem em essência umha raíz comum. Essa batalha ideológica vamo-la ter no dia-a-dia com a esquerda institucional e as burocracias sindicais como oponhentes. Os conseguidores e geridores de derrotas nom se dam bem com a prática revolucionária, ainda que a conhecerem sobradamente. Que esta luita muitas vezes será árida e frustrante? Sem lugar a dúvida qualquer, mas nom me cabe dúvida de que é a que dá  frutos de verdade quando sai bem.

Pouco pintamos em corporaçons e hemiciclos onde se praticam pactos e consensos infumáveis e onde como regra geral se legisla e decide contra a maioria social e à conveniência das oligarquias. Nós temos um sério problema, que é nom lograr que o povo trabalhador nos distinga de outros projetos políticos aos que identifica com a corrupçom e as argalhadas manipulatórias da alta política, mas aos que finalmente vota maioritariamente. A imensa maioria do povo trabalhador di que “todos os políticos som iguais”, mas à hora de confrontar umha convocatória eleitoral vota e nom o fai em chave de classe e muito menos em chave antisistémica.

Qual é o peso percentual do proletariado industrial por exemplo, na sociedade galega, e como está repartido o voto nesse setor da populaçom? Distingue-se muito da distribuiçom do voto total? E organizaçons como NÓS-UP ou a FPG, quantos votos apanham aí? (problema de credibilidade?) Algumha cousa funciona mal, quando nom somamos, quando o “mapa eleitoral” apenas flutua em pequenas variaçons de reparto de voto entre umhas poucas forças  políticas, sempre as mesmas.

Gastamos quantidades importantes para nós, que nom fam ainda assim sombra aos orçamentos das grandes forças e nom conseguimos nem grande releváncia para as nossas campanhas, nem naturalmente resultados importantes em nível de votos. Evidentemente está o factor “voto útil”mas nom é o único.

Ter que utilizar marketing político quase idéntico ao das forças sistémicas, com a foto do candidato ou a candidata, os clássicos comícios e parafernália desse tipo, nom ajuda. A nossa marginalidade é umha circunstáncia que se retroalimenta em si própria, quando por cima actuamos como as grandes forças na pesca do voto. O mecanismo de razonamento será; “estes querem o voto como os demais, mas a estes ninguém lhes vota…se ninguém lhes vota, serám ainda piores que os outros”. Pois umha de duas; ou o que nos carateriza é “querer ser o Califa no lugar do Califa”, ou nos ponhemos na tarefa de converter essa máxima popular do “som todos iguais”, que está em boca da imensa maioria da populaçom, numha certeza que nos faga adoptar umha nova cultura de mobilizaçom. Umha mobilizaçom que tenha como horizonte a vitória, nom a capitulaçom por esgotamento das luitas populares, nos braços de conseguidores e burocratas vários.

Concluo reiterando que eu nom irei votar 20 de novembro. Nom tenho a quem e, por cima, isso de votar cada dia se revela como menos útil. Penso que nos tempos que correm as energias devem ser direcionadas de outra maneira, cara outras metas a meio prazo. Temos que conseguir que o abstencionismo se convirta nom numha atitude acomodatícia de passividade, mas na síntese de umha atitude de rejeiçom ao sistema. Nom participo, nom porque me sejam indiferentes as decisons políticas que se tomarem, mas porque nom dou credibilidade a este jogo seudo-democrático amanhado, que serve para legitimar um entramado político-institucional ao calor do que vivem milhares de parasitas.