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A crise atual e o movimento popular

Quarta-feira, 9 Novembro 2011

Telmo Varela

A crise atual é umha crise da que nom há saída. Umha das caraterísticas fundamentais desta crise é a sua sincronizaçom em todos os países capitalistas e o seu entrelaçamento com as crises estruturais e a com a crise geral do sistema (económica, política, ideológica, et ecétera).

 

A sincronizaçom da crise deve-se à dependència no desenvolvimento ténico-económico dos principais países capitalistas, que figérom possível a crescente globalizaçom da economia, a divisom internacional do trabalho e a integraçom monopolista internacional.

A crise atual é umha crise de superproduçom, mas dada a enorme massa de capital fixo investida e os avanços ténicos que permitem conhecer a conjuntura económica e as existências armazenadas em cada momento, varia na forma de manifestar-se, apresentando-se em pequeno grau como crise de superproduçom de mercadorias e em maior grau como crise de superacumulaçom de capital produtivo, em primeiro lugar de capital fixo.

Por todos estes motivos, a crise económica que vem padecendo o sistema capitalista, em lugar de dar o passo a um período de animaçom e prosperidade da economia, transforma-se numha crise crónica de todo o sistema capitalista, com a conseguinte estagnaçom da produçom, o incremento incessante do desemprego, a elevaçom dos preços, incremento dos impostos, et ecétera. Nestas condiçons agravam-se todos os problemas e lacras sociais e incrementa a luita de classes.

A saída a atual crise fai-se cada vez mais difícil, por nom dizer impossível, no quadro do próprio sistema. A falta de organizaçons políticas verdadeiramente revolucionárias, permite que o sistema capitalista tome oxigénio e dé bandaços de um lado a outro, procurando sair do atolhadeiro, entregando dinheiro público a maos cheias à Banca e aos grandes consórcios empresariais. Para que à volta da esquina voltem a estar como o princípio, necessitando mais resgates económicos.

Este conjunto de factores internacionais fai que hoje as contradiçons económicas, políticas e sociais agravam-se até tal extremo no seio dos países capitalistas, criando as condiçons favoráveis para o desenvolvimento da revoluçom social.

Precisamente, pola falta de organizaçons políticas revolucionárias, com implantaçom, jurdem ao longo do Estado (também na Galiza) organizaçons democráticas e populares, com o objetivo de responder a um amplo leque de demandas e reivindicaçons e defender os logros sociais que com a crise querem arrebatar.

Após o 15-M o cenário social é substancialmente diferente ao que havia tam só há um ano. As ocupaçons de espaços públicos, as assembleias em praças e ruas, as palavras de ordem como “vai acabar, vai acabar a paz social” fôrom-se propagando desde o passado maio e superárom os moldes dos protestos clássicos. Quebrando com corsés e ataduras que por todos os meios os partidos políticos oportunistas empenharom-se em sujeitar ao movimento obreiro e popular.

Há que aprofundar nestas novas formas de luita democráticas e assembleares, sem as tutelagens dos reformistas e dos agentes do sistema capitalista. Umah vez que estas formas de luita estejam consolidadas há que alargá-las ao mundo laboral, onde um modelo de relaçons laborais automatizado e um movimento obreiro desorientado e desorganizado está impedindo que a classe obreira ocupe o papel que historicamente lhe corresponde: verdadeiro motor e vanguarda da luita de classes. A situaçom de emergência social exige passar à açom e a classe obreira deve ter que jogar um papel determinante.

Qualquer projeto consequentemente revolucionário tem que passar necessariamente polo mundo do trabalho, no que hoje por hoje, e ao abeiro do que fam os sindicatos do sistema, falta-lhe dramaticamente o espírito da rebeliom que nasce dum impulso como o do 15-M, que quebre com todo o velho e caduco, e vejam a necessidade geral de mudar radicalmente as regras de jogo. Tanto mais quanto o capitalismo que padecemos esta retornando a posiçons cada vez mais reacionárias.

Tod@s sabemos que CCOO e UGT estám instalados no sistema, vivem e comem a conta dele, entom nom vam a combater um sistema que os mantem. Porém, os sindicatos de classe e combativos, nom acabam de arrancar, a menudo andam enfrascados em superar muitas das curtas miras, pola sua visom exclusivamente economicista. Nom acabam de entender que a luita sindical tem que olhar mais alá da simples luita económica. Também nom falta certo conservadurismo encaminhado a perserverar os logros orgánicos atingidos, coartando assim o seu próprio desenvolvimento, remisso a dar grandes passos adiante, temendo que podam pór em perigo os logros alcançados.

É certo que o sindicalismo combativo mantém muito em comum com o 15-M, como é a defesa da assembleia como centro decisório, a sua independência política e o rejeitamento total ao sistema capitalista, assim como o afam por vias novas, mais dinámicas e efetivas. Por iso, é importante para o movimento obreiro e popular procurar vias de achegamento e entendimento com o 15-M. O espírito do 15-M fai-se valer, sem dúvida, em determinados setores da classe obreira, ao tempo que o sindicalismo de classe transmite ao movimento 15-M umha dimensom obreira e de oposiçom total aos sistema capitalsita.

O que, hoje por hoje, parece indiscutível é que o sindicalismo combativo só perde se nom move ficha e nom aproveita umha tessitura tam particular como a que atravessamos. A olhos de muitos seria um estrepitoso fracasso do sindicalismo revolucionário nom dar um passo ao frente com energia, e com decisom colher responsabilidades políticas, para por-se à altura das circunstáncias e junto com o 15-M cimentar um moviemnto conjunto que se enfronte real e radicalmente aos sistema capitalista

Prisom de Dueñas (Paléncia)

2 de novembro de 2011