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Parlamentinho sob suspeita. E já vam três!

Quinta-feira, 3 Novembro 2011Um Comentário

Carlos Morais

O parlamentinho autonómico galego poucas atribuiçons tem. É mais decorativo que real. Só legisla naquilo que lhe autorizam. Simplesmente nom é soberano. Há pouco mais de três décadas Espanha habilmente permitiu umha descentralizaçom administrativa para neutralizar assim as demandas de liberdade nacional. Fruto desse Estado autonómico pós-franquista, foi criada a artificial Comunidade Autónoma da Galiza (CAG), que por imposiçom madrilena institucionalizou a renúncia de umha parte fundamental do nosso amputado território histórico.

A arquitetura administrativa derivada desse acordo, que a esquerda independentista nunca reconheceu nem apoiou, criou um parlamento de cartom que, depois de um ensaio no reduzido recinto universitário de Fonseca, ocupa de 1989 o prédio do que foi primeiro a faculdade de Veterinária e, posteriormente, um quartel.

O pensamento eurocêntrico tende a identificar a corrupçom com países terceiromundistas. Na Europa ocidental existiria, mas sempre a níveis reduzidos. Nesta área geográfica, esta prática nom só estaria punida pola legislaçom, como seria perseguida e os seus responsáveis castigados. Frente ao acionar do “Estado de direito”, em África ou na América Latina a impunidade seria a tónica dominante.

Nas últimas semanas já som três os deputados do parlamentinho do Hórreo que se vírom obrigados a demitir polos seus vínculos com o tráfico de influências e os subornos. Pablo Cobián e Fernando Branco, polos seus nexos com o empresário luguês Jorge Dorribo, involucrado na cobrança de centenas de milhares de euros em comissons de subsídios inchados e amanhados por organismos autonómicos. Ambos deputados, do PP e do BNG respetivamente, teriam-se lucrado economicamente em troca de “favores” administrativos.

A ainda aberta “Operaçom Campeom” também salpica diretamente o number two do PSOE, o renegado Pepe Blanco, embora semelhe de momento ter mais mecanismos para resistir a pressom a que se vê submetido polo PP. Já se verá depois do 20 de novembro!

Operaçom Areia

Um empresário de Trasancos, Fermim Duarte, proprietário de Mammer SL, foi denunciado pola Associaçom Galega de Áridos por importar da Holanda conglomerado asfáltico tóxico e vendê-lo a baixo preço a empresas construtoras. A competência desleal está na origem dessa denúncia que dificultava o pujante negócio do senhor Duarte. Por este motivo, conseguiu que um deputado do PP, Xavier Escribano, em troca de comissons e de um porsche, intercedesse perante as Conselharias da Indústria e Meio Ambiente para que permitissem a venda dos milhons de toneladas armazenadas no porto de Ferrol, e mesmo facilitassem lista de novos clientes.

Mas a história nom finaliza aqui. O atual presidente da Cámara Municipal da Corunha e um dos que promoveu ao dirigente da Novas Geraçons a um posto de saída nas listas facilitando ser deputado, aparece nos meios como quem filtrou ao agora demitido que tinha o telefone sob escuita, pois estava a ser investigado. Desta forma, Carlos Negreira, alinhado com o setor mais ultra do PP e um dos hooligans que participárom ativamente na manifestaçom fascista de Galicia Bilingüe de fevereiro de 2009, pretendeu infrutuosamente proteger o seu pupilo.

Em resumo, nada excessivamente novo. Empresário com menos escrúpulos do habitual, que importa materiais contaminados de um país central da UE para vender no seu próprio, solicita favores a um político em troca de dinheiro e objetos suntuários, embora neste caso fosse um dos fetiches mais tópicos do novorriquismo, um automóvel desportivo alemám em segunda mao.

Porém, este recente “escándalo” vai acompanhado por ingredientes extra que também exprimem a descomposiçom paulatina desta democracia formal e a dramática situaçom da negada Naçom Galega.

Resíduos que a Holanda nom quer acabam na Galiza. O papel periférico que o imperialismo nos tem reservado na divisom internacional do Trabalho funciona perfeitamente. Ficamos mais perto de África e, portanto, é mais barato depositar o lixo industrial cá que reciclá-lo nos seus países ou enviá-los a qualquer Estado do Golfo da Guiné.

As autoridades portuárias, de fronteiras, dos diveros departamentos industriais, de meio ambiente parecem nom detectar a composiçom tóxica dos materiais, e permitem que tipos como Fermin Duarte joguem com a saúde do povo galego enquanto fam negócios milionários.

Um alto dirigente do PP, que supreendentemente tem acesso a informaçom privilegiada policial, pretende encobrir um deputado. Nom se importa com que esteja envolvido em subornos nem que facilite a introduçom de asfalto cancerígeno nas estradas e ruas galegas.

Tivo que ser umha denúncia de umha associaçom empresarial a que sacasse à luz um novo capítulo da lixeira industrial em que estám a converter o nosso país.

Algumhas perguntas incómodas

Estamos perante umha má racha das suas senhorias ou será que o grau de corrupçom é tam elevado que já nom é possível ocultá-la?

Cobiám, Branco e Escribano som meras ovelhas descarriadas ou simples pontas do icebergue de um modelo socioeconómico corrupto com ligaçons diretas a umha casta política intrinsecamente corrupta?

Porque a atitude dos partidos sistémicos é tam morna? Porque as centrais sindicais nom se pronunciam e quando o fam é de boca pequena?

Os meios de comunicaçom do sistema obviamente apresentam estes acontecimentos como factos isolados que devem ser perseguidos. Tal como a procuradoria e o conjunto do sistema judicial evitam aprofundar nas raízes de umhas práticas que a imensa maioria da populaçom suspeitamos e mesmo acreditamos que fam parte consubstancial desta podre democracia burguesa eapanhola.

De 75 deputadas e deputados que decidem por nós e sempre sem nós o que Espanha permite, já som três os que se vírom obrigados a se demitir. A este ritmo, o parlamentinho vai-se parecer cada vez mais ao Senado e Congresso colombianos, onde dúzias de deputad@s estám demitidos e encarcerados polas suas ligaçons com o narcotráfico e o paramilitarismo.

A casta política que nos malgoverna tem uns privilégios muito superiores à média das mortais. Mas nom se conforma com elevados salários, pluses, reformas douradas, carros oficiais, descontos e um longo et cétera. É umha casta insaciável, cleptómana. Sempre quer mais e mais.

Como representaçom institucional de um setor do povo galego carece de umha conceçom altruísta da política. Utilizam-na para fazer caixa, para se enriquecer com visom curtoprazista ou com visom longoprazista: tecer ligaçons e relaçons que serám bem aproveitadas quando abandonarem os cargos. Aí estám os ex-presidentes do governo espanhol assalariados por multinacioais ou o ex-lider do BNG exercendo de testaferro de negócios alheios no Brasil.

Aqui de momento nom há paramilitarismo, mas sim narcotráfico, prostituiçom, tráfico de armas e imigrantes, todo o tipo de negócios ilícitos, mas também de negócios legais ao abrigo de umha legislaçom que facilita cada vez mais a exploraçom.

Existe algumha fórmula para fazer passar a “prova do algodom” e descartar que o resto dos deputados e deputadas do Hórreo estám limpos? Obviamente nom. O problema nom se pode circunscrever a umha questom de falta de honradez de algumhas pessoas, nem se pode depositar a soluçom na alternáncia política derivada dos processos eleitorais.

Enquanto a produçom industrial galega se afunde pola crise do naval e do têxtil, com umha queda de mais de 3.5% do PIB industrial nos últimos meses, enquanto o desemprego segue um imparável incremento (mais de um quarto de milhom) as bancadas do PP, PSOE e BNG estám salpicadas polos negócios e os métodos pouco ortodoxos que os seus membros praticam para viver a corpo de rei a custo da classe trabalhadora.

Vam três! Qual será o próximo? Seguro que alguém do PSOE. Agora é a vez dos de Pachi Vázquez!

Mas todo indica que a partir de agora tentarám evitar mais casos. “Razons de estado” assim o recomendam. A situaçom social é muito volátil e quaquer má gestom da cousa pública pode provocar que se incendie a pradaria. A crise nom pára de golpear sobre os de abaixo. É pois pouco recomedável mexer sobre escrementos e sobretodo neste caso é perigoso.

Além disto, amanhá começa o circo eleitoral. Nisto sempre houvo trégua.

Nom existe mais alternativa viável que avançar na construçom de umha nova sociedade. Isto só será possível quebrando esta. A insurreiçom nacional obreira e popular (INOP) é a fórmula para o triunfo da Revoluçom Galega. Parece inviável e utópica. Bastante menos que acreditar na volta pacífica à situaçom de expansom económica e estabilidade social da década de noventa.

Galiza, 2 de novembro de 2011