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Publicamos “Guerra e populaçom camponesa” no 44 aniversário do assassinato do Che

Sábado, 8 Outubro 2011

Quando se cumprem 44 anos do assassinato na Bolívia do revolucionário Ernesto Guevara de la Serna, Che, por ordem da CIA, divulgamos na nossa língua o trabalho “Guerra e populaçom camponesa”, publicado no diário Revoluçom em 1959.

Guerra e populaçom camponesa

O viver continuado em estado de guerra cria na consciência do povo umha atitude mental para se adaptar a esse fenómeno novo. É um longo e doloroso processo de adaptaçom do indivíduo para poder resistir a amarga experiência que ameaça a sua tranquilidade. A Serra Maestra e outras novas zonas libertadas tivérom que passar também por esta amarga experiência.

A situaçom camponesa nas zonas agrestes da serra era simplesmente horrível. O colono, vindo de longinquas regions com afáns de libertaçom, terá curvado as costas sobre as tumbas novas que arrancava o seu sustento, com mil sacrifícios, terá feito nascer as matas de café das lombas íngremes onde é um sacrifício o tránsito para o novo; todo com o seu suor individual respondendo ao afám secular do homem por ser dono do seu pedaço de terra; trabalhando com amor infinito esse risco hostil que tratava como umha parte de sí mesmo. De repente, quando as matas de café começavam a florescer com o grao que era sua esperança, aparecia um novo dono dessas terras. Era umha companhia estrangeira; um geófago local ou algum aproveitado especulador inventava a dívida necessária. Os caciques políticos, os chefes de posto trabalhavam como empregados da companhia ou o geófago prendendo ou assassinando qualquer camponês demasiado rebelde às arbitrariedades. Esse panorama de derrota e desolaçom foi o que entromaos para o unir à derrota, produto de nossa inexperiência, na Alegria de Pio (o nosso único revés nesta longa campanha, a nossa cruenta liçom de luita guerrilheira). O camesinato viu naqueles homens macilentos cuja barba, agora lendária, começava a aflorar, um companheiro de infortúnio, um novo golpeado polas forças repressivas, e nos deu a sua ajuda espontánea e desinteressada, sem esperar nada dos vencidos.

Passárom os dias e a nossa pequena tropa de já aguerridos soldados mantivo os triunfos da Prata e Palma Mocha. O regime reagiu com toda a sua brutalidade e o assassinato camponês fijo-se em massa. O terror desatou-se sobre os vales agrestes da Serra Maestra e os camponeses retraírom a sua ajuda; umha barreira de mútua desconfiança aparecia entre eles e os guerrilheiros; aqueles polo medo à represália, estes por temor às delaçons dos timoratos. A nossa política, nom obstante, foi justa e compreensiva e a populaçom guajira iniciou a sua viragem de volta à nossa causa.

A ditadura, na sua desesperaçom e no seu crime, ordenou a reconcentraçom das milhares de famílias guajiras da Serra Maestra às cidades.

Os homens mais fortes e decididos, quase todos os jovens, preferírom a liberdade e a guerra à escravatura e a cidade. Longas caravanas de mulheres, nenos e velhos peregrinárom polos caminhos serpenteantes onde tinham nascido, baixárom ao plano e fôrom acantoados nos arrabaldos das cidades. Pola segunda vez, Cuba vivia as páginas mais criminosas da sua história: a reconcentraçom. Primeiro a ordenou Weyler, o sanguinário espadom da Espanha colonial; agora o mandava Fulgencio Batista, o pior dos traidores e dos assassinos que conheceu América. A fame, a miséria, as doenças, as epidemias e a morte, dizimárom os camponeses reconcentrados pola tirania; ali morrêrom nenos pola falta de atençom médica e de alimentaçom, quando a uns passos deles estavam os recursos que puiderom salvar as suas vidas. O protesto indignado do povo cubano, o escándalo internacional e a impotência da ditadura em derrotar aos rebeldes, obrigárom o tirano a suspender a reconcentraçom das famílias camponesas da Serra Maestra. E outra vez voltárom às terras onde tinham nascido, miseráveis, doentes e dizimados, os camponeses da Serra. Se antes tinham sofrido os bombardeios da ditadura, a queima de sua choupana e o assassinato em massa, agora conheceram a desumanidade e barbárie de um regime que os tratou pior do que a Espanha colonial os cubanos da guerra independentista. Batista superara Weyler.

Os camponeses voltárom com umha decisom inalterável de luitar até vencer ou morrer, rebeldes até a morte ou a liberdade.

A nossa pequena guerrilha de extraçom cidadá começou a se colorear de chapéus de yarey; o povo perdia medo, dicidia-se à luita, tomava decididamente o caminho da sua redençom. Nesta mudança coincidia a nossa política para o campesinato e os nossos triunfos militares que nos mostrava já como umha força imbatível na Serra Maestra.

Postos na disjuntiva, todos os camponeses elegerom o caminho da Revoluçom. A mudança de carácter da que falávamos antes mostrava-se agora em toda a sua plenitude: a guerra era um facto, doloroso sim, mas transitório; a guerra era um estado definitivo dentro do qual o indivíduo devia adaptar-se para subsistir. Quando a populaçom camponesa o comprendeu, iniciou as tarefas para enfrentar as circunstâncias adversas que se apresentariam.

Os camponeses voltárom aos seus conucos abandonados, suspenderom o sacrifício dos seus animais guardando-os para épocas piores adaptárom-se também as metralhadas selvagens, criando cada família o seu próprio refúgio individual.

Habituárom-se também às periódicas fugas das zonas de guerra, com famílias, gado e enseres, deixando ao inimigo só a choupana para que cebaram o seu ódio convertindo-o todo em cinzas. Habituárom-se à reconstruçom sobre as ruínas fumegantes da sua antiga moradia, sem queixas, só com ódio concentrado e vontade de vencer.

Quando se iniciou a repartiçom de reses para luitar contra o cerco alimentar da ditadura, cuidárom os seus animais com amorosa solicitaçom e trabalhárom em grupos, estabelecendo de facto cooperativas para transladar o gado a lugar seguro, doando também os seus potreiros, e os seus animais de carga ao esforço comum.

Num novo milagre da Revoluçom, o individualista acérrimo que cuidava celosamente os limites da sua propriedade e do seu direito próprio, unia-se, por imposiçom da guerra, ao grande esforço comum da luita. Mas há um milagre maior. É o reencontro do camponês cubano com a sua alegria habitual, dentro das zonas libertadas. Quem foi testemunha dos apoucados cochicheios com que as nossas forças eram recebidas em cada casa camponesa, nota com orgulho o clamor despreocupado, a gargalhada alegre do novo habitante da Serra. Esse é o reflexo da segurança em sim mesmo que a consciência da sua própria força deu aos habitantes de nossa porçom libertada. Essa é a nossa tarefa futura: fazer retornar ao povo de Cuba o conceito da sua própria força, da segurança absoluta em que os seus direitos individuais, apoiados pola Constituiçom, som o seu maior tesouro. Mas ainda que o voo dos sinos anunciará a libertaçom a volta da antiga gargalhada alegre, de despreocupada segurança que hoje perdeu o povo cubano.


Lunes de Revolución, 26 de Julho de 1959