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Icebergue de branca ponta no Sam Froilám

Terça-feira, 4 Outubro 2011

Carlos Morais

As liortas intestinas no seio das elites que nos malgovernam, os interesses conjunturais da feroz competência entre as diversas fraçons da intermediária burguesia autótone e a espanhola da qual dependem, provocam que com certa cadência os meios de comunicaçom destapem alguns episódios da corrupçom generalizada do regime.

Há meses, após a recuperaçom do governinho de Sam Caetano polo PP, emergírom, como sempre de jeito superficial, sesgado e incompleto, as ligaçons de ex-altos cargos da Conselharia da Indústria ligados à UPG-BNG com a empresa Laboratórios Nupel, sediada em Lugo, cujo proprietário atualmente está preso em Bonge.

Umha operaçom “anti-corrupçom” desviada do “combate” às drogas, denominada Campeom, desmantelou umha rede que por meio do IGAPE e as boas relaçons com as Conselharias da Junta e com os Ministérios do governo espanhol, desviava centenas de milhares de euros em comissons de subsídios inchados e amanhados.

Os dous principais responsáveis do Instituto Galego de Promoçom Económica, vinculados ao PP, fôrom encarcerados com o empresário Jorge Dorribo, paradigma do empreendedor que, com orgulho provinciano, poder político e imprensa local tanto mimárom.

Já naquela operaçom os nomes de Fernando Branco e os seus sequazes fôrom atingidos, sem que até o momento fossem formalmente imputados e processados.

Porém, o citado Jorge Dorribo, farto de estar na prisom e nostálgico dos bons tempos em que assinava acordos com os xeques árabes na Deputaçom de Lugo cedida polo velho cacique Cacharro Pardo, seica optou por desenferrujar a língua.

Há umhas semanas, em plena canícula de agosto e sonhando com poder comer polvo com cachelos no Sam Froilám, denunciou perante o juiz a cobrança de comissons por parte de três velhas amizades, ou talvez seja melhor tratá-las de antigos sócios, que nem lhe escreviam nem o visitavam no penal.

Pepe Blanco -segundo do PSOE zapaterista, em plena intriga para deslocar Pachi Vázquez da Secretaria-Geral da seçom galega-, um deputado autonómico do PP de Oleiros chamado Pablo Cobián, e o também deputado no Hórreo, neste caso do BNG, Fernando Branco, fôrom denunciados polo argüido.

A notícia bomba do verao estivo oculta até que um jornal madrileno optou por filtrá-la.

A santa trindade dos partidos do regime envolvidos. O rasputim do aparelho do PSOE negou os factos, tal como o membro do Comité Central da UPG, mas o deputado do PP já se demitiu. Deste jeito, Rajói nom quer deixar nengum flanco aberto quando todos os indicadores eleitorais manifestam que está a ponto de ocupar a Moncloa.

Nom nos corresponde a nós condenar nem absolver ninguém, pois nem somos juízes, nem acreditamos na justiça burguesa, patriarcal e espanhola, nem temos mais dados que os filtrados pola imprensa. Porém, o senso comum e o conhecimento das práticas de umha casta política corrupta, legitimadora de um regime podre até o cerne, provoca que nom nos surpreendam os factos em curso, como tampouco tenhamos muitas dúvidas sobre a sua veracidade.

Pepinho e Fernando na obscuridade

O autonomismo também necessitava exercer e implicar-se a fundo em práticas mafiosas e criminosas inerentes ao modo de produçom capitalista para se homologar com os dous grandes partidos do regime. Era mera questom de tempo. Nom podia nem pode ser de outro jeito.

A lógica e a cosmovisom sistémica tende à corrupçom. É praticamente impossível conviver à sua margem na política institucional. Ou bem tiras partido dela ou entom optas por olhar para o lado, evitando denunciar os teus companheiros de partido. Fazê-lo é umha sentença de “morte política”. Ficarás arredado das listas e, no melhor dos casos, dos postos de saída.

O pacto de silêncio de facto que a partitocracia aplica nestes temas, salvo quando pontualmente decidem contorná-lo por necessidades concretas, evita conhecermos polo miúdo o mundo do suborno e a roubalheira generalizada de fundos públicos que liga políticos profissionais e empresários, com as suas ainda mais herméticas derivaçons no mundo da justiça e dos aparelhos repressivos do Estado.

Este episódio pode nom dar muito mais de si, para além de gerar umha incómoda e indesejável irmandade entre os que compartilhavam apelido mas, que soubéssemos, careciam de vínculos familiares comuns. Mas também pode ser o filom central dos títulos jornalísticos durante os dias e semanas que Rajói necessitava e Rubalcaba nem previa nos seu piores pesadelos do 20N.

Pode truncar as desmedidas ambiçons de Pepinho Blanco de converter os seus derradeiros dias no interino governo de Madrid num retorno dourado à Galicia natal emulando dom Manuel, fechando assim o ciclo do cobarde e medíocre dirigentinho das fantasmagóricas Juventudes Socialistas que na década de oitenta foi visto a tremer abaixo de umha mesa do Conselho da Juventude da Galiza, sediado em Compostela, perante as acusaçons de corrupçom com que as juventudes do nacionalismo galego o  denunciavam.

Ainda assim, sempre lhe ficará desfrutar do seu nada desdenhável salário e património que declara possuir, e mesmo optar a encabeçar a oposiçom municipal em Palas de Rei em 2015.

Fernando Branco terá que dar mais explicaçons a Paco Rodrigues polos erros cometidos pois, após as reviravoltas e evoluçons, nom sei se ainda se pratica a crítica e autocrítica. O que nom procede é justificar-se perante Carlos Aymerich nem Guilherme Vázquez.

E se a sua consciência assim o aconselhar, talvez visite no seu merecido descanso o perplexo presidente eterno da UPG para esclarecer se estas práticas som permitidas no seu seio, ou também deve submeter-se à “regeneraçom e depuraçom”. Ou será que na gestom da na altura todopoderosa Conselharia de Indústria já “sobrava unto e faltava cloro”?

Talvez nom chegue o sangue ao rio, e a vitória de Mariano facilite num interminável par de meses engavetar o assunto.

Milionárias indenizaçons de executivos de NCG em plena luz

A política do saque e a mais mínima carência de moral também chega ao mundo das finanças galaicas.

Depois da progressiva e bem planificada operaçom de aniquilaçom das duas caixas de aforro galegas que conscientemente CEP, PP e CCOO implementárom ao longo deste ano, com o contraditório aval da direçom do autonomismo na sua versom política e burocrática-sindical, somos informados da “estatalizaçom” da NCG por parte do Banco de Espanha.

Após umha injeçom de mais de 1.160 milhons de euros polo FROB a já bancarizada NCG novamente foi recapitalizada com mais 2.465 milhons extraídos dos aforros da classe obreira. Agora só cumpre aguardar a sua venda a preço de saldo a algum dos banqueiros nacionais ou estrangeiros que interesse satisfazer e ter de mao ao governo de serviço, sobretodo se som amigos e assim, no futuro, poderám pagar o favor

Há pouco mais de um mês, Portugal reprivatizou o Banco Português de Negócios (BPN) por 40 milhons depois de o sanear por 2.400 milhons de euros (1.4% do PIB). Esta ruinosa operaçom financeira segue os ditames do programa de austeridade (em realidade a apropriaçom pacífica do País polo capitalismo internacional) imposto a Lisboa pola troika, essa tríada maligna formada polo Banco Central Europeu, o FMI e a Comissom Europeia.

Mas o caso da NCG nom fica aqui. A seguir a umha reestruturaçom de pessoal que provocou despedimentos, reformas e pré-reformas impostas ao quadro do pessoal, os ex-diretivos da entidade pactuárom no processo de integraçom de Caixanova com Caixa Galicia indenizaçons multimilionárias.

José Luís Pego oito milhons, Óscar Rodríguez Estrada sete, Gregório Gorriarán 5, e Javier García de Paredes 3.5.

Eis o capitalismo em estado puro. Falam de austeridade e roubam com o beneplácito do regime e o silêncio da partitocracia, a plena luz do dia, e sem ter que empregar capuz nem umha caçadeira de canos serrados, o dinheiro equivalente ao que tenhem que suar centenas de obreiras e obreiros deste país durante toda umha vida, vendendo a sua força de trabalho a estes criminosos.

A indignaçom é insuficiente. Sobram razons para a revolta social.

Galiza, 4 de outubro de 2011