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Casta política cleptómana

Sexta-feira, 30 Setembro 2011

Carlos Morais

Recentemente, numha clara e desesperada tentativa de lavagem da péssima imagem e desprestígio popular, o conjunto de inquilin@s das Cortes e o Senado espanhóis dérom a conhecer o seu património pessoal.

A calculada operaçom de marqueting pretende transmitir transparência numha conjuntura política extremamente delicada pola grave situaçom socioeconómica que atravessa o conjunto do povo trabalhador.

O resultado nom é surpreendente, pois é vox populi que nom estamos governados por filantrópicos servidores públicos, mas por umha medíocre casta política cleptómana habituada ao saque dos fundos públicos de forma “legal” -mediante salários desorbitados, pluses, ajudas de custo, verbas vitalícias, reformas douradas-, mas também de maneira ilegal na forma de comissons e utilizaçom de informaçom privilegiada na hora de investir em bolsa ou em iniciativas económicas.

A permissividade com estas práticas obscenas permite entender os dados difundidos a inícios de setembro.

Mais de 163.000€ e duas vivendas é o património médio que declaram possuir os deputados e senadores. Esta escandalosa revelaçom constata que estamos governados por umha corrupta camarilha carente de escrúpulos que se dedica pura e simplesmente à ladroeira.

Mas o furto planificado e organizado é muito superior ao declarado, pois nos dados divulgados nom se inclui boa parte do que tenhem mediante testaferros.

Embora os meios de comunicaçom sistémicos tenham tentado justificar a possibilidade real de acumular estas fortunas mediante o simples aforro -como o millhom de euros que declara possuir o ex-ministro franquista e ex-presidente da Junta da Galiza, Manuel Fraga Iribarne- o senso comum desmente com factos e rudimentares conhecimentos de matemática ter logrado administrar tam bem o salário de toda umha vida parasitando da administraçom estatal.

Nom existem, salvo algumha exceçom, grandes diferenças entre representantes das grandes formaçons espanholas (PSOE e PP) e o resto das forças parlamentares. A direita nacionalista basca e catalá, os autonomistas do BNG, os reformistas de IU ou ERC, tenhem em comum que som todos, sem exceçom, ricos no sentido literal e material do termo.

Celso Delgado, Elena Salgado, Duran Lleida, Gaspar Llamazares, Olaia Fernández, Joan Ridao, pertencem ao mesmo clube dos privilegiados do sistema capitalista. Fam parte da fraçom de apoio à burguesia ou mesmo estám inseridos no núcleo da burguesia que implementa infames planos neoliberais tendentes a perpetuar os seus privilégios em troca de condenar a miséria a classe obreira, as mulheres e os povos.

A demagogia da austeridade

Estes dados saem à luz quando a “austeridade” e a necessidade de realizar “sacrifícios compartilhados” fam parte do discurso hegemónico entre os políticos profissionais como única e milagreira receita de contribuir para superar a crise capitalista.

Mediante cortinas de fumo e populistas medidas carentes da mais mínima eficácia, como a reduçom do parque automobilístico oficial ou a regularizaçom de incompatibilidades na acumulaçom de cargos públicos, a casta política pretende acalmar a indignaçom social perante a alarmante taxa de desemprego, os salários e pensons de miséria, as reformas laborais permanentes de mais precariedade e menos direitos, os cortes na sanidade, educaçom e serviços sociais.

Mas, como justificar pluses por assistência a reunions superiores aos salários mensais e as jubilaçons de destacados setores da classe obreira e as camadas populares?

Como se pode legimitar um regime que esbanja recursos na pompa e nos luxos da erroneamente denominada “classe política”?

Como compreender o silêncio cúmplice, quando nom a colaboraçom nua e crua das burocracias sindicais, com a ofensiva predadora da burguesia?

Lamentavelmente, a nossa formaçom social é devedora ainda das derrotas estratégicas impingidas à classe obreira e à Pátria na metade da década dos anos trinta e setenta do século passado. A esta  lousa devemos acrescentar o férreo controlo do aparelho propagandístico sistémico que, com precisom e eficácia, implementa estratégias alienantes bombardeando a “opiniom pública” com doses ilimitadas de demagogia e desinformaçom.

Poder económico, representaçom política e aparelho de desinformaçom som umha tríada que em perfeita sincronizaçom exercem de muro de contençom do cada vez maior, embora muito insuficiente, emergente mal-estar social.

As condiçons materiais dos charlatáns que ocupam a aquitetura institucional do postfranquismo esclarecem as causas da cada vez maior morna linha política da “esquerda” nacional e estatal que nom supera a retórica reivindicativa para justificar o seu espaço eleitoral e fecha fileiras em defesa de um sistema capitalista que nos condena à progressiva depauperaçom.

Tanto no parlamentinho de cartom do Hórreo compostelano, como nas cámaras madrilenas encena-se um género teatral sincrético entre o teatro do absurdo, a comédia, a fábula e a revista de variedades cujo resultado é umha tragédia para o povo.

As recentes fotografias e imagens televisivas do final da segunda e última legislatura de Zapatero é umha magnífica expressom da hipocrisia do parlamentarismo burguês.

A charlatanaria que acompanha os debates onde aparentam confrontar posiçons divergentes, e mesmo nalguns casos antagónicas, esvai-se quando observamos com o rubor que merece o repugnante compadreio do membro do comité central da UPG Francisco Jorquera com a ultraespanholista Rosa Diez; a neofascista Soraya Saenz de Santamaria abraçada ao ex-ministro do interior do PSOE José António Alonso; os sorrisos do social-democrata Gaspar Llamazares com o ultraliberal Josep Duran LLeida. Todos juntos em amor e companhia. Acabou a funçom e já nom é necessário interpretar.

Poder económico e representaçom política

Na realidade a casta política tam só defende as necessidades do grande capital. As razons polas quais atualmente está tam bem remunerada nom som difíceis de dilucidar: é a garantia de poder assegurar a defesa dos interesses da plutocracia que controla o “poder político” institucional como simples fantoche.

A oligarquia espanhola e as multinacionais com presença no Estado tem assalariada a prática totalidade do conjunto das forças políticas e sindicais com representaçom institucional para assim fazer mais caixa. Nom se submeter aos seus desígnios provocaria enormes custos que quase ninguém se arrisca a praticar.

A esquerda institucional e os grandes sindicatos só rugem de forma esporádica e inofensiva para poder manter a sua cada vez menor legitimidade popular. Carecem de umha estratégia de luita. Temem mais a revolta social, umha explosom popular incontrolada, que as diretrizes da CEOE. Estám esterilizadas para qualquer transformaçom.

Os vínculos criados entre poder económico e representaçom política som posteriormente premiados ocupando responsabilidades na gestom ou no assessoramento daquelas empresas às quais se ajudou a obter lucros multimilionários facilitando informaçom privilegiada ou dando apoio político na lógica da competência que carateriza a economia de mercado.

O salto ao mundo dos negócios dos mais recentes ex-presidentes do governo espanhol permite compreender o funcionamento do sistema.

Felipe González, como conselheiro de Gás Natural-Fenosa, do grupo Prisa ou do império económico do magnata mexicano Carlos Slim, e de José María Aznar cobrando de Endesa, News Corporation de Rupert Murdoch, Doheny Global Group ou a imobiliaria J. E. Roberts, som exemplos paradigmáticos de umha prática muito estendida.

Após saquear os recurso do Estado, multiplicam os seus rendimentos milionários exercendo de consultores, na direçom de informes, ditames ou estudos das grandes corporaçons de um capitalismo senil com cada vez maiores traços feudais.

Na Galiza, as contribuiçons de Anxo Quintana quando ocupava a Vice-Presidência da Junta com os negócios do construtor Jacinto Rey nom som alheias ao novo rol que agora exerce como homem de negócios na América Latina.

Isto nom tem arranjo possível no quadro da economia de mercado. Já nom tenhem a mais mínima credibilidade as amáveis medidas políticas social-democratas de redistribuiçom dos excedentes, pois a crise é tam profunda e sistémica que, ou bem se impom umha readequaçom do capitalismo global caraterizada polo autoritarismo e o incremento da repressom e violência generalizada, ou se opta por dar a volta à situaçom.

Erradicar posiçons ingénuas

Na Galiza, ainda nom estám maduras as condiçons sociais, ainda existem instrumentos de “coesom popular”, poderosos amortecedores sociais, que facilitam umha precária, mas de momento real estabilidade.

O fenómeno da recente “revolta” das classes médias juvenis urbanas de vocaçom mesocrática som expoente desse mal-estar social que está a fermentar, mas nom é ainda a onda que pode fazer abalar o sistema.

O capitalismo, consciente da sua fraqueza, contribui para sobredimensionar o fenómeno, facilitando o desenvolvimento e vertebraçom dos protestos -atualmente em fase de refluxo- visibilizando-os, evitando empregar a repressom que utiliza contra a classe obreira e as luitas de libertaçom nacional, pois deste jeito contribui para dar saída às tensons acumuladas mediante umha válvula de escape controlável cujas principais reivindicaçons -mui ambíguas e atrapadas entre grandes declaraçons de princípios e medidas timoratas e idealistas- som na maioria dos casos perfeitamente assumíveis num cenário em que seja aconselhável incorporá-las para assim evitar o avanço de um processo de radicalizaçom e giro revolucionário.

As reivindicaçons e o programa do denominado movimento das indignadas, maioritariamente, só procura voltar à situaçom do mal denominado Estado de Bem-Estar, hegemónico na década de setenta em boa parte de ocidente. Carece de um projeto revolucionário, pois exprime a frustraçom de quem tinha previsto e assegurada umha vida cómoda e na atualidade está condenada a ser carne de canhom da proletarizaçom e o empobrecimento.

@s comunistas estamos suficientemente vacinad@s para nom nos deixarmos fascinar por fenómenos destas caraterísticas. Mas tampouco devemos desprezá-los nem subestimá-los, pois exprimem que algo novo está a nascer e que as nossas análises, prognósticos e sobretodo a resistência e firmeza nos princípios nos anos duros do neoliberalismo da longa década de noventa fôrom e som corretos.

Hoje, como na etapa da Comuna de Paris, da Revoluçom bolchevique, da Revoluçom Cubana, dos grandes levantamentos e explosons sociais contra a opressom, nom há mais saída e alternativa que umha Revoluçom social e nacional.

Esta só poderá lograr derrubar a vellha ordem em processo de reformulaçom e reajustamento mediante umha insurreiçom que nom pretenda simplesmente influir no curso dos acontecimentos, mas tomar o poder. E só o proletariado em aliança com o conjunto do povo trabalhador tem capacidades reais para avançar por esta via.

Como bem nos ensinou o Che, do qual em poucos dias lembraremos o seu assassinato na Bolívia polos rangers ianques, o presente é de luita, o futuro é nosso.

Galiza, 28 de setembro de 2011