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Aclamaçom para os verdadeiros vitoriosos da revoluçom de Rupert

Segunda-feira, 12 Setembro 2011

John Pilger

Em 13 de setembro é inaugurada em Londres umha das maiores feiras de armas do mundo, com o apoio do governo britânico. Em 8 de setembro, a Câmara de Comércio e Indústria de Londres apresentou umha antevisom intitulada “Médio Oriente: Um mercado vasto para companhias britânicas de defesa e segurança”. O patrocinador foi o Royal Bank of Scotland, um grande investidor em bombas de estilhaçamento (cluster). Segundo a Amnistia Internacional, as vítimas de bombas de estilhaçamento som 98 por cento civis e 30 por cento crianças. O Royal Bank of Scotland recebeu £20 milhons de dinheiro público. No anúncio para a festa de armas do banco lê-se: “O Médio Oriente é umha das regions com o maior número de oportunidades para companhias britânicas de defesa e segurança. A Arábia Saudita… é o principal importador de defesa do mundo, tendo gasto US$56 mil milhons em 2009… umha regiom muito valiosa a visar”.
Tais som as prioridades do governo de Cameron depois da grande vitória “humanitária” na Líbia. Como declarou outrora Margaret Thatcher: “Alegrem-se!” E como os banqueiros e mercadores de armas aumentam a graduaçom dos seus óculos, nom vamos esquecer os heróicos pilotos da RAF que tornarom a Líbia nossa outra vez pola incineraçom de incontáveis “elementos pró Kadafi” nos seus lares, camas e clínicas, nem os desconhecidos apoiantes da indústria britânica de drones em Menwith Hill, Yorkshire , que, antes e depois do almoço, providenciam a informaçom de alvos dos drones de modo a que mísseis Hellfire poidam arrasar lares e sugar o ar para fora de pulmons, umha especialidade. E aclamaçons para o sítio de teste de drones da QuinetQ, em Aberporth, e para a UAV Engines Limited, em Lichfield.
A missom humanitária do ocidente nom está totalmente terminada. Cerca de seis meses depois de conseguir umha resoluçom das Naçons Unidas autorizando “a [protecçom] de civis e áreas populadas civis sob a ameaça de ataque”, a NATO está a despejar bombas de fragmentaçom sobre Sirte populada por civis e outro “redutos de Kadafi” onde, diz um repórter do Channel 4 New, “até que cortem a cabeça da cobra, os líbios nom se sentem seguros”. Cito isto nom pola sua qualidade Orwelliana mas como um exemplo do papel do jornalismo em justificar antecipadamente os “nossos” banhos de sangue.
Isto é a Revoluçom de Rupert, afinal de contas. Nestes dias a imprensa de Murdoch já nom utiliza a palavra “insurgentes” como pejorativa, como fazia antes. A acçom na Líbia, di The Times, é “umha revoluçom… tal como as revoluçons costumavam ser”. Que isto é um golpe de umha ganga de ex-comparsas e espions de Muammar Kadafi em conluio com a NATO dificilmente é notícia. O auto-designado “líder rebelde”, Mustafa Abdul Jalil, era o temido ministro da Justiça de Kadafi. A CIA dirige ou financia a maior parte do resto, incluindo velhos amigos da América, os mujadeen islâmicos que desovarom a al-Qaeda.
Contam aos jornalistas só o que eles precisam saber: que Kadafi estava prestes a cometer “genocídio”, do que nom há evidência, ao contrário da abundante evidência de massacres “rebeldes” de trabalhadores negros africanos falsamente acusados de serem mercenários. A transferência secreta feita por banqueiros europeus do Banco Central da Líbia de Tripoli para a Bengazi “rebeldes” a fim de controlar os milhares de milhons do petróleo do país foi um roubo gigantesco de pouco interesse.
A totalmente previsível acusaçom a Kadafi perante o “tribunal internacional” em Haia evoca a charada do agonizante “bombista de Lockerbie”, Abdelbaset Ali Mohmed al-Megrahi, cujo “crime odioso” foi posicionado para promover as ambiçons do ocidente na Líbia. Em 2009, Al-Megrahi foi devolvido à Líbia pola autoridades escocesas nom por razons misericordiosas, como foi relatado, mas porque o seu há muito aguardado recurso teria confirmado a sua inocência e descrito como ele foi tramado pelo governo Thatcher, como revelou o memorável desmascaramento de Paul Foot. Como antídoto para a propaganda actual, insto-o a ler umha demolidora perícia forense da “culpa” de el-Melgrahi e seu significado político em Dispatches from the Dark Side: on torture and the death of justice (Verso) da eminente advogada de direitos humanos Gareth Peirce.
Nom se deve minimizar a ditadura odiosa de Kadafi, um destino para as “rendiçons” do MI6 como ficamos agora a saber. Mas o seu ódio nom tem relaçom com a violaçom do seu país por caricaturas imperiais tais como Nicholas Sarkozy, um islamófobo napoleónico cujos serviços de inteligência quase certamente montarom o golpe contra Kadafi. Telegramas diplomáticos dos EUA divulgados polo WikiLeaks revelam o pânico do ocidente sobre a recusa de Kadafi a entregar a maior fonte de petróleo na África e as suas aberturas à China e à Rússia.
A propaganda confia nom só em Murdoch como também em vozes aparentemente respeitáveis que induzem à amnésia histórica. The Observer, o qual ainda tem de pedir desculpas pola sua catastrófica promoçom de nom existentes armas de destruiçom em massa no Iraque, está sob o domínio da “honrosa intervençom” de Sarkozy e Cameron e dos seus motivos “humanitários e emotivos”. O seu colunista político Andrew Rawnsley completa um impressionante feito duplo. Como nos recorda o Media Lens, em 2003 Rawnsley escreveu acerca do Iraque: “A portagem da morte nom foi tam alta como fora amplamente receado”. Um milhom de iraquianos mortos depois, Rawnsley insiste em que, na Líbia “a Gram Bretanha actuou bem” e “o número de baixas civis infligidas polos ataques aéreos parece ter sido misericordiosamente ligeiro”. Conte isso aos líbios com seres amados aniquilados polos Hellfires amigos das corporaçons.

A NATO atacou a Líbia para conter e manipular um levantamento geral árabe que apanhou os dominadores do mundo de surpresa. Ao contrário dos seus vizinhos, Kadafi chegou ao poder pola negaçom do controle ocidental das riquezas naturais do seu país. Por isto, ele nunca foi esquecido e a oportunidade para o seu fim foi agarrada da maneira habitual, como mostra a história. O historiador americano William Blum tem mantido o registo. Desde a segunda guerra mundial, os Estados Unidos esmagarom ou subverterom movimentos de libertaçom nacional em 20 países e tentarom derrubar mais de 50 governos, muitos deles democráticos, e lançarom bombas sobre 30 países, e tentarom assassinar mais de 50 líderes estrangeiros.
Alegrem-se!

Fonte: Resistir.info