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Vertigem na economia mundial

Quarta-feira, 10 Agosto 2011

Paula Bach

Com a combinaçom da crise européia e norte-americana e a profundidade grotesca da negociaçom “in extremis”, a economia mundial está a transitar umha situaçom inédita desde o ponto de vista histórico. Umha vertigem incesante cinge-se sobre os Estados Unidos e Europa. O mundo espera a opiniom e a açom das qualificadoras que som as que parecem dar o veredito final. Depois do acordo atingido por Obama e os Republicanos, as agências mantiverom a qualificaçom AAA da dívida norte-americana mas Moody´s e S&P passarom-na de “estável” a “negativa”. Já lhe tinham rebaijado a nota a Grécia sem chegar ao grau de default. Mantivo-se umha tensa acalma depois da cimeira na zona euro enquanto se desatava a crise no Capitólio.

Com o fechamento do acordo entre Democratas e Republicanos, começam fortes quedas das bolsas aos dous lados do Atlântico. O ouro, os bonos alemáns e o enquadramento suíço estám a atuar como refúgio alternativo de valor ante a queda do dólar e do euro. Suíça anunciou que vai incrementar a liquidez e reduziu a margem de flutuaçom da taxa libor (o seu principal instrumento de política monetária) em um 0,5%. Ao mesmo tempo os bonos do tesouro continuam atraindo massas incrementadas de capitais devido às escassas fontes de segurança internacional existentes.

QE3? e Fundo de Estabilizaçom Europeu

Em EUA o Dow Jones caiu 8 dias consecutivos questom que parece que só aconteceu 7 vezes na história, incluindo no ano no que EUA entrou na Segunda Guerra Mundial. Na Europa, polas vendas de açons desta semana, se esfumaron mais de 400.000 milhons de euros de capitalizaçom do mercado de índices líderes da Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha e Holanda ou o que é o mesmo, quase o equivalente ao volume com o que conta o Fundo de Estabilizaçom Europeu para efetuar resgates. A muito aludida máxima de Churchill que dizia que “Estados Unidos sempre fai o correto após esgotar todas as alternativas” caracteriza bem agora o modus operandi tanto de EUA como da Europa. Existe de facto umha forte pressom na Europa para que se ponha em prática o plano de resgate a Grécia, que o BCE ative compras nos mercados secundários por um volume maior do que o está a fazer ou que incrementem o monto do Fundo de Estabildad Europeu para assegurar um eventual resgate da Itália e/ou Espanha (4ta. e 3era. economias da zona, respetivamente).

Em umha açom que resulta insólita, a calificadora de risco S&P exigiu-lhe ao BCE que intervenha. Isto é um “diálogo” que se dá diretamente “sobre o campo”. As agências empurram a queda e enquanto avisam aos governos ou organismos monetários que é o que tenhem que fazer para que eles deixem de apertar. À sua vez os governos e cimeiras arriscam planos tanteando a reaçom dos mercados e as qualificadoras. Ante a muito má perspetiva da economia norte-americana e das açons, o Dow Jones, o Nasdaq e o S&P 500 fecharom os 3 ontem em terreno positivo. Especula-se que isto responde a que estar-se-ia a preparar umha nova ronda de medidas monetárias, um QE3.

Limites da intervençom estatal

Pode interpretar-se que esta forma de açom ao limite, ao fio do abismo, esta paródia de negociaçom in extremis de governos, congressos e cimeiras, em frente à mirada amenazante das qualificadoras, se corresponde tanto com o peso do capital financeiro globalizado representado nas agências como com a limitada capacidade de açom com a que hoje contam os Estados. O que está a acontecer, a forma na que se estám a desenvolver os acontecimentos som umha prova dessa limitada capacidade de açom. Nom fai falta esperar muito, já se pode ver que nom estám a poder atuar como o figerom depois da crise de Lehman. A base estrutural da situaçom de debilidade é que se estám combinado elementos claramente recesivos (situaçom dos Estados Unidos e zona euro) ao mesmo tempo que se estám a aplicar a cada vez piores ajustes e recortes. Esta situaçom é evidente que nom tem um “bom final”. Em última instância seria algo bem como deixar atuar a crise…

É umha situaçom que em certo modo se parece a 1937 em EUA quando Roosevelt retirou os estímulos. Umha grande diferença é que no ´37 a economia nom estava a cair. A queda começou quando se retirarom os planos. A situaçom atual é em um sentido pior porque a queda já começou e paralelamente se produz o retiro contínuo de estímulos e o incremento de ajustes e recortes. Este é em grande parte o limite que tenhem os Estados para intervir evitando um novo Lehman por mais que o queiram. É óbvio que a burguesia sacou as suas liçons tanto dos anos 30 como de Lehman polo que nom é muito difícil imaginar que desejam evitar um novo Lehman. O problema é que para evitar um novo cenário parecido ao de fins de 2008 é provável que precisem aplicar umha quantidade de recursos que som precisamente os que estám a tentar reduzir.

Há umha espécie de contradiçom nos termos entre o retiro dos planos, recortes de despesas, etc. e intervençom o suficientemente contundente para evitar um novo Lehman. Embora nom pode se descartar a aplicaçom de planos mais contundentes como último recurso, pareceria ser que estes elementos som os que estám por trás desta situaçom explosiva que nom deixa de se desenvolver nem termina de explodir.

Fonte: Panorama Internacional