Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

O galegómetro da Ana Fernández

Quarta-feira, 10 Agosto 2011

Ramiro Vidal Alvarinho

Dizia a nova vereadora de Cultura da Cámara Municipal corunhesa que um dos problemas que apreciava na gestom do anterior governo local é que a nível cultural se programavam “cosas demasiado gallegas”. Nom especificou nem muito nem pouco, nom deu mais explicaçons sobre esse juízo de valor. Ainda que num país que se conceitua de democrático, sem dúvida teria que dá-las.

Eu estivem toda a noite a voltas com a frase, a ver se lhe tirava um sentido mais alô do que numha primeira leitura lhe poderia adivinhar, mas nom fum quem… o único significado que lhe encontro é um absurdo absolutamente pasmoso. Como pode umha pessoa, animal ou cousa ser “demasiado galega”? E umha manifestaçom cultural, como é que se quantificaria o seu nível de galeguidade? Que níveis seriam os recomendáveis, e que níveis os nocivos? Como é que se determinaria isso?

As desajeitadas declaraçons da Ana Fernández estám a dar pé a muitas piadas na rede. Nom é para menos. Som declaraçons próprias de umha pessoa bastante estúpida. As pessoas com uns níveis de saúde mental, moral e cultural normalinhos, seríamos incapazes de dizer tontarias desse calibre ainda intencionadamente. Se umha manifestaçom cultural é demasiado galega, como já tento sugerir mais acima, haverá que pensar que o povo no seio do qual nasceu ou o conjunto de indivíduos que a mantenhem viva, som demasiado galegos. O qual é interessante. Porque se ser “demasiado galego” é mau (que o deve ser, porque se é demasiado, é que é excessivo) o que é que se deveria fazer com todo aquele que fosse galego de mais?

Sem dúvida haveria que tomar exemplo de outros países europeus… houvo grandes estadistas como Hitler ou Milosevic, que tinham soluçons bastante drásticas para este tipo de problemas. Se a um “demasiado galego” o “fás livre com o trabalho”, sem dúvida deixará de ser galego, porque definitivamente deixará de ser. Postos a imaginar, e a fazer ciência ficçom, porque nom inventar um aparelho, um galegómetro, que marque como andam os parámetros de galeguidade (ou galeguismo, ou galeguez) de cada pessoa, objeto, planta, animal… para detetar casos de extrema gravidade? Sem dúvida, a Senhora Fernández deve ter um…

…evidentemente, aqui a questom nom está em que umha cousa ou umha pessoa seja demasiado galega, muito galega, moderadamente galega, ou pouco galega. Simplesmente galego ou se é, ou nom se é; e nisso intervenhem as origens e a vontade. Sempre dixem que podes nascer na Nigéria e ser galego, e nom é umha questom de papéis. Aqui o problema é que há umha hostilidade muito evidente cara todo o que cheirar a galego. Umha hostilidade que humilha todo um povo, porque esta mulher é umha representante institucional de um povo que a votou para ser vereadora. E estas manifestaçons de auto-ódio som tomadas fora da Galiza como umha medida do conceito que o povo galego tem de si próprio, medida que virá justificar a visom absolutamente negativa que se tem de todo o galego, sobretodo na Espanha.

O pior de todo é que ela, como todos os renegados, pensa que é melhor do que o resto dos galegos e das galegas, por opinar como opina e por ter os nada dissimulados preconceitos que tem. Ainda que, fora da Galiza, nom passe de ser umha “galleguiña”. E nom há mais que ler as pérolas que deixou na sua entrevista no Ideal Gallego (a que suscitou a polémica) para se dar conta nom já do seu paifoquismo ridículo, mas também da sua ineptidom absoluta, do seu pobre conceito de cultura. Atençom a este fragmento de genialidade: “Creo que se deben ofertar cosas de aquí, evidentemente, pero también otras cosas. Lo importante es que para que te interese la cultura tienes que entenderla, y tiene que estar en un idioma que entiendas”. E com isto, é que francamente, nom sabe um como começar, nem por onde. Como conhecemos a mentalidade que foi caldo de cultivo para tamanhas declaraçons, podemos colegir que se refere é a que “o de aqui” tem que estar num idioma que “se entenda” (que entenda ela) e isto é, naturalmente, em espanhol e nom em galego, e ante todo nom em galego. Porque se algumha criaçom literária, musical, cénica, etc… está expressada em galego (…é demasiado galega?)

E que pensará a Ana Fernández da música em inglês? Perceberá ela o inglês? Suponho que saberá tanto inglês como Rajoi, polo menos (ou seja, nada). Digo-o porque eu o outro dia assistim ao concerto dos Judas Priest, Motorhead e Saxon… serám estas bandas de heavy metal demasiado británicas, ou aceitavelmente británicas? O que sim sei é que ali estavam sete mil pessoas a vibrar com os acordes de autênticos hinos do rock and roll como “Never surrender”, “The ace of spades” ou “Breaking the law” e imagino que o nível de inglês de todo esse pessoal era variável… em qualquer caso, os sentimentos, as emoçons que essa música transmite, estám por cima do idioma das letras. O que tenho bastante claro é que qualquer dessas pessoas (nom todas galegas, mas sim de entre as galegas muitas galego-falantes) estám bastante mais capacitadas para opinar sobre a cultura, assim em geral, do que ela. Porque polo menos, entendem isso. E, já agora, pensa Ana Fernández vetar os Judas Priest por terem mostrado umha bandeira galega durante o seu concerto?

Agora vou escuitar Mozart, que nom é suspeito de ser demasiado galego, acho que de galeguidade anda por índices aceitáveis, umha pena que eu, independentista galego, goste dele. Nom sei o que opinará a senhora vereadora do Mozart e é certo que nom me importo com isso; simplesmente afirmo-me no meu desprezo e o meu nojo cara esta burguesia corunhesa de que a Ana Fernández é claro expoente. A sua falta de dignidade é umha puniçom injusta para todo o país.