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A força da palavra “independência”

Quarta-feira, 20 Julho 2011

Independência nom é o nome de um novo modelo de carro. Também nom é o de umha água de colónia que atrai irresistivelmente as mulheres. Apesar de que na boca do nazi John Wayne atinja o cheirume da bosta de vaca, é a ideia que nos ajuda a avançarmos cara a utopia”.

Isto dizia nos anos noventa Negu Gorriak na sua cançom “Ideien kontrabandoa” (contrabando de ideias) contida no seu LP “Ideia Zabaldu”. Com efeito, independência é um conceito muito abusado nos tempos que nos tocou viver. Mas para nós, patriotas galeg@s, é a palavra que sintetiza o futuro que sonhamos para o nosso povo. Por isso eu, no 25 de Julho, vou participar na única manifestaçom independentista que vai ter lugar em Compostela.

Nom quero desqualificar outras iniciativas perfeitamente legítimas, e quanto a outras expressons para mim nada legítimas que também terám lugar na capital do nosso país na data em que celebramos o Dia da nossa Pátria, nem me referirei, pois todos conhecemos a sua natureza e intencionalidade. Conhecemos disso todo, porque sofremos o desgarro da pouta imperialista todos os dias.

Independência nom é um slógan publicitário, nom é um fetiche convertido em produto de mercadotecnia política. Independência é a resposta a este presente opressivo. Os que sofremos as conseqüências da discriminaçom lingüística, as que temos que emigrar porque nom se nos dá a oportunidade de trabalhar no nosso país, os que perdemos o nosso trabalho polas deslocalizaçons de empresas depois de que estas foram primadas com dinheiro público por permanecerem em solo galego, as que sofremos as impúdicas agressons ambientais, os que ficamos sem casa, se quigermos assinalar um responsável destas injustiças, nom podemos evitar dirigir o nosso dedo acusador a Espanha. Espanha como constructo imperialista, capitalista e patriarcal.

Independência, com efeito, e sem dúvida nom de qualquer maneira. Nom há independência justa, nem verdadeira, sem destruirmos o capitalismo e o patriarcado. Independência, como quadro para construirmos umha alternativa. Um estarmos na história diferente. Mais digno. Mais feliz. Melhor.

Pertenço à única organizaçom política neste país à qual nom lhe caírom nunca os três princípios irrenunciáveis (Independência, Socialismo e Anti-patriarcado) dos seus estatutos. Pode entender-se isto como um incómodo e rígido dogmatismo, ou simplesmente como um sinal de coerência. Sem dúvida, nom haverá independência real enquanto umha só mulher sofrer a violência sexual, social, económica, física, psicológica dos homens. Nom haverá socialismo que nos valha, se o nosso povo nom tiver instituiçons soberanas e democráticas que canalizem a participaçom e a tomada de decisons do nosso povo, e se o nosso povo como tal nom estiver representado em pé de igualdade nos foros internacionais que houver. Nom haverá independência enquanto a oligarquia económica impuger o seu modelo de sociedade, baseado na exploraçom e na injustiça. Portanto, nom som estes princípios renunciáveis, nem relativizáveis, nem negociáveis.

Por isso eu reivindico nestas humildes linhas a palavra, o conceito, a ideia independência. Umha independência que nom é umha sensaçom comprada nuns grandes armazéns, que nom é um produto de consumo rápido desenhado nos laboratórios do oportunismo, que nom é umha vaga abstraçom… que é o caminho que escolhemos para fazermos a revoluçom.