Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

Falta o principal

Sábado, 11 Junho 2011

Ana Barradas

Os políticos do regime andaram nestes últimos meses a dizerem-nos de várias maneiras que não valia a pena protestar contra uma situação cada vez mais grave, porque os PECs, depois o FMI e por fim as eleições é que iam resolver os problemas. Em vez disso, os resultados nas urnas mostram que só serviram para nos fazer escolhê-los de novo de modo a continuarem a dar cabo da nossa vida.

O alto índice de abstenção, que todos eles procuram esquecer, é sinal de descrédito profundo deste estafado sistema antipopular. A maioria relativa do PSD, que não chegou a ser absoluta, obrigou Passos Coelho a abrir mão de umas quantas pastas governativas para o CDS-PP, com o evidente deslizamento para a direita que já se anuncia.

A justa penalização de Sócrates mostrou como se tornou odioso o seu governo e como o eleitorado fez questão de o castigar. Todos pensam, inclusive dentro do próprio PS, que é bem feita.

A queda estrondosa do Bloco de Esquerda, quer viu os seus deputados reduzidos a metade, mostra como ficou preso das suas próprias contradições e por elas pagou um preço pesado, ao contrário da CDU, sempre fiel a si própria e ao seu estilo reformista radical, cuja subida é de assinalar.

O governo seguirá à risca o memorando da troika e promete-nos tempos difíceis, para os quais todos se preparam com resignação e sem esperança de melhorar de vida. Todos percebem que, com os sectores económicos estratégicos reduzidos ao mínimo, o endividamento nacional e a sujeição aos interesses da Europa mais rica vão atirar o país para a dependência total.

Sem pesca, sem agricultura e sem indústria dignas desse nome, o pequeno campesinato sucumbe como uma classe a extinguir, sectores inteiros da população que viviam do sector secundário ficam desocupados ou são obrigados a converter-se e a emigrar e todo este desperdício de energia, trabalho e capacidade produtiva são provocados pelas elites que governam o Estado sujeitando-se servilmente a Bruxelas, Berlim e Paris.

O Movimento 12 de Março iniciado pelos precários “à rasca” não consegue reelevar-se ao ponto alto que viveu naquela data e afunda-se em iniciativas e programas de melhoramento do sistema, associando-se a forças moderadas que nada ajudam a alargar a corrente de simpatia inicialmente conquistada. Os excluídos, pobres e deserdados não se revêem neste agrupamento juvenil que não consegue amadurecer. Após três anos de crise, os trabalhadores assistem à deterioração da sua situação laboral e económica e o nível de desemprego atinge índices nunca vistos neste país.

A alternativa que os novos governantes oferecem é mais do mesmo: a da defesa do capital, a continuação do roubo e exploração, o empobrecimento da grande maioria e a destruição das poucas condições de subsistência autónoma que ainda restam ao país.

Os sindicatos, supostamente representantes dos trabalhadores, não dão resposta à ofensiva patronal e baixam os braços, deixando que se extingam um a um os direitos conquistados desde o 25 de Abril.

 As perspectivas populares não são encorajadoras: privatização de grande parte da saúde e da segurança social, subida brutal da electricidade, gás, transportes, rendas de casa e impostos, ao mesmo tempo que o governo, o novo como o antigo, se dedica a gastar milhões para, com as forças militares nacionais integradas na NATO,  consentir e participar em operações bélicas imperialistas um pouco por toda a parte, no bombardeamento do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, matando população civil, para benefício das gasolineiras, construtoras e bancos – os abutres que se apoderam do festim.

Nenhum destes crimes poderá ser evitado se os trabalhadores não se constituírem como força social para reclamar e arrancar à força os seus direitos, aliados a outros sectores desfavorecidos. Uma nova unidade por cima das divisões partidárias poderia impulsionar uma nova política. Só falta o principal: quem se atire à obra e a ponha em prática.