Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

Nom pagamos. Os ricos que paguem a crise

Quarta-feira, 1 Junho 2011

António Barata

 

Perante a falência do modelo de “desenvolvimento” abraçado polas classes ricas e o patronato português com a adesom à Uniom Europeia e ao Euro, que se traduziu no enriquecimento brutal de uns tantos e no empobrecimento da generalidade dos que trabalham, no endividamento galopante do país colocando-o à beira da insolvência, os trabalhadores e o povo português som colocados perante o dilema de aceitar o pacote de medidas draconianas do FMI e da Uniom Europeia, aceite polo PS, PSD e CDS, ou renegociar esse mesmo pacote, dilatando-lhe os prazos.

 

Esta chantagem, que nos é vendida como umha a única saída possível, é inaceitável por duas razons:

– os trabalhadores portugueses nom som responsáveis pola destruiçom da capacidade produtiva do país nem polo endividamento da sua classe dominante. Há 30 anos que os seus direitos, salários e regalias tenhem vindo a ser reduzidos em nome de um amanhá melhor que nunca chega, e que contrasta com rendimentos milionários e sempre em crescimento dos gestores e dos grandes patrons.

 

Nom forom os trabalhadores que descapitalizarom as empresas e desviarom os lucros do sector produtivo para a especulaçom bolsista e imobiliária, traficou influências, levou bancos à falência, inventou as Parcerias Público Privadas, e por aí fora;

 

– nom é possível pagar a dívida externa portuguesa. O país nom tem umha economia capaz de gerar a riqueza suficiente para pagar juros próximo dos 6% (o exemplo grego, obrigado a pagar juros mais baixos, é elucidativo). O que significa que com a aplicaçom do pacote imposto pola troika o país caminha para umha espiral interminável e suicidária de pedidos de empréstimos sucessivos para pagar empréstimos mais os respectivos juros, e cujo único fim é o de garantir o pagamento das dívidas à banca europeia.

 

Para os trabalhadores e o povo português a única alternativa válida é a do nom pagamento da dívida. Aceitar o pacote da troika ou renegociar a dívida é um beco sem saída. Em qualquer dos casos o resultado só pode ser o crescimento da miséria, do desemprego e a limitaçom das liberdades e dos direitos dos que pouco ou nada tem.

 

Sei que esta nom é uma ideia popular. Que a sua imposiçom obriga a umha alteraçom da correlaçom de forças entre o capital e o trabalho, e que essa alteraçom só se pode alcançar pola luita, nas ruas. Que ela nom virá polo voto nem pola conciliaçom e concórdia nacional. Que é inútil andar a pregar moral ao patronato sobre os malefícios da especulaçom financeira e a dar-lhe conselhos sobre como ham-de regenerar o tecido produtivo – se fosse do seu interesse desenvolver a indústria, a agricultura e as pescas, há muito o teria feito.

 

E que, com o actual quadro político e social, dizer aos trabalhadores que a crise e o pacote do FMI podem ser rejeitados e combatidos por um “governo de esquerda”, ou por um governo “patriótico e de esquerda” como o fam o BE e o PCP, respectivamente, a sair das eleiçons do próximo dia 5, é umha fraude, uma forma de engodar o povo e lhes sacar o voto acenando-lhes com umha miragem.

 

Nom estamos condenados a suportar a canga que nos querem impor. É possível alterar este estado de cousas com a mobilizaçom e a luita contra o pacote da troika, recusando os despedimentos e cortes nos salários, pensons e demais regalias; exigindo o aumento do salário mínimo e o reforço das ajudas sociais de combate à miséria e ao desemprego; recusando a precariedade, o trabalho sem direitos e a carestia de vida; exigindo o julgamento dos especuladores e dos corruptos, o fim das mafiosas negociatas com que o sector público financia o privado, o fim dos obscenos privilégios de administradores, políticos e outros detentores der altos cargos, públicos e privados, e das suas escandalosas reformas milionárias; pola reduçom das despesas militares e a nom participaçom das forças armadas portuguesas nas aventuras imperiais da NATO e da Uniom Europeia, ou ao serviço da ONU.