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Imperialismo, banqueiros, guerra da droga e genocídio

Quarta-feira, 25 Maio 2011

James Petras

 

Em maio de 2011, pesquisadores mexicanos descobrêrom outra fossa clandestina com dezenas de cadáveres mutilados, o que ascende a um total de 40.000 os mortos desde 2006, quando o governo de Calderón anunciou a sua guerra contra o narcotráfico. Com o respaldo de conselheiros, agentes e armas, a Casa Branca tem sido o promotor principal de umha guerra que tem dizimado totalmente a sociedade e a economia de México.

 

Por emquanto Washington tem sido a força impulsora da guerra, os bancos de Wall Street som o instrumento principal que tem permitido garantir os benefícios dos carteis da droga. Todos os principais bancos de EUA estám envolvidos decisivamente no branqueio de centos de milhares de milhons de dólares em ganhos da droga durante a maior parte da última década.

 

O descenso de México aos infernos tem sido desenhado polas principais instituiçons financeiras e políticas de EUA, cada umha apoiando o “outro lado” numha sangrenta guerra total que nom perdoa ninguém em nenhum lugar e nenhum momento. Enquanto o Pentágono arma o governo mexicano e a Drug Enforcement Agency (DEA) promove a soluçom militar, os maiores bancos de EUA arrecadam, branqueiam e transferem centos de milhares de milhons de dólares anuais às contas dos capos da droga, para comprar armas modernas, pagar exércitos privados de assassinos e corromper políticos e agentes da ordem.

 

O descenso de México aos infernos

Todos os dias encontram-se dúzias de cadáveres, se nom centenas, em ruas e cemitérios clandestinos; dúzias de pessoas som assassinadas nas suas casas, automóveis, transporte público e escritórios; vítimas desconhecidas som sequestradas a centenas e desaparecem; meninos em idade escolar, pais, professores, doutores e empresários som capturados a plena luz do dia e sequestrados para obter resgate; centenas de milhares de trabalhadores migrantes som sequestrados, roubados, objeto de resgate e assassinados. A polícia está entrincheirada nas suas delegacias; os militares, chegado o caso, assaltam cidades inteiras e matam mais civis que os assassinos. A vida quotidiana consiste em como sobreviver à cifra diária de assassinatos; as ameaças estám em todas partes, as bandas armadas e as patrulhas militares disparam e matam com virtual impunidade. A gente vive no medo e a ira.

 

O Tratado de Livre Comércio: a chispa que incendiou o inferno

No final da década de 1980, México estava em crise, mas o povo optou por umha saída legal: elegeu um presidente, Cuauhtémoc Cárdenas, e um programa para promover a revitalizaçom económica da agricultura e a indústria nacionais. As elites mexicanas, encabeçadas por Carlos Salinas de Gortari, do Partido Revolucionário Institucional (PRI) decidírom o contrário, negárom ao eleitorado a sua vitória e ignorárom os pacíficos protestos em massa. Salinas e os presidentes posteriores perseguírom com decisom um tratado de livre comércio com EUA e Canadá, o TLCAN, que tem arruinado milhons de agricultores, rancheiros e pequenos empresários mexicanos. E a ruína conduziu à fugida: a emigraçom. Os movimentos rurais de devedores florescêrom e decaírom depois, cooptados ou reprimidos. A miséria da economia legal contrastava com a riqueza do comércio da droga e de pessoas, e a sua demanda de auxiliares armados bem remunerados. O começo dos sindicatos da droga foi fruto da riqueza local. No novo milénio, surgírom novos movimentos populares e umha esperança eleitoral: Andrés Manuel López Obrador. Para o ano 2006, um vasto movimento eleitoral pacífico prometia umha reforma substancial, umha base para integrar milhons de jovens descontent@s. Ao mesmo tempo, os carteis da droga alimentavam-se da miséria de milhons de marginad@s polas elites que saqueiam o tesouro público, os bens raízes, a indústria do petróleo, os monopólios de comunicaçons agora privatizados, e os bancos.

 

Umha vez mais, em 2006, milhons de pessoas vírom como se lhes negava a sua vitória eleitoral: a última e melhor esperança de umha transformaçom pacífica foi frustrada. Calderón roubou a eleiçom e procedeu a lançar a “guerra contra o narcotráfico” em cumprimento da estratégia da Casa Branca.


A estratégia militar intensifica a guerra contra a droga, a crise bancária aprofunda os vínculos com os traficantes de drogas

A escalada em massa de homicídios e violência em México iniciou-se com umha declaraçom de guerra contra a droga” do fraudulentamente eleito presidente Calderón, umha política impulsionada inicialmente polo governo de Bush e depois respaldada decididamente polo de Obama-Clinton. Mais de 40.000 soldados saíram às ruas, povos e bairros, e agredírom violentamente os e as cidadás e especialmente a juventude. Os carteis tomárom represálias, escalando os seus ataques armados. A guerra estendeu-se a todas as principais cidades e estradas, os assassinatos multiplicárom-se e México afundou ainda mais profundamente num dantesco inferno. O governo de Obama reafirmou-se na sua opçom militar a ambos lados da fronteira: mais de 500.000 mexicanos e mexicanas migrantes fôrom capturadas e expulsadas de EUA, e multiplicárom-se as patrulhas fronteiriças. A venda de armas cresceu de maneira exponencial a um lado e outro da fronteira. O mercado estado-unidense de produtos mexicanos reduziu-se, ampliando assim o número de recrutas potenciais dos carteis, enquanto aumentava a demanda de armas de grande potência. A política da Casa Branca em matéria de droga e armas reforçou o enlouquecido ciclo homicida: o governo de EUA vendia armas ao governo de Calderón e a indústria privada vendia armas aos carteis. A demanda estado-unidense de droga e os benefícios derivados de seu transporte e venda seguiu sendo a força impulsora da crescente onda de violência e desintegraçom social em México.

 

Os ganhos da droga, no seu sentido mais básico, realizam-se através da capacidade de branqueio de fundos e realizaçom de transaçons do sistema bancário de EUA. A escala e o alcance desta aliança entre o cartel da droga e o citado sistema bancário supera com acréscimo qualquer outra atividade económica do sistema bancário privado estado-unidense. Um só banco – Wachovia –  branqueou 378.300 milhons de dólares entre o dia 1 de maio 2004 e o 31 de maio de 2007 (The Guardian, 11.5.2011). Todos os bancos importantes de EUA tenhem sido num momento ou outros sócios financeiros ativos dos criminosos carteis da droga: Bank of America, Citibank, JP Morgan, bem como outros bancos estrangeiros que operam em Nova York, Miami e Los Angeles.

 

Enquanto a Casa Branca financia o Estado mexicano para que mate mexicanos suspeitos de ser traficantes de drogas, o governo de EUA só multa, com atraso, aos principais cúmplices financeiros estado-unidenses, que nem sequer vam ao cárcere.

 

O principal organismo do Tesouro de EUA que participa na investigaçom de lavagem de dinheiro, a Subsecretaria para Assuntos de Terrorismo e Inteligência Financeira, faz caso omisso da colaboraçom dos bancos de EUA com os terroristas da droga, e concentra quase a totalidade do seu pessoal e recursos na aplicaçom de sançons bancárias contra Irám. Durante sete anos, o seu diretor, Stuart Levey, preferiu colaborar com Israel numha suposta guerra contra o terrorismo, com Irám no seu alvo, que pesquisar a colaboraçom de Wachovia com os terroristas mexicanos da droga que tenhem assassinado a 40.000 mexican@s.

 

Sem as armas de EUA e sem a malha financeira do governo e os carteis nom haveria guerra contra a droga, nom haveria assassinatos em massa e nom haveria terrorismo de Estado. Se eliminássemos a afluência de produtos agrícolas subsidiados e a compra de cocaína por parte de EUA nom haveria nem soldados da droga nem mercados da drogas polos que lutar e matar.

 

Os traficantes de droga, os bancos e a Casa Branca

Conquanto os principais bancos de EUA som os motores económicos que permitem que siga em funcionamento este multimillonario império da droga, a Casa Branca, o Congresso de EUA e os organismos oficiais de luta contra a droga som os protetores de base dos bancos. Apesar do envolvimento profundo e penetrante dos principais bancos no branqueio de milhares de milhons de dólares em fundos ilícitos, um “acordo transacional judicial” proposto pola promotoria de EUA deu como resultado a ausência de sentenças de cárcere e o arranjo mediante umha multa de 50 milhons de dólares, menos de 2% dos benefícios de um dos bancos – Wachovia – em 2009 (The Guardian, 11.5.2011). A DEA e os promotores federais atuárom baixo a direçom política do poder executivo de EUA. Os principais servidores públicos económicos dos governos de Bush e Obama – Summers, Geithner, Greenspan, Bernancke, etc. –  som todos veteranos sócios, assessores e membros das principais assinaturas financeiras e bancos implicados no branqueio de milhares de milhons de ganhos da droga.

 

O branqueio de dinheiro da droga é umha das fontes mais lucrativas de benefício de todos os bancos de Wall Street: cobram altas comissons e prestam a entidades de crédito a taxas de interesse muito superiores ao que pagam – quando o fazem –  aos narcotraficantes por seus depósitos.

 

Ainda mais importante, durante a fase mais crítica da recente crise financeira, segundo manifestou o chefe do Escritório das Naçons Unidas contra a Droga e a Delincuencia, Antonio María Costa: “Em muitos casos, o dinheiro da droga (era)… realmente o único capital líquido de investimento. No segundo semestre de 2008, a liquidez era o principal problema do sistema bancário e portanto o capital líquido converteu-se num fator importante”; os empréstimos interbancários financiavam-se com dinheiro originário do narcotráfico e outras atividades ilegais (…); (teve) indicaçons de que alguns bancos fôrom resgatados por este meio.” (Reuters 25.1.2009, ediçom de EUA) Os fluxos de capital dos multimilionários da droga fôrom o elemento finque que permitiu reflotar Wachovia e outros bancos de primeira bicha. Em poucas palavras, os multimilionários da droga salvárom o sistema financeiro capitalista em crise.


Conclusom
No final da primeira década do século XXI, era evidente que o agregado de capital, no mínimo em América do Norte, estava intimamente unida à violência generalizada e o narcotráfico. Dado que o agregado de capital depende do capital financeiro, e este depende dos ganhos deste tráfico de centenas de milhons de dólares, todo o conjunto está integrado numha guerra total polos ganhos do narcotráfico. Em tempos de crises profunda, a própria sobrevivência do sistema financeiro estado-unidense -através dela, do sistema bancário mundial-  está vinculada à liquidez da “indústria” da droga.

 

A um nível mais superficial, a destruiçom das sociedades mexicana e centro-americanas -mais de 100 milhons de pessoa-  é o resultado de um conflito entre os carteis da droga e os regimes políticos da regiom. A um nível mais profundo, há um efeito multiplicador: os carteis contam com o apoio dos bancos de EUA para realizar os seus benefícios. A sua vez, gastam milhons de dólares em armas dos traficantes estado-unidenses e outros revendedores para assegurar os seus fornecimentos, transporte e mercados; empregam a milhares de recrutas para suas vastas formaçons militares e redes civis; e conseguem a cumplicidade de servidores públicos políticos e militares a ambos lados da fronteira.


A sua vez, o governo mexicano atua de canal de transmissom das políticas dos organismos do Norte: Pentágono, FBI, Homeland Security, DEA e aparelhos políticos partidários da continuaçom da guerra. Com isso, ponhem em risco vidas, propriedades e a própria segurança de México. A Casa Branca encontra-se no centro estratégico das operaçons; o governo mexicano atua como verdugo de primeira linha.


A um lado da guerra contra a droga estám os principais bancos de Wall Street; ao outro, a Casa Branca e suas estrategas militares imperiais; em médio, 90 milhons de mexicanos e 40.000 vítimas deste país. E a conta segue.

 

Valendo da fraude política para impor a desregulamentaçom económica neoliberal, na década de 1990, o governo mexicano provocou diretamente a desintegraçom, a criminalizaçom e a militarizaçom social da década atual. A economia narco-financieira converteu-se na etapa mais avançada do neoliberalismo. Quando as pessoas respeitáveis se tornam delinquentes, os delinquentes viram pessoas respeitáveis. Na questom do genocídio que está a ter lugar em México, as decisons tomam-nas o Império e os seus cúmplices banqueiros e dirigentes cínicos.