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Umha olhada da juventude da esquerda independentista a Democracia Real Ya

Terça-feira, 17 Maio 2011Um Comentário

Carlos Garcia Seoane

Nas últimas semanas tivemos conhecimento através da rede da convocatória dumha série de manifestaçons e concentraçons em diversas cidades da Galiza organizadas polas sucursais galegas da plataforma de ámbito estatal Democracia Real Ya. Ainda tendo conhecimento da organizaçom destas mobilizaçons, negumha entidade da esquerda galega tomou posiçom a respeito destas nem se mostrou umha breve análise do que significa um movimento destas características. Porém, devemos fazer o esforço por nos determos um bocadinho para analisar alguns aspetos deste movimento como pequeno contributo para abrir umha necessária reflexom com a óptica da juventude rebelde galega.

Semelha que boa parte das organizaçons tradicionais da esquerda nacional, mas também da portuguesa e doutras naçons encarceradas por Espanha, estám a ficar um pouco por trás do desenvolvimento dos acontecimentos e nom sabem como reagir ante a apariçom dum movimento que tenta agitar a espontaneidade das massas, que procura apelar aos sentimentos de frustraçom e desespero do povo trabalhador mais maltratado e menosprezado polo Capital. Trata-se dum movimento que procura despertar o elemento da “consciência em si” mediante a palavra de ordem “indignai-vos”, com o objectivo de refletir na condiçom de explorad@s.

O movimento de protestos cívicos iniciado em Portugal a 12 de Março do presente ano, com a organizaçom de mobilizaçons maciças da denominada geraçom à rasca, foi adaptada mimeticamente  a outras latitudes nas semanas posteriores em Madrid, nas manifestaçons organizadas por Juventud sin futuro, umha das principais aderentes de Democracia Real Ya, que conseguiu uns resultados um tanto mais discretos do que as mobilizaçons da juventude portuguesa.

Um dos traços característicos destes protestos de carácter pacífico é a organizaçom da sua convocatória mediante as redes sociais, nomeadamente o facebook, que ficam sobrevalorizadas socialmente ao ponto de se tornarem fetiches que adquirem vida própria, com capacidade para mobilizar por eles próprios, sem que seja necessário a intervençom do sujeito convocante. O que deveria ser mais um meio de expressom e comunicaçom a utilizar pol@s explorad@s desta terra para abrir mais um espaço de confronto na batalha de ideias contra o Capital, até os mass media do sistema som os encarregados de fazer adoraçom da capacidade mobilizadora do mundo virtual com o objetivo de nos recordarem mais umha vez que a classe obreira como sujeito social com capacidade transformadora se extinguiu, já nom existe. O caso recente tam cacarejado nos meios de comunicaçom burgueses da organizaçom das revoltas no norte de África via facebook vai neste sentido. Som as condiçons objetivas e subjetivas dumha concreta formaçom social que determinam em última instáncia o desenvolvimento da luita de classes, e se nom fosse assim, haveria que realizar um duro esforço de abstraçom para imaginar um jovem egípcio lançando e recebendo pedradas dos mercenários do cleptócrata Hosni Mubarak, jogando-se literalmente a sua existência, como para depois subir a sua valentia e coragem ao seu mural do facebook.

É, pois, umha cortina de fumo a que se estende por diante da plataforma Democracia Real Ya. Há que partir da premissa de que deveria ser motivo de satisfaçom para a militáncia da Galiza rebelde a apariçom dumha iniciativa inovadora que trouxesse mais um cenário de questionamento do modo de produçom capitalista como sistema fracassado, para satisfazer as necessidades mais básicas da humanidade. Mas o discurso que maneja a plataforma DRY nom permite esclarecer as causas polas quais o povo trabalhador está a pagar os custos da crise do capitalismo. Nom questiona abertamente a essência do problema real, que é a ditadura do Capital sobre o Trabalho, e inverte como na cámara obscura de Marx a relaçom causa-efeito, contribuindo para um confusionismo generalizado. Por isso estamos na obrigaçom de criticar este discurso para que nos ajude a desvendar os interesses de classe que há atrás desta plataforma.

Nom nos podemos sentir satisfeit@s pola convocatória deste tipo de mobilizaçons no nosso país, porque trazem um discurso espanholista, que se bem nom se realiza dumha maneira aberta e descarada, é evidente que chega dumha maneira encoberta e pré-fabricada a umha realidade nacional como a galega, que tem umhas dinámicas próprias como se tem demonstrado noutro tipo de movimentos de caráter espontáneo que tivérom lugar no nosso país, constituindo-nos nas pontas de lança dentro do Estado espanhol nos protestos anti-LOU ou a mais recente greve geral de 29 de Setembro passado. Porém, a capacidade mobilizadora de DRY posta em cena nas ruas de algumhas cidades galegas no dia 15 de Maio, que mesmo surpreendeu os/as organizadores/as, nom se pode obviar se tivermos em conta a participaçom nas manifestaçons do sindicalismo nom vendido ao poder no passado 1º de Maio.

Botando umha olhada às crónicas das manifestaçons e concentraçons do passado domingo, podemos observar como a composiçom social foi muito heterogénea, fazendo umha encenaçom do  discurso populista e apolítico, mas fortemente ideologizado, de DRY, dirigido a “pessoas progressistas ou a pessoas mais conservadoras, a crentes  ou nom crentes, sem distinçom ideológica, apartidarista e assindical e, sobretodo, pacífico”. Nalgumhas mobilizaçons como as de Vigo ou Ferrol, no ato final permitiu-se intervir a algumha das pessoas assistentes. A quem se pudo ouvir, entre outr@s?, pois um pequeno empresário que ficou na ruína com a crise capitalista ou a um militar que reclamava mais recrutas como remédio para acabar com o desemprego. É bastante evidente quais som os sectores sociais espoletados por DRY.  A pequena burguesia acha-se num momento histórico de desconcerto ante a actual crise capitalista, que acelerou a sua queda social para compartir com a classe trabalhadora a situaçom de explorad@s polo grande capital, que ressurge como principal ator na acumulaçom de riqueza e valor. Os interesses da pequena burguesia subjazem atrás desta iniciativa, que tenta manipular ao seu jeito o povo trabalhador, em especial a juventude trabalhadora, a geraçom perdida segundo afirmam eles, para acumular forças que lhe permitam recuperar a sua situaçom de privilégio social que o sistema capitalista lhe ofereceu durante algum tempo, daí que haja que caminhar para um “modelo social mais justo” mas, para que modelo social? O do socialismo sob a hegemonia do proletariado, evidentemente que nom.

Com este tipo de iniciativas mobilizadoras comandadas pola pequena burguesia à qual aderem multidom de coletivos do mais diverso, desde pós-marxistas até ONG´s abertamente pró-capitalistas, tentam pôr em dúvida a independência política da classe obreira, verdadeiro sujeito de transformaçom, reclamando de maneira pacífica melhorias parciais que estám longe de questionar a dominaçom e exploraçom do Capital. Umha dominaçom violenta e implacável contra a mentalidade d@s oprimid@s e umha exploraçom descarnada que extorque o produto realizado polas nossas maos. Por muita vontade de mudança que se tenha, se nom se tem em conta a verdadeira essência da contradiçom entre o Capital e o Trabalho, qualquer iniciativa que clame bondade a um sistema tam despiadado como o que sofremos dia a dia estará condenada, cedo ou tarde, ao fracasso.

Depois do passado domingo, aguardando a convocatória de novas iniciativas e, ante a ausência dum programa táctico e estratégico, é de supor que estes vazios constiuem a grande incertidom das pessoas que participárom nas mobilizaçons. Já houvo manifestaçons que mostravam essa indignaçom social, da “consciência em si”, mas agora quê?, que fazer? Na minha humilde opiniom, sem querer desiludir nengum promotor de DRY na Galiza, sempre e em última instáncia nos veremos abocad@s a afrontar o interrogante que já citou Lenine há precisamente 110 anos ante umha situaçom muito semelhante, Que fazer?, que nos obrigará a escolher um ou outro caminho, o de ficar na “consciência em si” ou no de caminhar para a “consciência para si”, com a luita conseqüente contra o Capital. Mais umha vez há que repeti-lo, a luita é o único caminho.