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Para a sua mais ampla difuson. Carta Aberta à Venezuela Bolivariana

Sexta-feira, 13 Maio 2011

Narciso Isa Conde

 

Apreciados/as camaradas e compatriotas da nossa América:

 

Há sinais muito fortes de que o governo bolivariano de Venezuela caiu na armadilha de colaborar com o de Colômbia na criminalizaçom de luitadores/as solidários/as com a causa da liberdade, a paz com dignidade e a emancipaçom social desse fraterno país, açoitado desde há cinqüenta anos por umha guerra suja implementada desde o poder apadrinhado polos EUA. Entre esse conjunto “penalizável” fui localizado pola perversa aliança colombo-estadounidense.

 

A hostilidade do regime colombiano foi sistêmica de um tempo a esta parte e nesse sentido há uns quantos meses recebi informaçons de muito boa fonte na que se me advertia do risco de viajar ao exterior através ou para países que nom oferecessem garantias de rejeitamento às pretensons colombo-estadounidenses de me capturar para processar-me ou assassinar-me, segundo as circunstâncias. Algo similar se fraguava  -e se fragua- contra outros/as camaradas.

 

Especificamente, em vista desse empenho reforçado, recomendou-se-me que evitasse toda escala intermédia nas minhas viagens a Venezuela e que adotasse quantas prevençons fossem necessárias, ainda em caso de fazer uso de vóos diretos, sem escalas, a esse fraterno país; dando por sentados os vínculos de solidariedade e as identidades revolucionárias existentes entre o nosso Movimento Camanhista e as forças que governam na Venezuela.

 

 

Auto-restriçons

Agradecim profundamente esse gesto e esmerei-me em reforçar as minhas determinaçons nesse plano com o apoio dos meus irmaos/ás de luita:

 

– Obviei umha viagem a El Salvador a raiz de ser convidado em janeiro passado à homenagem ao comandante SchafiK Handal, amigo e camarada entranhável.

 

– Nom assisti neste ano ao Seminário Internacional “Os Partidos Políticos e umha Nova Sociedade”, realizado no passado mês de março em México com o auspicio do Partido do Trabalho (PT) desse país.

 

– Escusei-me ante os camaradas do partido Primeira Linha da Galiza, que recentemente me convidárom às suas Jornadas Independentistas.

 

Em síntese: neste primeiro quatrimestre do ano em curso limitei-me a viajar diretamente a Caracas no final de março para participar em duas atividades: o Seminário “Só Marx” (organizado pola Presidência do município de Girardot-Maracay e pola Frente Alfredo Maneiro) e à Homenagem a Manuel Marulanda (impulsionado polo Capítulo Venezuelano do Movimento Continental Bolivariano-MC, cuja Presidência Coletiva coordeno).

 

Essa viagem realizou-se sem maiores problemas, embora sim com alguns sinais que nom auguravam todas as garantias acordadas, o que me obrigou a tomar precauçons adicionais e a tentar respaldos complementares.

 

 

Novos riscos

Passadas algumhas semanas, encontramo-nos ante o estremecedor apresamento no aeroporto de Maiquetía-Caracas e a extradiçom ao vapor a Colômbia do camarada Joaquín Pérez Becerra, diretor da agência de imprensa Anncol, membro da Associaçom Bolivariana de Comunicadores (ABC), nacionalizado sueco e perseguido sob a acusaçom de “terrorista”; açom repressiva instrumentada sobre a base de argumentos falsos e estigmas similares aos que esgrimiu contra mim e outros dirigentes revolucionários da nossa América e o mundo o regime narco-paramilitar-terrorista da Colômbia, apadrinhado pola CIA e o MOSSAD. Todo isto concertado com o governo venezuelano por iniciativa do presidente colombiano Manuel Santos.

 

A associaçom entre as altas hierarquias civis e militares dos governos da Venezuela e a Colômbia para consumar esse facto bochornoso, nom precisa mais evidências. A colaboraçom foi admitida por ambas partes, incluídos os presidentes de ambos países.

 

E nom se trata de um facto isolado, senom que certamente se inscreve dentro de um convénio de maior alcance e profundidade em matéria de segurança inter-governamental, tal e como se extrai das declaraçons recentemente oferecidas polo Ministro de Defesa da Colômbia, Rodrigo Rivera (Aporrea 1-05-2011), quem ao referir à captura e extradiçom de Joaquín precisou que “o governo da Venezuela, em um tema coordenado com o presidente Chávez diretamente, respondeu-nos enviando-o a Colômbia. E disserom-nos que em frente a qualquer informaçom como esta que lhes demos, eles vam responder da mesma maneira”.

 

Esta afirmaçom da parte colombiana até a data nom foi desmentida e estivo acompanha do anuncio enfático de que o regime colombiano eliminou totalmente a saída política negociada ao conflito armado e atualmente persegue a derrota militar da insurgência, tentando o apoio internacional para isolar e golpear as organizaçons político-militares. Todo isto no contexto do abandono de facto da neutralidade por Venezuela e da sua soma à perseguiçom dos/as estigmatizados como “terroristas”.

 

Por outra parte, de novo recebim informaçons muito consistentes que revelam a determinaçom de lhe dar continuidade a essa colaboraçom colombo-venezuelana e alertam-me sobre as conseqüências repressivas que poderiam derivar-se se nestas circunstâncias decido viajar a Venezuela.

 

Antes de receber essa informaçom precisa de fonte absolutamente confiável, acompanhada da recomendaçom de nom viajar a Venezuela, nom fôrom poucas as preocupaçons e as expressons de alerta, que por pura intuiçom, me figerom chegar amigos/as de aqui e de lá.

 

 

Ironia da história?

Estas cousas parecem -mas nom som- de história-ficçom e em realidade tenhem um impactante sentido irónico no devir de processos com vocaçom revolucionária.

 

Todo parece indicar que a praça livre bolivariana, a Venezuela de Chávez, lamentavelmente e de maneira absurda, se está a tornar cada vez mais hostil em frente a setores muito conseqüentes e muito comprometidos com a defesa das essências desse processo; isto é, contra umha parte das suas melhores defensores/as no exterior e ao interior do mesmo.

 

Assim as cousas o principal oásis da unidade bolivariana apresenta certos sinais de esgotamento, expressadas em negativa de abraços solidários e em contubérnios utilitários injustificáveis a favor dos protagonistas do Estado terrorista colombiano; aceitados agora incongruentemente como aliados de ocasiom pese a ser os seus inimigos impenitentes.

 

Vinculado historicamente como estou -como muitos outro/as camaradas- ao esperançador processo iniciado por Chávez e o MBR-2000 desde o mesmo instante em que um divino “golpista” (entom ferozmente estigmatizado polos mesmos que hoje nos criminalizam e perseguem) pronunciou a frase “por agora”, esta situaçom parece-me realmente paradójica.

 

Evidências de repregamento e incoerências arriscadas no acidentado devir da revoluçom. Ironia da história!

 

 

Disjuntiva e espera

No meu caso, dada esta situaçom difícil de digerir, estou compelido no imediato ou a confinar-me na minha “pátria pequena” (onde o custo político de me extraditar e/ou me assassinar é imenso e os meios de defesa som superiores), ou assumir -se fosse necessário e me inspira fazé-lo- o alto risco que implicaria viajar a Venezuela nestas circunstâncias a cumprir compromissos latino-americanistas ou a participar em eventos organizados por forças e entidades que apreciam o meu concurso… sobretodo se o presidente Chávez e o seu governo definitivamente nom oferecem garantias inequívocas de que nom se voltarám a produzir casos como o do camarada Joaquín Pérez.

 

A disjuntiva é forte, embora nom iminente.

 

Ao meu entender é possível e necessário esperar o desenvolvimento dos acontecimentos desatados por está agressom inqualificável, que aponta sé-lo contra todos/as os penalizados polo DAS, a CIA e o assassino Santos. Já dantes guerrilheiros das FARC e o ELN e militantes da esquerda basca fôrom vítimas dessa política.

 

Fui convidado para participar em vários eventos a realizar-se na Venezuela entre finais de maio e princípio de junho do ano em curso.

 

Vou medir bem a evoluçom desta grave situaçom e a reaçom do Governo bolivariano em frente ao meu caso e ao de outros camaradas para atuar em conseqüência.

 

Tentarei defender com valentia os meus direitos e os meus relacionamentos históricos com a revoluçom venezuelana, evitando ser desnecessariamente vítima da imposiçom das “razons desses Estados” ou peça sacrificável no xadrez da mal chamada “real política”. Farei-no em todos os casos similares.

 

Medirei muito bem os meus passos refugiando-me sobretodo na razom da política revolucionária em frente a espúrios interesses de estados e governos.

 

Nom evadirei riscos que o interesse geral do movimento e as minhas íntimas conviçons me reclamem como válidos. Nunca os tenho evadido.

 

Certo que a confiança tem fendas e nom por decisom própria, se nom por causa de ingratitudes e inconseqüências desgarradoras de certos protagonistas de um processo transformador que defendemos e seguiremos defendendo com enteireza e valor, mas sem canonizas, sem incondicionalidades nem pleitesias.

 

Quem a rompérom som os chamados a restabelecé-la, modificando rumos e atitudes confrontadas com o internacionalismo conseqüente, princípios valiosos e a ética revolucionária.

 

Esperaremos sem precipitar-nos os sinais do processo e da vida para tomar outras decisons mais pontuais.

 

Acho que ao  atuar desta maneira estou nom só interpretando o meu sentir e as minhas convicçons, senom a de todas (as) os injustamente penalizados(as) por essa escória que governa na Colômbia e em EUA.

 

Somos luitadores(as) de longo alento, combatentes de por vida, persistentes na ideia de que a justiça, assumida como causa coletiva, terá de se abrir passo contra vento e maré, contra calunias, estigmas e atropelos.

 

Achamos decoroso rebelar-se em caso como este e ante qualquer violaçom de direitos, abuso de poder ou compromisso indigno; ainda cometido por condutores meritórios e líderes apreciados.

 

A nossa rebeldia desta vez tem umha forte carga de tristeza, embora nom tanta como para anular o nosso persistente combate pola alegria.

 

É triste pensar na Venezuela bolivariana como “terra proibida”.

 

Muito triste, mas -insisto- essa tristeza nom tem poder para lhe fechar o passo à nossa luita pola felicidade, o bem-estar comum e a beleza humana. Resisto-me a achar que essas nobres metas nom serám alcançáveis por esse bravo povo e polos seus irmaos solidários do mundo, como também as retificaçons que de imediato lhe abram espaço ao diálogo, à confiança e à harmonia; sem depor identidades e sem sacrificar a diversidade que enriquece a vida.

 

Bolívar vive!

Camanho vive!