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Situaçom e perspetivas do movimento estudantil galego

Quarta-feira, 4 Maio 2011

Miguel Cuba

O Movimento Estudantil tivo historicamente umha importáncia capital na conformaçom do campo revolucionário contemporáneo. Se bem este, para ser auténtico, tem que ter umha clara hegemonia operária, a génese atopa-se muitas vezes no mundo do ensino, principalmente na universidade. É evidente que o estudantado por definiçom tem um modo de vida que deixa muito mais tempo disponível para a realizaçom das tarefas políticas, polo que o desenvolvimento dumha primeira teoria revolucionária ou a criaçom de embrions de organizaçons revolucionárias está maioritariamente em maos do estudantado, agás honrosas exceçons. Há multidom de exemplos, começando pola própria formaçom das organizaçons revolucionárias pré-bolcheviques ou na revoluçom sandinista com o papel jogado polo movimento estudantil universitário e secundário. Também na própria Galiza, desde o início da nossa consciência nacional é preciso destacar o estudantado compostelano dirigido por Antolim Faraldo no levantamento provincialista de 1846 ou na entrega mostrada polos militantes da FUE na resistência à ditadura de Primo de Rivera. Ainda na construçom do nacionalismo de matriz marxista moderno com a importáncia do grupo “La Noche” ou o próprio papel de ERGA como fundamento da expansom territorial do nacionalismo (hoje nacional-autonomismo) e de força militante. Também no presente existem diversos exemplos a nível internacional, desde a luita do estudantado universitário equatoriano ou colombiano até, salvando as diferenças, a “Geração à Rasca” portuguesa.

Vemos, portanto, a importáncia quantitativa e qualitativa que tem o estudantado nas dinámicas revolucionárias: exerce como força militante de reserva para mobilizar nos conflitos de massas onde figer falta (nom há mais que lembrar a famosa “caravana nacional-popular” composta por militantes de ERGA), é fonte de futuros militantes e quadros políticos e como movimento estudantil, é um fator de desestabilizaçom social. Porém, esta importáncia também pode virar-se na contra dos objetivos transformadores e ser bastiom da reaçom, como demonstra o caso da Revoluçom Bolivariana, que tem na Universidade umha das principais quinta-colunas do imperialismo. Eis a importáncia que tem para o movimento revolucionário a intervençom e a procura da hegemonia no Movimento Estudantil.

AGIR

A esquerda independentista e socialista galega organizada no MLNG há tempo que sabe desta necessidade e potenciou a criaçom dumha organizaçom estudantil de caráter claramente independentista e de esquerda, AGIR. Esta leva mais de dez anos luitando nas aulas contra um ensino espanholista, elitista, anticientífico, autoritário e machista, produto da dominaçom de Espanha e o Capital, e ao tempo ajudando humildemente à acumulaçom de forças para a Revoluçom Galega.

Fazemo-lo desde o princípio da necessária interligaçom entre o geral e o particular, entre a opressom nacional e social de género e a opressom do sistema educativo. Assim, desenvolvemos um trabalho teórico que analisa as problemáticas particulares do sistema educativo galego em base à situaçom do povo trabalhador galego dentro do sistema-mundo e a sua distribuiçom mundial do trabalho, porque as leis do capital interatuam com as educativas e isto implica a desapariçom da Universidade Pública galega através da LOU, do Processo de Bolonha ou da Estrategia Universitária 2015. Todo isto está relacionado com o papel que desempenha a Galiza como exportadora de força trabalho barata e que portanto nom é precisa a qualificaçom da mesma.

Ao tempo, agimos com coerência entre a teoria e a praxe, defendo métodos de intervençom e luita históricos do MEG e radicalmente distintos dos propugnados na atulidade polo reformismo estudantil. Esta é a nossa principal diferença com o resto de organizaçons estudantis que agem na Galiza: ninguém é militante de AGIR para crescer política ou academicamente, ao ser estas intençons totalmente incompatíveis com o nosso agir militante.

U-lo resto do MEG?

O resto do Movimento Estudantil Galego estivo historicamente ocupado pola organizaçom Comités Abertos de Faculdade, que de movimento plural passou a converter-se na organizaçom estudantil do nacional-autonomismo e refundando-se no ano 2008 em “Comités”, junto com a presença intermitente de colectivos de ámbito estatal e pequenos grupos reacionários ligados a interesses do corpo docente. Dizemos «estivo» porque esta situaçom mudou nos últimos meses com a criaçom de duas novas organizaçons, produto de sendas cissons nos Comités. Isto produz-se em primeiro lugar por umha descomposiçom política da matriz, o BNG-Galiza Nova, que provoca que os sujeitos políticos do nacional-autonomismo devam procurar novas bases de apoio no MEG em forma de colectivos estudantis próprios. Assim, umha organizaçom, a formalmente mais reacionária, está claramente ligada à corrente de Mais Galiza e Mocidade Nacionalista Galega e a outra, autodeclarada soberanista e de esquerda transformadora, está ligada a Isca!. Uns procuram consolidar e reforçar a sua estrutura orgánica polo que poda passar com o BNG e outros procuram alongar o seu apoio em Galiza Nova para nom ficar marginalizados pola UMG. Mais umha vez temos o estudantado como apoio fundamental à luita política geral, embora reformista.

Porém, as causas que provocam estas duas cissons estejam determinadas por espaço políticos alheios ao estudantado, a própria dinámica do MEG é a que possibilita estas manobras e facilita a sua utilidade.

Assim, na atualidade estamos a viver na ciclicidade do movimento umha mudança pois estamos rematando umha interminável fase de refluxo. Factos como a greve estudantil de 16 de Dezembro que paralisou os campus compostelanos com o maior seguimento, tanto em paro como em assistência à manifestaçom, desde a luita contra a LOU, demonstra-no. Nom queremos dizer com isto que a Universidade viva umha revolta, nem muito menos, mas o maior sucesso dos protestos junto com o crescimento quantitativo que estám a viver a totalidade de organizaçons estudantis sinalam que estamos às portas dumha nova fase. Condicionantes objetivos sobram, a época de crise sistémica que vivemos acelera ainda mais os processos contíguos de emagrecimento e elitizaçom da Universidade Pública, sem que o professorado poda fazer nada para defender os seus interesses corporativistas. É o momento da luita estratégica do estudantado, em especial o de extraçom popular, em defesa dum ensino ao serviço do povo.

Por que aposta cada quem?

Isto provoca que cada colectivo estudantil do amplo espectro que supom a esquerda nacional procure o seu espaço socio-estudantil ao qual dirigir-se, o que se reflexa dos postulados ideológicos de cada quem. O certo é que Comités e derivados estám formados maioritariamente por filhos e filhas de militantes do BNG, mas a composiçom social destes segue a ser em certa medida heterogénea. Há colectivos que apostam sem ambigüidades de qualquer tipo pola elitizaçom e por umha universidade ao serviço do “tecido produtivo” e que afirmam princípios como o da “Universidade Corresponsável” e a “cultura do esforço” como se estudantado tivesse responsabilidade no fechamento contínuo de bibliotecas, no aumento das taxas encobertas em forma de fotocópias e bibliografia ou da má qualidade pedagógica. Está claro que se dirigem a um sector social com complexo de culpa que necessita umha universidade na Galiza mas nom quer fazer dela um bem público e social ao serviço do povo trabalhador.

Também há outros colectivos que, com umha linguagem da socialdemocracia ou mesmo autodefinindo-se de esquerda revolucionária, ficam continuamente nas meias tintas, nom apostando pola aboliçom das taxas, acreditando que há disputa política no espúrio intercâmbio de interesses sob o que se governa a universidade, acreditando na possibilidade da existência dumha Universidade com funçon de socializaçom do conhecimento mas imersa nas dinámicas do sistema capitalista….

Ao tempo, já demonstrárom a sua conceçom dirigista da politica estudantil ao atrever-se a negociar com a Reitoria da USC, no conflito polo direito a titular-se, em contra da decisom da maioria do estudantado mobilizado. O mesmo se pode dizer da sua peculiar noçom da solidariedade, nom opondo-se nunca às tentativas criminalizadoras que sofre o estudantado da esquerda independentista por parte das distintas autoridades académicas. A mesma pequena-burguesia mesocrática, se calhar, esta com mais dependência do entramado administrativo das distintas ramas do regime autonómico, com a necessidade imperiosa de manter o gasto público embora seja administrado polos de sempre e nom polo estudanto de extraçom popular.

Separam-nos, assim, do resto umha diferença nom salvável: a luita nom é por aumentar o financiamento universitário, já for este público ou privado, mas a luita leva-se a cabo pola correta gestom democrática deste. Pode o povo trabalhador galego sufragar com milhons de euros a universidade pública, que se nom lograrmos depurá-la de burocracias, privilégios docentes e disputas localistas, esta seguirá sendo inútil e presa fácil do neoliberalismo. Aqui está plantado inexoravelmente o debate: a luita polo ensino popular é integral, e transcende ao espaço educativo e se nom conseguirmos plasmar isto além do papel, tendo um programa de reivindicaçons que luite por fazer da universidade umha instituiçom ao serviço da maioria social, a nossa luita está condenada ao fracasso.

Nom servirá de nada aumentar o financiamento, nem voltar à universidade única, nem abolir o machismo nas aulas, nem criar realmente um ensino científico… como se esta a propor. A pesar de que todo isto é necessário, se nom se socializar realmente a universidade todo fica sem conteúdo. As propostas tenhem já décadas: criar um corpo galego de professorado universitário, fiscalizando o estamento docente polo discente, eliminando a liberdade de cátedra para implementar realmente o monolingüismo veicular e determinar democraticamente os conteúdos de cada matéria….. É o momento de voltar a pô-las em prática.

Achamos boa vontade e pontos de encontro com multidom de ativistas do MEG, estejam ou nom organizados. Sabemos que som companheiros e companheiras de viagem e que partilharemos diversas luitas no futuro, como temos feito em numerosas ocasions. Nós oferecemos solidariedade e honradez militante, mas também sinceridade, e por isso nom podemos senom deixar de criticar aquilo que nos parece viciado ou errado. Seriamos hipócritas se nom expormos abertamente as diferenças metodológicas e de análise que existem, pois acreditamos na confiança e no debate franco, a diferença de outras pessoas e colectivos. Defendemos um modelo de movimento de base assemblear, onde as organizaçons estudantis atuem como dinamizadoras e interligando os objetivos táticos com o horizonte estratégico de libertaçom. Negamo-nos portanto a legitimar com a nossa presença qualquer tipo de acordo ou instituiçom antidemocrática.

Onde luitar? Como agir?

Enfim, nada novo baixo o sol. Os mesmos rostros, as mesmas manobras espúrias, a mesma subordinaçom aos interesses eleitorais do BNG….. nada em que o diverso mundo que a pluralidade da esquerda independentista representa poda confiar. Seria um erro de consequências catastróficas abandonar hoje, quando fermosas esperanças de luita se abrem, a auto-organizaçom da esquerda independentista e socialista dentro do Movimento Estudantil Galego. AGIR tem o dever de seguir a luitar com mais determinaçom ainda, organizando para os combates que nos aguarda o estudantado pertencente ao povo trabalhador galego, aquele que conhece à perfeiçom o que o neoliberalismo quer da Galiza e luita na trincheira universitária igual que luitaria nas barricadas operárias.

AGIR aspira a organizar o conjunto do estudantado que necessita e aspira a umha universidade galega e popular baseada num ensino público, galego, nom patriarcal, democrático e de qualidade no marco dumha Galiza libertada nacional e socialmente. Nós nom aspiramos a fazer parte do jogo institucional, senom a derrubá-lo: exigimos fazer-nos cargo da universidade galega para pô-la ao serviço do estudantado e da totalidade do povo galego. Sabemos que o povo trabalhador ainda hoje é maioritário entre o alunado universitário, e por isso tendemos e tenderemos sempre a amplas unidades pola base, que organizem, além das diferenças ideológicas, a luita por umha universidade galega e popular.

 

Miguel Cuba fai parte da Direcçom Nacional de AGIR