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Editado Abrente 60

Sexta-feira, 29 Abril 2011Um Comentário

Vem de sair do prelo o número 60 do jornal comunista Abrente, correspondente ao segundo trimestre deste ano, que edita Primeira Linha.

Nesta ocasiom a editorial, que reproduzimos integramente, está centrada em analisar a grave situaçom socioeconómica e a necessidade de reforçar a alternativa revolucionária anticapitalista.

Miguel Cuba, Daniel Lourenço Mirom e Maurício Castro escrevem sobre a situaçom do movimento estudantil galego, a claudicaçom do sindicalismo e a necessidade de reativar o conflito lingüistico.

Umha colaboraçom de Ana Barradas sobre Portugal ocupa a secçom de internacional.

O Abrente será distribuido nas manifestaçons do 1º de Maio que convoca o sindicalismo galego de classe.

 

1º de maio, Dia do Internacionalismo Proletário

Já nom chega com gritar

A Revoluçom Socialista é a única alternativa

A burguesia está firmemente determinada em suprimir todas as conquistas e direitos que logramos atingir em décadas de suor e sangue. Pretende impor a qualquer custo condiçons sociolaborais similares às de início de século XX. Age com noturnidade e aleivosia, com perspetiva estratégica à hora de infligir a restauraçom. Todas as suas decisons, -independentemente das contradiçons, dinámicas e ritmos nacionais de aplicaçom-, seguem a premissa da lógica de nom dar pontada sem fio.

Assim levam praticamente mais de duas décadas tentando implementar a consumaçom do seu programa neoliberal selvagem. O thacherismo autóctone deu os primeiros e tímidos passos nos governos de Adolfo Suárez e já na era do felipismo começou a agir sem complexos, de forma aberta.

Na primeira fase da estratégia regressiva maquilhavam a dimensom e os objetivos que perseguiam. As hemerotecas conservam as suas reaçons tildando de delírios radicais, de disparates extremistas, as denúncias da mais avançada esquerda revolucionária da altura.

Mas simultaneamente começavam a adotar um plano contra-insurgente de medidas tendentes a co rtar liberdades e direitos democráticos formais, intensificando o controlo social, multiplicando os mecanismos de alienaçom, criminalizando e reprimindo os núcleos de luita e combate para assim neutralizar a possibilidade de construir as imprescindíveis vanguardas obreiras e populares que organizem a resistência e a dotem de um coerente programa socialista.

Hoje, com a contundente perspectiva que dá umha visom integral das paulatinas reformas do mercado laboral, dos permanentes ajustamentos da legislaçom em matéria de Cógigo Penal e dos ensaios de aberrante intoxicaçom informativa e manipulaçom de massas experimentados nos episódios de Miguel Angel Blanco ou de 11 de março de 2004, ficam descartadas as teorias conspirativas com as que setores do movimento popular interpretavam as mais lúzidas análises do marxismo.

É evidente que a burguesia necessita imperiosamente manter a sua taxa de ganho e que para nom perdê-la está disposta a endurecer todo o que faga falta as condiçons de trabalho. Já nom há linhas vermelhas, nem áreas protegidas. Os autolimites posteriores à II Guerra Mundial e à lógica da guerra fria formam parte do passado. Agora todo está no ponto de mira, nom existem exceçons nem veda de qualquer tipo.

As duas últimas reformas aprovadas polo governo de Zapatero constatam o que afirmamos. Primeiro avançárom um novo pacote de medidas favoráveis o despedimento livre, de mais retrocessos salariais e de ainda mais profunda desregulaçom da legislaçom laboral. Poucos meses depois, -quando ainda nom nos recuperáramos dessa agressom-, suprimírom ajudas sociais, privatizárom mais serviços, e iniciárom os passos para desmantelar as pensons e reforçar a sobre-exploraçom operária e popular aumentando a idade de reforma. Agora anunciam reformas na negociaçom coletiva e na necessária legislaçom do “absentismo e baixa produtividade laboral”.

A reduçom de salários que vam impondo, a base de combinar amplos consensos com o sindicalismo amarelo e de intimidaçom coletiva, agitando a ameaça do medo a um desemprego incontrolado e o temor a umha maior precarizaçom, está sendo acompanhada polo incremento do preço de produtos de primeira necessidade, da energia e o transporte.

Os crús prognósticos elaborados por Marx e Lenine sobre as negativas conseqüências do desenvolvimento do capitalismo global, que o mundo académico e as universidades definiam como pura ficçom, e a esquerda reformista renegava como erro de cálculo, estám sendo superados pola brutalidade do neoliberalismo imperialista na sua fase terminal de transiçom para umha nova recomposiçom da forma de exploraçom e dominaçom.

O medo ao futuro é a realidade tangível da imensa maioria da populaçom, incluídas as fracçons intermédias que consideraram definitivamente superada o seu afastamento do proletariado.

A ofensiva global contra a classe trabalhadora, os povos e as mulheres já nom se pode maquilhar e muito menos ocultar. A perda de poder aquisitivo, a precarizaçom, o desemprego, afeta à prática totalidade do povo trabalhador galego. As políticas dos mais avantajados alunos da economia liberal está provocando um incremento da pobreza e exclusom social, e umha depauperaçom relativa da classe trabalhadora.

 

Necessidade de organizar proletariado e radicalizar a luita

As duas últimas greves gerais, -29 de Setembro de 2010 e 27 de Janeiro de 2011-, abrírom um caminho que hoje se constata completamente insuficiente.

Seria voltar a cair na ingenuidade da esquerda caviar ou das diversas variantes do reformismo transvestido de radicalismo considerar que estamos a ponto de tocar fundo, que a crise económica sistémica capitalista está chegando ao seu fim. Ainda que sim cumpre reivindicar, pressionar, protestar, devemos sempre agir com essa depreciável responsabilidade institucional que evite conduzir a luita obreira e popular ao ponto de nom retorno.

A maioria da direçom do sindicalismo de classe realmente existente a dia de hoje na Galiza carece de umha visom estratégica socialista e tampouco tem umha vocaçom de tomada do poder. Nom só nom dá superado os complexos reformistas do tacticismo defensivo, tampouco quer desprender-se do ADN eleitoralista da sua matriz autonomista e socialdemocrata. Está pois esterilizada para cumprir o papel histórico que demanda a luita de classes do proletariado galego no século XXI.

Mas a experiência histórica da luita de classes a escala internacional e nacional, assim como a lógica de qualquer confronto social na que nos jogamos a possibilidade de umha vitória ou umha derrota estratégica, constata que, cada vez que se capitula e arriam bandeiras, nom se obtenhem prémios nem concessons por parte do inimigo, tam só caem mais golpes e estes som mais fortes.

Nom nos cansaremos de afirmar que o capitalismo nom se pode reformar. Que toda “alternativa” que tam só pretenda fazer mudanças parciais ou superficiais do mesmo, consciente ou inconscientemente, forma parte da lógica que o sistema permite e alenta.

As quatro últimas décadas tenhem sido umha magnífica escola teórico-prática para o movimento obreiro e popular. As múltiplas derrotas que padecemos tenhem sido amargas e dolorosas, mas também tenhem sido de grande utilidade para apreender e separar a palha do trigo. Assim descartamos o modelo soviético e chinês, as suas posteriores adaptaçons a outras latitudes. Temos comprovado a caducidade da via parlamentar ao socialismo. Assistimos à derrota sobre o terreno do timoratismo e fetichismo do respeito institucional que decapitou o governo da Unidade Popular chilena. Manifestamos as nossa preocupaçom e afastamento crítico das experiências de capitalismo de estado atualmente em prática nalguns países latino-americanos.

Nom som tempos de meias tintas, de vacilaçons ou ambigüidades. É a hora do projeto radical. Da mudança integral. Da Revoluçom sem aditivos nem componendas.

Sabemos que o povo trabalhador ainda nom chegou a esta conclusom. Que umha boa parte da nossa classe ainda nom perdeu a esperança na regeneraçom do sistema, que ainda sonha na volta dos “bons tempos” de pleno emprego e elevado nível de consumo. Que segue acreditando nos charlatáns da política espetáculo. Que nom quer aceitar que estamos sendo convocad@s, ao igual que umha boa parte das geraçons que nos precedêrom, a tomar as ruas e apresentar batalha em todos os campos, sem exceçons, na que a autodefesa cobra umha dimensom cada vez mais destacada.

As inexoráveis tendências em pleno desenvolvimento, que se submetem às leis internas do capitalismo, som claras. O futuro da humanidade contempla umha submissom do bloco histórico de oprimidas e explorados ou bem um confronto. A primeira opçom nom tem cabimento entre as revolucionárias e os revolucionários comunistas. A segunda possibilidade exige umha enorme dose de entrega e sacrifício para assegurar umha boa preparaçom das forças que devem ir ao encontro do inimigo com possibilidades reais de vitória.

A mudança nom vai emanar das velhas organizaçons nem de receitas desgastadas. O grau de desenvolvimento da luita de classes na Galiza está demonstrando que é urgente construir um partido comunista combatente dotado de umha estratégia insurrecional. O incremento da exploraçom e dominaçom a que estamos sendo submetidas demanda a peremptória necessidade de avançar com firmeza nesta direcçom. Em cada luita local e setorial, por limitada e modesta que for constata-se a sua vigência.

Primeira Linha continua com a edificaçom de um partido inspirado na combinaçom dialética do socialismo científico e das múltiplas achegas multicores das diversas rebeldias que de forma transversal atravessam a luita de classes. Um partido comunista para o século XXI, nom umha caricatura dos modelos periclitados em Moscovo, Pequim ou Tirana. Nom é momento de retóricas obsoletas nem de brindes ao sol.